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Quem mexeu no queijo?

De   /  12/04/2017  /  Sem comentários

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Edilson Neves

É uma parábola que revela verdades profundas sobre mudanças comportamentais. Dois ratinhos e dois homenzinhos vivem em um labirinto em busca de queijo – uma metáfora para aquilo que se deseja ter na vida: desde um bom emprego, um relacionamento, dinheiro, uma casa grande, liberdade, saúde, reconhecimento, paz espiritual ou até mesmo viver num mundo honesto e seguro. Um deles é bem-sucedido e escreve o que aprendeu com sua experiência nas paredes do labirinto.

Personagens

Envolve quatro personagens que reagem de formas diferentes à mudança que ocorre no labirinto. O Queijo é colocado como uma metáfora para o que queremos da vida e cada um terá sua própria idéia do que é o queijo para si, aquilo que tanto buscamos, acreditando que irá nos fazer bem.

Lava-Jato

Após acabar com o governo petista, agora, a operação Lava-Jato sacode o governo Temer. O que começou como uma investigação regional para combater uma quadrilha no norte do Paraná, formada por doleiros e um político local, acabou se transformando na maior operação de combate à corrupção da história Brasileira.

Indecência

O mundo político no Brasil já estava desmantelado muito antes da LAVA JATO. Uma coisa é certa, o país, de qualquer forma não estava suportando mais a indecência, a falta de responsabilidade, o desrespeito com os quais os políticos estavam tratando o povo Brasileiro.

Acho que chegou a hora de reformar este sistema velho, arcaico e que já não serve mais pra nada.

Talvez não tenha sido o momento oportuno a divulgação da lista dos políticos implicados na Lava Jato – provocou uma debandada geral de parlamentares  encerrando as votações de projetos importantes no Congresso, mas achei bem interessante que, a meu ver, caiu como uma bomba, justamente neste momento Gato e Rato em que vivemos. Fala Sério!

Gato e o rato

A expressão “gato e o rato” é utilizada para definir uma perseguição que nunca termina. Práticas criminosas versus atuação das polícias e a edição de leis são timbradas com esta expressão. É um verdadeiro jogo de “gato e rato”. Na maioria das vezes, os criminosos estão à frente. Quando uma nova prática criminosa surge, a polícia leva tempo para entender efetivamente como funciona, monta aos poucos um quebra-cabeça para adequar o fato à legislação, e enquanto isto, os criminosos levam vantagem. Veja-se, por exemplo, os novos golpes que surgiram:

Quebra-cabeça

A todo momento vem à tona imagem de políticos presos ligados à corrupção, roubalheira, improbidade administrativa, desvio de recursos, enriquecimento ilícito, tráfico de influência e tantas outras maneiras de se adjetivar como ímprobo. Como diria Boris Casoy antes do deslize durante propaganda natalina, “isto é uma vergonha”!

E o mais interessante de tudo isso é sabermos que todos os “investigados ou denunciados” se dizem inocentes! Ninguém mais é culpado.

A presunção de inocência é uma das mais importantes garantias do acusado, pois, através dela eles passam a ser sujeito de direitos dentro da própria relação processual, tendo em vista que, até que se prove o contrário, o réu é presumidamente inocente.

Matrix

Neste contexto lembro uma cena do filme “Matrix” o primeiro filme da trilogia: Morpheus (Laurence Fishburn) encontra-se com Neo (Keanu Reaves) para lhe explicar que o mundo no qual vive não é o mundo real e verdadeiro. Os humanos são meros escravos de um poderoso sistema de computadores designado Matrix que controla a mente humana. Morpheus dá a possibilidade a Neo de escolher entre tomar a pílula azul ou a vermelha. Tomando a azul, Neo voltará à sua ilusória e superficial vida; se optar pela pílula vermelha, conhecerá a verdade que está por trás do mundo que julga ser real.

Os membros da resistência eram aqueles que, em algum momento, enxergaram que a vida cotidiana era só uma trama, um programa de computador, uma ilusão. A realidade era um deserto em que os rebeldes lutavam contra “as máquinas” num mundo sem beleza ou gosto. Fazia-se ali uma escolha: tomar a pílula azul ou a vermelha. Quem escolhesse a vermelha, deixaria de acreditar no mundo como nos é dado para ver, e passaria a ser confrontado com a verdade da condição humana.

Filé

Na cena que aqui me interessa recordar, um traidor da resistência negocia os termos de sua rendição enquanto se delicia com um suculento filé. Ele sabe que o filé não existe de fato, que é um programa de computador que o faz ver, sentir o cheiro e o gosto da carne, mas se esbalda. Entregaria sua alma às máquinas em troca de voltar na melhor posição – rico e famoso – ao mundo das ilusões. Delataria os companheiros se a ele fosse devolvida a inocência sobre a realidade do real. Sacrificaria a luta, os amigos e a ética em troca de um desejo: voltar a ser livre. Ou voltar a acreditar no filé.

A pílula vermelha

Diante de tudo isso que está acontecendo no Brasil, – e no mundo – essa operação abre oportunidade de debater filosóficos sobre o que é real e o que não é. Tomar a pílula vermelha logo tornar-se-ia uma metáfora para quem escolhe enxergar a realidade – ou além das aparências. Nos dias de hoje, diante dos fatos acredito que a escolha se tornaria bem mais complicada.

Transformação

Talvez estejamos, como espécie que se pensa, diante de um dos maiores dilemas éticos da nossa história. Sem poder optar pela pílula azul, a das ilusões, talvez estejamos condenados à pílula vermelha, a que nos obriga a enxergar, como construir uma escolha que volte a incluir a ética? Como não paralisar diante do espelho, reduzidos ao horror ou ao cinismo, eliminando a possibilidade de transformação? Como reagimos?

Diante do filé que desejamos e dos olhos que nos interroga, há pelo menos uma hipótese cada vez mais forte: o inocente será o culpado?

Imagino que todos esses acontecimentos podem estar abalando cada vez mais a nossa frágil democracia, mas podem ter certeza que num futuro não muito distante irá nos fortalecer politicamente se continuarmos neste caminho eliminando todos esses corruptos malfeitores, tomando a pílula da ética, da moral e da verdade.

Chegou a hora de mudar o discurso, pois o artigo esbarra – sem querer, é claro – num ponto central da nossa política nacional. Não se trata apenas de abalar a estrutura dos poderes do Brasil e sim de um plano para extinguir os corruptos malfeitores do poder.

*(Edilson Neves, jornalista, Diretor e Editor do Jornal Correio de Notícias de Rondônia, Registro DRT/0001047/RO)

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  • Publicado: 8 meses atrás, em 12/04/2017
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  • Última modificação: abril 12, 2017 @ 9:57 pm
  • Arquivado em: Colunas, Edílson Neves

Sobre o autor

Mictmr1964

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