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Edgar do Boi é abatido prematuramente

De   /  23/05/2017  /  Sem comentários

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Após as denúncias do ex-diretor da JBS, o vice-prefeito da capital de Rondônia pede afastamento (forçado) das funções publicas. A bem da verdade, Nilo Tonial (PSDC), mais conhecido por “Edgar do Boi” foi afastado pelo prefeito Dr. Hildon das atividades na Prefeitura de Porto Velho, logo após ser acusado pelo diretor de tributos da JBS, Valdir Aparecido Boni, que em delação premiada, assumiu que pagava propina em troca de benefícios fiscais em Rondônia. Segundo ele, teria pago cerca de R$ 2 milhões ao agora vice-prefeito e a outro dirigente do PSDC, Clodoaldo Andrade.

Delação

Segundo o diretor da JBS, sua empresa recolhia menos ICMS que o estabelecido por lei referente aos ativos da Guaporé Carnes, em Rondônia, por meio de pagamentos mensais para Edgar do “Boi”. As informações constam no termo de colaboração 35 da delação premiada de Valdir Aparecido Boni.

142 dias

Quem conhece o termo novilho precoce, sabe que Edgar do Boi foi abatido precocemente. Já que essa foi a primeira vez que consegue exercer um cargo político efetivamente eleito e com apenas 142 dias de governo foi abatido pela Lava-Jato, cuja realidade em média na politica brasileira geralmente o abate se dá após os 48 meses, ou seja, a partir dos quatro anos de mandato quando o sujeito eleito não faz nada é abatido pelos eleitores assim como aconteceu com o ex-prefeito Mauro Nazif.

Entretanto, muito além destes aspectos, o abate precoce de Edgar do Boi é conseqüência de um conjunto de fatores, que se configuram dentro e fora da porteira, da corrupção, roubalheira e desonestidade, onde os beneficiários são apenas os ratões e atores envolvidos na cadeia dos roedores.

Denúncias

Para entender o esquema, em 2012, a JBS arrendou quatro frigoríficos junto ao grupo Guaporé Carnes em Mato Grosso e Rondônia. Quando foi fechada a transação, o contador da Guaporé se encontrou com o delator, Valdir Boni, na sede do PSDC, Partido Social Democrático Cristão em Porto Velho, com o contador, Clodoaldo Andrade, e Edgar do Boi. Na reunião ficou acertado que a JBS recolheria menos ICMS e a contrapartida seria o pagamento de um percentual do imposto não recolhido ao Edgar do Boi e ao garrote Clodoaldo. Segundo o delator, Parte da propina seria repassada aos fiscais da Secretaria Estadual de Receita. A partir dai a companhia passou a recolher ICMS inflando artificialmente os créditos presumidos e, com isso, diminuindo o valor a ser recolhido.

Em paralelo, a companhia passou a pagar propina mensal de 30% do ICMS não recolhido para o “Boi” e seus ruminantes.

Pódio

Diante dos fatos podemos entender como Edgar do Boi chegou ao pódio, sem fazer nada na vida e por cima se gloriando de ser um grande pecuarista criador de gado. Não é um piloto que vence percorrendo o percurso trabalhando honestamente com ótima estratégia e boa velocidade, e sim um corrupto que vence a corrida no menor tempo. Neste caso, um produtor que chegou ao pódio, não por otimizar recursos que levassem seu animal às características corretas, no tempo correto e com a melhor relação benefício/custo, se tornando um grande pecuarista precoce sendo abatido precocemente.

Lava-Jato

Não é uma corrida fácil, é como se fosse à busca do melhor carro e da melhor estratégia. A Lava-Jato tem um papel fundamental e eficiente “para resolver problemas sistêmicos, soluções sistêmicas” e, desta forma, deve ser entendido como um desafio para as equipes de investigadores, pois isto se traduz na necessidade de uma postura multidisciplinar, conectada à realidade dos problemas existentes no Brasil. Tirar deste desafio uma oportunidade de valorização, isso pode representar o pódio para o povo brasileiro.

Abate

Em resumo, para a Lava-Jato (e os demais envolvidos com ela!), o abate precoce desses políticos não deve ser entendido apenas como uma meta, mas principalmente como um caminho. E para quem está nesta corrida, sejam políticos, equipe ou público, todos têm a oportunidade de sair ganhando e subir ao pódio nesta verdadeira corrida contra a corrupção.

*(Edilson Neves, jornalista, Diretor e Editor do Jornal Correio de Notícias de Rondônia, Registro DRT/0001047/RO)

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  • Publicado: 6 meses atrás, em 23/05/2017
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  • Última modificação: maio 23, 2017 @ 11:06 pm
  • Arquivado em: Colunas, Edílson Neves

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Mictmr1964

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