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Uma ex-quase futura ministra do Trabalho chamada Brasil

De   /  11/01/2018  /  Sem comentários

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Episódio envolvendo Cristiane Brasil mostra que as relações trabalhistas no país estão piorando a olhos vistos

Nomeada ministra do Trabalho do Governo Temer, Cristiane Brasil está impedida de assumir o cargo por ter sido condenada em 2017 numa pendenga trabalhista com o ex-motorista Fernando Fernandes. Na tentativa de arrastar o pagamento da dívida, buscando dificultar o pagamento do humilde servidor, e confiando na lentidão da Justiça, Brasil – a ex-quase futura ministra – acabou por prejudicar a si própria, ainda mais agora, inscrita que foi no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas.

No entanto, esta não é a primeira vez que um motorista atrapalha o projeto de carreira de um político em Brasília. Num passado já nem tão recente, a revelação do motorista Eriberto França – de que Fernando Collor tinha despesas, carro e residência bancados por Paulo Cesar Farias – foi a gota d’água para que o então presidente da República perdesse, em 1992, as condições políticas de se manter no cargo.

Fernando – não o Collor, mas o Fernandes – trabalhou por dois anos para Brasil – não o país, mas a ex-quase futura ministra – e levava os filhos dela, Christian Monassa e Catarina Brasil, ao médico, à escola, ao psicólogo ou até mesmo a “baladas” – nas palavras dele. O expediente de trabalho podia chegar a 15 horas por dia, sem carteira assinada ou pagamento de horas extras – condições suficientes para comparar tal relação ao trabalho escravo.

A nomeação de Cristiane Brasil para a pasta do Trabalho foi suspensa graças ao Movimento dos Advogados Trabalhistas Independentes em nome da moralidade administrativa. Por falar em moralidade, ou a falta dela, é importante lembrar que Cristiane Brasil é filha do ex-deputado federal Roberto Jefferson – réu confesso e delator do escândalo conhecido como Mensalão, passo importante para a deflagração da Lava-Jato.

Recurso para que Brasil assumisse o cargo negociado entre Temer e Jefferson foi tentado pela Advocacia-Geral da União, mas derrubado pelo Tribunal Regional Federal. Assessores da Presidência sugeriram que o PTB – mesmo partido do ex-ministro Ronaldo Nogueira de Oliveira – indicasse outra pessoa para o cargo, mantendo o feudo do partido na pasta, até uma decisão judicial definitiva.

Teimoso, Temer bateu o pé e decidiu recorrer ao Supremo Tribunal Federal na esperança – quem sabe – de que a discussão caia, por exemplo, no colo de Gilmar Mendes, ministro que tem se mostrado fiel aliado do Palácio Jaburu.

Ex-quase futura ministra tem outros processos

Antes de o caso do motorista Fernando ganhar publicidade, o nome de Cristiane, curiosamente, não constava do Banco Nacional de Devedores Trabalhistas do Tribunal Superior do Trabalho. Esta, no entanto, não é a primeira vez que ela perde uma queda de braço para um ex-empregado. Outro motorista, Leonardo Eugênio de Almeida Moreira, recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho para requerer o pagamento de indenização e registro em carteira. Em acordo firmado entre as partes, Brasil ficou de pagar a dívida em parcelas mensais de R$ 1 mil.

Mas não para por aí. Contratada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, a assessora (DAS-7) Aline Lucia de Pinho também cobra de Cristiane direitos trabalhistas por ter servido também como motorista da então secretária especial do Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida durante a gestão Eduardo Paes.  Aline, que chegou a torcer o joelho esquerdo em uma queda, quando levava os cães de Cristiane ao veterinário, acabou exonerada pelo governo do prefeito Marcelo Crivella.

– Claudio Carneiro

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  • Publicado: 3 meses atrás, em 11/01/2018
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  • Última modificação: Janeiro 11, 2018 @ 9:23 am
  • Arquivado em: Geral

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