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Ano de 2018 vai pôr à prova a democracia na América Latina

De   /  08/02/2018  /  Sem comentários

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Se as eleições de 2016 remodelaram a política dos EUA, as de 2018 podem ter o mesmo efeito na América Latina, diz ‘Financial Times’

Em um impressionante alinhamento de calendários eleitorais, seis países da América Latina promoverão eleições presidenciais este ano. Entre eles, estão alguns dos mais populosos países do continente – México, Brasil, Colômbia e Venezuela. Porém, segundo um artigo publicado na última terça-feira, 6, no Financial Times, longe de ser uma festa da democracia, os pleitos deste ano serão um grande teste para os valores democráticos do continente desde o fim das ditaduras que varreram países latino-americanos na década de 1980.

O artigo lembra que as eleições de 2018 ano convergem com o ultraje popular diante de inúmeros escândalos de corrupção. “Somente no Brasil, o atual presidente Michel Temer, quatro ex-presidentes e 100 parlamentares estão presos ou sob investigação. Mas revelações sobre mau uso da verba pública também enfureceram os cidadãos, minaram a fé nas instituições e desestabilizaram por completo o sistema político, sem oferecer soluções de como juntar as peças novamente. Se as eleições presidenciais de 2016 remodelaram a política americana, as de 2018 podem ter o mesmo efeito na América Latina”, diz o artigo.

Segundo o jornal, populistas tiram proveito da onda de indignação popular na região para ganhar terreno. O artigo lembra que na Colômbia escândalos de corrupção geraram furor em eleitores já insatisfeitos com o acordo de paz firmado com as Farc. Dois ex-guerrilheiros vão concorrer à presidência em junho – algo impensável em um país que passou 50 anos em uma guerra contra eles.

Em seguida, o artigo cita o caso do México, onde o candidato à presidência de esquerda Andrés Manuel López Obrador, que considera Fidel Castro um herói, quer livrar o país da corrupção. Ele vem liderando as intenções de voto nas últimas pesquisas, com chance de ser eleito no pleito de julho. Junto a isso, está a rixa política do México com o governo do presidente americano, Donald Trump, que segue firme em seu plano de construir um muro na fronteira com o país. “O México enfrenta a tempestade perfeita”, diz o ex-ministro das Relações Exteriores, Jorge Castañeda, em entrevista ao ‘FT’.

O artigo, então, analisa o cenário do Brasil e a perigosa ascensão de populistas extremistas. “No Brasil, temos Jair Bolsonaro, um ex-capitão do exército que acha que o posse de armas deveria ser generalizado e defende retirar a tapas a homossexualidade ainda na infância. Fazendo campanha como ‘anti-Lula’ ele está em segundo lugar nas pesquisas”.

O artigo também lembra que haverá eleições na Costa Rica, onde a ascensão do conservadorismo avança para o segundo turno. O deputado Fabricio Alvarado, um pregador evangélico conservador, foi o mais votado no primeiro turno da eleição presidencial e disputará o segundo turno em 1º de abril com o candidato governista Carlos Alvarado.

Outro que enfrentará eleições em abril é o Paraguai, onde o presidente atual, Horácio Cartes, desistiu de concorrer à reeleição após protestos violentos no país por conta da aprovação de uma emenda constitucional no Senado que permite a reeleição presidencial, o que contraria a Constituição do país aprovada em 1992, após a queda da ditadura em 1989, que proíbe dois mandatos presidenciais consecutivos.

Segundo a Reuters, “muitos cidadãos do país de 6,8 milhões de habitantes são opostos a quaisquer sinais de tentativa de um presidente de se manter no poder”. Logo, não foi surpresa que a emenda constitucional de Cartes foi recebida com protestos violentos, com manifestantes chegando a atear fogo no Congresso após parlamentares votarem secretamente a proposta.

Na Venezuela, o caos político está intrinsecamente ligado ao caos econômico. Além da instabilidade do governo do presidente Nicolás Maduro, que persegue a oposição e governa com poderes quase que absolutos, o país sofre com a mais alta taxa anual de inflação do mundo (em torno dos 3.000%) e uma escalada nos índices de violência.

O artigo, no entanto, lembra que ainda é cedo para saber o que vai emergir dos pleitos. No caso do Brasil, por exemplo, o texto cita que há candidatos moderados que podem mudar os rumos das eleições, hoje polarizadas entre Lula e Bolsonaro.

“Em terceiro lugar nas pesquisas, está Marina Silva, uma ambientalista que vai concorrer à presidência pela terceira vez. Outros [candidatos moderados] incluem Geraldo Alckmin, o governador de centro-direita do estado de São Paulo, e Jaques Wagner, ex-governador de esquerda do estado da Bahia”, diz o texto.

– Fonte: Financial Times-Latin American

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