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O Estranho Sem Nome, Inocentes ou culpados?

De   /  30/04/2018  /  Sem comentários

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Edilson Neves

Um homem surge do nada, como um fantasma, e chega à pacata cidade de Porto Velho, capital de Rondônia. Diante dos graves problemas crônicos da cidade, ele acaba sendo provocado pela ganância do poder e sem piedade acaba derrotando a classe politica local com um discurso empolgante, descobrindo logo a seguir que eles eram os malfeitores que há décadas vivem saqueando a cidade. Assim sendo, esse forasteiro, esdrúxulo, sujo e sem sentimentos acaba se tornando a principal esperança dos moradores, que assume tudo que tem para que ele a defenda sem maiores problemas.

Quase 150 mil votos

Com um discurso inovador voltado para a gestão qualificada e sem alianças com grupos políticos tradicionais ele ataca, diretamente, os conchavos políticos e a corrupção que assola o nosso país – ele consegue conquistar a confiança do eleitor desinformado, consegue ser eleito prefeito da capital com quase 150 mil votos, a maior votação já obtida por um político na capital rondoniense.

Forasteiro

Hildon Chaves nasceu na cidade de Recife-PE, era um rosto não muito conhecido no cenário político local. Assim como a grande maioria dos políticos desta cidade é considerado um forasteiro, mas com a ajudinha do ex-senador Expedito Junior, e a descrença da população, o estranho Sem Nome chega ao palácio Tancredo Neves. Porém, sua estadia não está sendo tão boa, pois sua gestão tem sido impiedosamente pessimista e desastrosa, ao contrário de tudo que pregou na campanha contra os políticos tradicionais que durante décadas de péssimas administrações vinham destruindo a capital. Eu pergunto, quem é este homem?

Solução de problemas

Porto Velho é, hoje, a cidade que apresenta o maior grau de deficiência e morosidade no que se refere à solução de problemas relacionados a infraestrutura, saneamento básico, saúde, educação e situações ligadas a segurança pública. As vias públicas estão esburacadas, há lixo jogado por toda parte da cidade e, na maioria dos bairros periféricos, o esgoto corre a céu aberto, ocasionando mau cheiro e risco à saúde da população.

Dias de chuva

Em locais mais afastados do centro, as ruas estão completamente sujas e esburacas. Em dias de chuva, as ruas ficam tomadas pela água e pela lama que, em alguns casos, invade as residências.

Falecia na saúde

Na periferia, a população se diz temerosa com o que chama de “descaso da administração municipal”, devido à grande quantidade de pessoas que procuram os postos de saúde por causa de viroses que se alastram pela cidade. “Tem gente doente por causa da falta de respeito e pelo descaso dessa administração com o povo carente do nosso Município”. A grande maioria das doenças que atinge a população é por conta da sujeira, e, esgotos, a céu aberto.

Medo

Enquanto a cidade é movida pelo medo – primeiro, pela falta de segurança, depois, dos forasteiros que aparecem de quatro em quatro anos e mais a frente ainda, do terrível mistério, quem será o próximo? A realidade é que esta cidade revela-se suja, pecaminosa e esse medo, na verdade, é resultado de ações do passado. Então, quando o forasteiro abusa do acordo, mata ou estupra, ele está se vingando de quem “merece”.

Banquete irônico

Esse quebra-cabeça construído há décadas, engloba de tudo: um banquete irônico, casas pintadas de vermelho – a cor do pecado, das chamas, do ardor -, e até mesmo uma nomeação de um governo “paralelo”, o inferno propriamente dito – e nunca ninguém questiona a ponto de fazer algo para impedir. Conforme vamos conhecendo essas pessoas, entendemos tudo o que o forasteiro faz. Esqueçamos o herói, bom moço, que estamos acostumados e alimentamos, pois o Estranho Sem Nome inova e segue muito mais uma linha de suspense, pegando emprestado algumas características do horror, também, para criar um clima muito mais denso e culpado, ainda que tenha um momento ou outro de diversão.

Maldição

Parece, até, que se trata de uma espécie de maldição que vem durando há quase três décadas. Jerônimo Santana, advogado de formação e político profissional, figurou na política rondoniense por quase 30 anos. Foi eleito prefeito de Porto Velho em 1985. Numa passagem relâmpago pelo Palácio Tancredo Neves, ele usou a popularidade e a força do PMDB para no ano seguinte, em 1986, ser praticamente aclamado governador de Rondônia.

Homem da bengala

Desde a eleição de Jerônimo Garcia de Santana, o “homem da bengala”, em 1985, para a prefeitura de Porto Velho – primeiro eleito pelo voto direto após o regime militar -, nenhum ocupante da cadeira mais importante do Palácio Tancredo Neves conseguiu manter-se vivo na política, muito menos se eleger de novo.

(Autor: Edilson Neves, jornalista, diretor e Editor do Jornal Correio de Notícias de Rondônia, Registro FENAJ- DRT/0001047/RO)

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