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Será que conhecemos bem nossos alunos e futuros egressos?

De   /  09/05/2018  /  Sem comentários

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Muito se diz e se comenta do ingresso da nova geração no meio acadêmico, mas será que conhecemos bem nossos alunos e futuros egressos?

Apliquei às minhas salas de aula uma única tarefa de casa: montar uma minibiografia. Dessa forma, estaria conhecendo mais intimamente cada um sem matar o tempo da apresentação. Trabalho numa faculdade particular do interior de São Paulo e tenho grande quantidade de alunos por sala, das mais diversas áreas biológicas (mesmo eu sendo formado em Letras). Com duas aulas de Leitura e Produção de Textos semanais – oferecida nos primeiros semestres de cada curso -, esse tempo seria poupado para o conteúdo e atividades, além de poder compilar e compartilhar suas vivências e expectativas com outros docentes/leitores.

O público com quem lido é composto, em sua maioria, por estudantes formados em escolas públicas e que precisam trabalhar para bancarem seus estudos.

Preservarei todos os nomes dos envolvidos, atribuindo-lhes nomes estrangeiros, afinal, são tantos que talvez me faltem nomes próprios nacionais!

Escolho para hoje alguns pontos de vista importantes de cinco estudantes.

A estudante Adele, por exemplo, teve uma experiência ruim no cursinho pré-militar. Não quis falar muito sobre isso, apenas contou que desistiu. Sua professora de Biologia foi seu grande modelo escolar e cuidar de sua avó, enferma, impulsionou a jovem estudante a cursar Enfermagem.

Já Darla, também estudante de Enfermagem, teve como professor-modelo uma professora de História, enquanto detestava seu professor de Química, omisso e indiferente para com o real aprendizado da sala, demonstrando que nem sempre o profissional modelo com quem se depara na escola é definitivo para a escolha de um curso universitário, e sim a vontade/vocação que o jovem sente que é a melhor a ser seguida.

Katie, por exemplo, tinha como primeira opção as Ciências Biológicas, sendo aprovada em universidades federais depois de tentar uma vaga em uma universidade estadual, sem sucesso devido às lacunas que sua escola pública deixou em seu aprendizado. A persistência dessa aluna, que chegou a ganhar prêmios em sua escola pelo seu bom comportamento e desempenho, foi o fator motivador para tal. Porém, assim como Adele, optou pela Enfermagem devido ao contato humano que a profissão pode lhe proporcionar.

Saindo um pouco da Enfermagem, decidi compartilhar com o leitor a experiência de Marjorie, no início muito apreensiva com a nova fase da vida. Tendo sido sempre uma aluna tímida e retraída – com os pais tão desesperados quanto ela nessa nova etapa cheia de mudanças -, a mesma alegou ter sido bem recepcionada pelos profissionais do lugar e pela sala. Optou pelas Ciências Biológicas pelo seu contato constante com a vida dos animais e da natureza, proporcionada pelas férias num rancho do interior paulista. A proximidade da família e dos amigos a deixou mais tranquila para dar seus novos passos.

Por fim, Micheline, estudante prática que, sendo amante da Biologia e da Química em tempos escolares, só poderia ter optado pela Biomedicina, embora tenha se formando, anteriormente, em técnico em Administração, como parte de um Ensino Médio integrado ao Técnico.

Todas estranharam ter de lidar novamente com LPT (Abreviação da matéria que leciono), mas reconhecem as lacunas deixadas pelas escolas e pretendem melhorar sua escrita.

Nivelar e igualar combinações tão diferentes em algo homogêneo é, no mínimo, restritivo e falso. Portanto, é pela diversidade e individualidade que buscarei trabalhar com outras experiências também nos próximos textos.

Sobre o autor: Pedro Panhoca da Silva é mestrando em Literatura do programa de Pós-Graduação em Letras da Unesp – Câmpus de Assis. Atualmente é professor de Leitura e Produção de Textos da Fundação Hermínio Ometto (UNIARARAS).

– Fonte: Oscar Alejandro Fabian D Ambrosio – ACIA

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  • Publicado: 2 semanas atrás, em 09/05/2018
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  • Última modificação: Maio 9, 2018 @ 8:21 am
  • Arquivado em: Coluna do Dia

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