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CRÔNICA – O que foi e o que vem

De   /  29/06/2018  /  Sem comentários

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President Donald Trump (Photo by Drew Angerer/Getty Images)

 

Hoje é o último dia útil do primeiro semestre de 2018. Tanto no mercado nacional, como no internacional, assistimos a momentos de grande tensão e volatilidade. Resta especular sobre o que nos espera nos próximos seis meses.

No período que agora se encerra, o cenário externo foi influenciado pela mudança na política monetária do FED. Depois de longo tempo de taxas de juros reais negativas, os Treasuries de 10 anos estão sendo negociados a 2,88 por cento de yield ao ano, contra uma inflação de 2,8 por cento.

O grande complicador do panorama americano chama-se Donald Trump. Após agradar ao empresariado com forte redução nos impostos, ele está iniciando uma guerra comercial com os parceiros externos tradicionais. Pior, está se metendo no gerenciamento das empresas, como acaba de fazer com a fabricante de motocicletas Harley-Davidson.

No dia 6 de novembro haverá eleições para renovação de 100 por cento da Câmara dos Representantes e de 33 das 100 cadeiras do Senado. Se perder sua vantagem no Legislativo, Trump terá de ceder o poder ao Capitólio, já que não é homem de negociar com congressistas e sim de se impor com truculência. Se vencer as eleições, é sinal de que os americanos o apoiam e poderão reelegê-lo em 2020.

Acho que o Dow Jones, seja por causa de Trump, seja por causa das taxas de juros, já fez sua máxima do ano a 26.617 e irá surfar a onda de prolongado bear market.

Trump usa truques baratos para posar de estadista, como em seu recente encontro com o ditador norte-coreano Kim Jong-un, que resultou em nada, a não ser em aumentar o prestígio de Kim em seu país. O que pouca gente notou é que o coreano se reuniu com o líder chinês Xi Jinping para pedir instruções antes de falar com Trump, e voltou a falar com Jinping após a “cúpula” de Cingapura, para dar satisfações ao seu verdadeiro mentor.

Se nos Estados Unidos Trump divide o país entre os que o adoram e os que o detestam, aqui no Brasil não temos esse problema. A rejeição a Michel Temer é a maior desde que esse tipo de sentimento é medido pelos órgãos de pesquisa de opinião pública.

Dados altamente positivos, como recordes de baixa de inflação e de taxas de juros, foram totalmente obliterados por episódios como a gravação, na garagem do Palácio do Jaburu, da conversa de Temer com o empresário Joesley Batista, aquela do “Tem que manter isso aí, viu?”.

Como se não bastasse, a fragilidade das instituições brasileiras ficou patente na paralisação dos caminhoneiros e na transformação do Supremo Tribunal Federal em uma câmara de vereadores, com bancadas de situação e oposição e alianças espúrias e oportunistas.

Tudo isso torna-se irrelevante quando se constata que cada dia de Temer é um dia a menos de Temer.

– Inversa Publicações-São Paulo – contato@inversapub.com

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