Trabalhadoras da UE publicam suas histórias anônimas de assédio sexual

O grupo de funcionárias do Parlamento Europeu "MetooEU" lançou nesta terça-feira um blog no qual contam, sem nomes de vítimas e responsáveis, algumas histórias de assédio sexual na Eurocâmara.

Esta é a resposta deste coletivo para um sistema insuficiente de proteção à vítima e para a gestão das denúncias na instituição, denunciaram assistentes parlamentares de diferentes nacionalidades e grupos políticos em entrevista coletiva.

A assessora parlamentar francesa Jeanne Ponte mostrou um pequeno caderno no qual começou a escrever as histórias de assédio sexual anônimas que agora serão publicadas no blog.

"Não existe oficialmente nem uma denúncia de assédio sexual no Parlamento Europeu. Obviamente não é que aqui seja um oásis sem assédio, afastado do resto da sociedade, é que o sistema não funciona e as vítimas não se sentem protegidas para denunciar", explicou a assistente espanhola Arantxa Calvera.

Além disso, o coletivo "MetooEU" assinalou que, pelas circunstâncias do entorno, uma instituição com 7 mil trabalhadores, três sedes, missões de semanas inteiras fora de casa, "se dão as condições para que possa passar e o Parlamento Europeu deveria tomar medidas efetivas para que não aconteça e para que as vítimas sintam que podem denunciar".

O grupo explicou que em muitos casos, como assinalam muitas histórias do blog, o assédio é entre eurodeputado e assistentes ou estagiários, o que caracteriza "uma relação de poder" entre vítima e perpetrador, o que acrescenta dificuldade à denúncia porque é denunciar quem pode te demitir.

Tanto Calvera como a também assistente parlamentar espanhola Amelia Martínez Lobo afirmaram após a entrevista coletiva para um grupo de jornalistas que os eurodeputados desfrutam de "impunidade absoluta" e que, frequentemente, se desculpam sobre determinados comportamentos com argumentos como "é sua cultura" ou "é uma piada".

"Queremos questionar as estruturas de poder em seu conjunto", acrescentou Martínez Lobo, que disse que o Parlamento Europeu "não é um entorno seguro para as mulheres do mesmo modo que a sociedade também não é".

Para combater de maneira eficaz o assédio e o abuso sexual no PE, o grupo solicita medidas como a avaliação externa do funcionamento dos dois comitês de assédio do Parlamento Europeu e uma "oportunidade única" que se ocupe das queixas sobre assédio sexual composta por analistas independentes, incluídos médicos e advogados.

No blog, além da publicação dos testemunhos anônimos, tanto de homens como de mulheres, haverá orientação sobre como agir caso seja vítima de assédio sexual e a opção de denunciar um caso de forma anônima.

Fonte: Agência EFE


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