Sobre doenças degenerativas

Oscar D’Ambrosio*

Filmes que tratam de doenças correm o riso de cair no estereótipo. A película canadense ‘Never steady Never still’ (‘Nunca firme, nunca quieto’), dirigida por Kathleen Hepburn, foge desse erro. Tem como base central, para evitar esse perigo, a atuação de Shirley Henderson, cuja mãe sofre, na vida real, de mal de Parkinson.

A atriz representa uma mulher na faixa dos 50 anos com avançadas manifestações da doença. As dificuldades para se locomover, falar e se alimentar são crescentes e ela reage a tudo com uma grandeza de caráter exemplar que, no caso, significa não ter pena de si mesma, mas levar a vida em frente da melhor maneira possível.
Com essa convicção, vê um certo afastamento do marido, que se torna seu cuidador, e que acaba falecendo de infarto fulminante, e o amadurecimento do filho, que trabalha na extração de petróleo e vive as inseguranças de uma sexualidade mal resolvida, além de perceber gradativamente que terá que cuidar da mãe progressivamente debilitada.
A grande dor da mãe é expressa justamente nessa inversão de papeis, quando ela percebe que, ao contrário do que gostaria, ela é que será será cuidada pelo filho. A maneira como isso é dito e filmado constitui um dos principais momentos da obra e constitui motivo de reflexão para todos aqueles que sofrem ou lidam com quem sofre de doenças degenerativas. Lírico e pungente…
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