Grilagem em terras da União ameaça agricultores

Porto Velho, RO – Sem querer fazer a vez das autoridades policiais e judiciárias, agricultores do Assentamento Vida Boa, ao longo da Estrada Areia Branca, nesta Capital, obtiveram a garantia de que as ameaças feitas por supostos pistoleiros a serviço de um suposto agente funerário serão apuradas pelo Ministério Público Federal (MPF).

O pedido foi feito pela Associação de Agricultores local e foi dirigido à Procuradoria da República que, por sua vez, através do Procurador Federal Reginaldo Trindade, encaminhou, na inicial da ação, à 4ª Delegacia de Polícia para a tomada das medidas cabíveis que o caso requer.

O agricultor Ivo Neves Ferraz, presidente da Associação do Assentamento Vida Boa, sofreu a primeira tentativa de assassinato na frente de testemunhas durante reunião com as famílias. Segundo informado, em fevereiro de 2017 o suposto agente funeral – cujo o nome será revelado à Justiça – “chegou ao local e mandou um segurança atirar”, denunciou.

Há três semanas, o mesmo agente funerário foi ao assentamento – desta fez, usando o carro fúnebre com dois supostos pistoleiros indagando onde morava Ivo Ferraz e o ex-presidente Maurício Filho. A nova ameaça foi acrescentada ao “dossiê” repassado ao Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal, ao INCRA, ao Programa Terra Legal, às polícias Civil, Militar e à Anistia Internacional pela diretiva do Assentamento.

TRISTE HISTÓRICO

Em 2017, o tiro que quase matou Ferraz foi desferido pelo ex-policial do Comando de Operações Especiais (COE) José Américo, cruelmente assassinado na frente do escritório de um renomado criminalista da Capital rondoniense. Apesar da investigação da Polícia o caso não foi, devidamente, apurado. Já na segunda tentativa de assassinato, “o empresário do ramo funerário entre Rondônia, Amazonas, Acre e Mato Grosso, outra vez, renovou as ameaças, tanto a Ivo Ferraz quanto a Maurício Filho”, adiantaram as testemunhas.

Com a intervenção da Procuradoria da República, o delegado Sérgio Luis Condeli, depois de tomar as oitivas da vítima (Ivo Ferraz) e do acusado – o nome foi preservado pela Reportagem -, encaminhou o caso ao Juizado Especial Criminal (JECRIM).

ENTENDA O CASO

O empresário acusado tenta expulsar cerca de 60 famílias de uma área pertencente à União cuja posse ainda continua em nome da ex-deputada federal Raquel Cândido e Silva. A ex-parlamentar, à época, por não recolher impostos devidos ao Fisco Federal teve a área reintegrada à União.

Ao longo da Estrada Areia Branca (ou Coca-Cola), Raquel pretendia construir na área de 90 hectares, um centro de recuperação para dependentes químicos cuja razão social levou a chancela da mãe da parlamentar falecida durante o mandato de vereadora pelo MDB.

De lá para cá, a luta pela posse da área ocupada ao menos 15 anos pelos agricultores tem gerado controvérsias entre um suposto advogado, o agente funerário, uma pastora evangélica, o ex-policial José Américo, um ex-vice-prefeito de Porto Velho e servidores públicos do segmento agrário e ambiental.

Na gestão do ex-superintendente estadual do INCRA, Cletho Brito – designado para Diretoria Fundiária, em Brasília, no final de 2018 -, os agricultores que exploram a terra da União e dela retiram o sustento, “requereram a anulação da posse dada a Raquel Cândido por orientação do Terra Legal e da direção do INCRA” – o que deve ter motivado as reações consideradas violentas, apenas por parte do agente funerário em questão.

Por conta da intervenção do Ministério Público Federal (MPF), que recebeu o pedido de apuração do caso no âmbito federal, as famílias do Assentamento Vida Nova, obtiveram na Polícia o afastamento do agente funerário da região em conflito até que a Justiça esgote todas as chances de entendimento entre posseiros que já detêm o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e que já recolhem ao Fisco o Imposto Territorial Rural (ITR) e a legítima proprietária da área em litígio – a União Federal.

 

Faça seu Comentário