Como lavar as mãos sem água nas torneira?

 Perguntam as famílias da periferia de Porto Velho, as maiores vítimas do coronavírus no Brasil,..  

Porto Velho, RO – Quem acompanha o noticiário sabe: higienizar bem as mãos, várias vezes ao dia, é uma medida essencial no combate à pandemia provocada pelo Covid-19. Mas, para os moradores da periferia da Capital rondoniense, ainda excluídos dos programas de abastecimento de água potável, o hábito de lavar as mãos não é tão simples, já que falta água encanada nas torneiras diariamente.

Em grande parte da periferia da cidade porto-velhense a água simplesmente não chega. Entre os locais afetados estão: os bairros Socialista, Jardim Santana, São Francisco, Mariana, JK (I e II), Cascalheira, Airton Sena e Porto Cristo (Zona Leste), Jardim Eldorado, Cohab, Castanheira, além de vilarejos da Estrada da estrada da Coca-Cola (Areia Branca), vivenciamos diariamente esse problema sem ter água para higienização e fazer comida.

“Estamos vivendo uma epidemia mundo afora, mas aqui na Zona Leste, a situação é indiferente. As pessoas fazem uso de poços amazônicos sem qualquer tipo de tratamento pra beber, tomar banho, fazer comida e lavar as mãos”, conta a dona de casa A.L.S., moradora da região.

As comunidades sem água potável apontadas em estudos do Município e do Estado no que tange aos planos de expansão da Capital previstos no Plano Diretor (2020-30) e Plano Plurianual (2019-2222), sobretudo na questão de saneamento básico, segundo Ivo Ferraz, presidente da Associação de Agricultores Familiares Vida Nova, ‘não será dessa vez, com o término de mandatos eletivos em 2020, que terão atenção do poder público’.

Na Zona Leste, os moradores do Socialista, Jardim Santana e Mariana, locais mais centralizados da região de mais de 250 mil habitantes, sofrem continuamente com a falta de água potável, já que no verão os poços amazônicos, continuam secando nessa estação’, afirma a presidente da Associação Beneficente de Voluntários e Amigos do Bairro Mariana (ABVAM).

As comunidades das zonas periféricas dos bairros mais afastados da capital, sofrem com a forma precarizada de abastecimento de água e com um conjunto de outros fatores que tornam esses locais potencialmente focos de disseminação do novo coronavírus. Além da falta de estrutura básica, como saneamento, calçamento, remédios e a presença de profissionais da saúde e equipamentos.

É necessária a elaboração de políticas públicas permanentes e estruturais que amenizem essa situação de vulnerabilidade dos que não têm acesso adequado à água e promovam de fato os múltiplos usos dos recursos hídricos, priorizando aqueles relacionados à saúde e a manutenção da vida. Essas mazelas são fatores decorrentes da ausência do poder publico com politicas e programas de geração de emprego e renda, diz a acadêmica Francisca Souza da Silva, 57 anos.

Redação/CN                

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