PSDB rompe com Paulo Guedes

Bruno Araújo, declara que o ministro da Economia não consegue ser parte relevante de um único momento memorável sequer da história do nosso país

PSDB divulgou nesta quarta-feira (8) uma carta com críticas ao ministro da Economia, Paulo Guedes. No último domingo (5), Guedes afirmou ser um mito que o Plano Real foi o “melhor do mundo”. “Se o plano fosse tão extraordinário, eles não perdiam quatro eleições seguidas”, disse em entrevista à CNN.

No documento assinado pelo presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, o partido declara que o ministro da Economia não ” consegue ser parte relevante de um único momento memorável sequer da história do nosso país”.

Há também críticas aos adiamentos das reformas econômicas desejadas pelo governo. “Ficou sempre para ‘semana que vem’ a apresentação da reforma tributária, a proposta da reforma administrativa que combata privilégios, da privatização de estatais que só servem para sorver dinheiro público”.

O texto ressalta a atuação de deputados e senadores do PSDB na aprovação da reforma da Previdência e do novo marco do saneamento básico. A reforma da Previdência foi relatada na Câmara e no Senado por dois tucanos: deputado Samuel Moreira (SP) e senador Tasso Jereissati (CE).

Na época secretário de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, o ex-deputado pelo PSDB do Rio Grande do Norte Rogério Marinho foi um dos principais articuladores políticos da emenda à Constituição.  Hoje ministro do Desenvolvimento Regional, Marinho pediu há duas semanas desfiliação do partido. Como justificativa disse já estar afastado das atividades da sigla desde o início do governo.

“O fato de me encontrar desde fevereiro de 2019 investido no cargo de secretário especial e depois como ministro do Governo Federal me levou a um afastamento da vida orgânica do PSDB. Por essa razão, me desfilei do partido”, disse Marinho em nota.

O Plano Real foi implementado em 1994 e mudou a moeda nacional oficial do Cruzeiro Real para o Real. A iniciativa teve o objetivo de estabilizar os altos índices da inflação brasileira na época. A nova moeda foi lançada durante a gestão de Itamar Franco na Presidência e de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, no Ministério da Fazenda.

Esse não é o primeiro atrito entre Guedes e o PSDB. Em julho de 2019, o partido já havia divulgado um texto contra declarações do ministro. A nota da época foi contra falas de que 30 anos de social-democracia seriam responsáveis pelos problemas do país.

Um documento elaborado pela Secretaria de Desestatização do Ministério da Economia foi o fator catalisador para a reação dos tucanos.

No entanto, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, em entrevista dada ao Congresso em Foco em outubro de 2019, disse que a sigla concorda com a política econômica defendida pelo ministro e minimizou atritos com Guedes:

“Recalque das diferenças dos economistas tucanos no Rio, isso passa [tanto Paulo Guedes quanto André Lara Resende e Persio Arida, economistas responsáveis pelo Plano Real, ensinaram na mesma época na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro]. O mau humor do ministro Guedes não vai gerar barreiras em relação a nossa crença do que é necessário para ajudar o país se desenvolver do ponto de vista econômico”.

Leia a seguir a íntegra a carta divulgada pelo PSDB contra Guedes nesta quarta-feira:

“O atual ministro da Economia tem sido reincidente em suas declarações públicas contra o PSDB.

Parece coisa de gente que até agora não conseguiu ser parte relevante de um único momento memorável sequer da história do nosso país.

Só isso, ou alguma absoluta amnésia, explica a tentativa do atual ocupante do ministério da Economia de tentar diminuir a relevância do Plano Real ou de outras conquistas econômicas e sociais promovidas pelo PSDB em seus governos.

Paulo Guedes talvez não se lembre, mas a hiperinflação era um mal que consumia o dinheiro das pessoas, tornava os pobres mais pobres e, acima de tudo, destruía qualquer perspectiva de futuro para o país. Paulo Guedes talvez não se importe com coisas desta natureza.

Melhor seria para o país se o ministro ocupasse seu tempo com uma agenda de realizações que busque cumprir o básico de quem está num governo: ajude a melhorar a vida das pessoas, ainda mais num momento tão difícil quanto o atual.

Até agora, passados 18 meses, o ministro da Economia continua no vermelho, continua devendo.

Até agora, Paulo Guedes foi apenas o ministro do “semana que vem nós vamos”, ministro de uma semana que nunca chega.

Ficou sempre para “semana que vem” a apresentação da reforma tributária, a proposta da reforma administrativa que combata privilégios, da privatização de estatais que só servem para sorver dinheiro público.

Cadê o Brasil novo que o atual ministro tanto promete e nunca entrega?

Mesmo antes da pandemia, o tão esperado crescimento econômico – aquele que Paulo Guedes vivia dizendo que “estava decolando” – nunca ocorreu. Agora não passa de miragem, sabe-se lá para quando.

O Brasil moderno, ministro Paulo Guedes, nasceu nos governos do PSDB. Não adianta querer fazer como alguns dos regimes mais repugnantes da história da humanidade, que se dedicaram a deturpar e a tentar reescrever a história. Isso não é coisa de quem preza a democracia.

A lista de realizações é extensa, mas não custa relembrar.

Além do excepcional Plano Real, que trouxe estabilidade econômica e inédita transferência de renda, beneficiando sobretudo os mais pobres, tivemos as privatizações, como a da telefonia, que levou celulares a todos os brasileiros; a Lei de Responsabilidade Fiscal; a criação dos programas de transferência de renda; a universalização do ensino fundamental, de tempos em que o Ministério da Educação cuidava de educação; e a criação dos medicamentos genéricos, de quando o país tinha ministro da Saúde.

No período em que o PSDB fazia tudo isso, Jair Bolsonaro, o chefe do atual ministro, mantinha-se gostosamente abraçado ao Partido dos Trabalhadores na trincheira contra a modernização do país. Votava contra todas as reformas, contra o Plano Real, contra as privatizações e sempre pela manutenção e pela ampliação de privilégios e interesses corporativos. Talvez seja isso que explique a raiva que Paulo Guedes sente pelo PSDB…

Mais tarde, na firme oposição ao PT, o PSDB fincou pé na defesa das instituições, no combate aos abusos, na denúncia incansável dos erros de um governo que levou o país a uma crise econômica, social, política, ética e moral de proporções até então inéditas. E Paulo Guedes, onde estava?

Não é só o passado que nos diferencia do atual ministro. O presente também nos coloca em lados opostos.

Enquanto Paulo Guedes continuava prometendo um novo mundo “para a semana que vem”, o PSDB atuava para tornar possíveis as mudanças que o país precisa.

Já durante o governo Bolsonaro, o PSDB esteve à frente das principais realizações econômicas recentes, levadas adiante pelo seu empenho legislativo, como a reforma da Previdência e o novo marco do saneamento, ambos conduzidos por parlamentares tucanos no Congresso Nacional.

Ficam as perguntas: e Paulo Guedes, o que tem para mostrar? O que o atual ministro da Economia está esperando para começar a fazer alguma coisa pelo Brasil? Quando vai pelo menos indicar que sabe pelo menos como fazer? Vai trabalhar ou vai continuar na sanha inútil contra quem realmente realizou mudanças e promoveu benefícios para todos os brasileiros?”

Bruno Araújo
Presidente Nacional do PSDB

Fonte: Congresso em Foco

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