Polícia identifica dono de arma usada para matar PMs em SP

Polícia identifica dono de arma usada para matar PMs em SP

Homem prestará depoimento nesta quarta-feira (12), para explicar como a peça acabou sendo usada por um falso policial para matar três policiais

A Polícia Civil identificou o dono de uma das armas que o falso policial civil Cauê Doretto de Assis portava durante confronto com três policiais militares na Avenida Escola Politécnica, zona oeste de São Paulo, por volta das 4h deste sábado (8). O tiroteio acabou com a morte dos quatro homens.

De acordo com o delegado Fábio Pinheiro Lopes, do DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa), o dono da arma prestará depoimento nesta quarta-feira (12). O responsável por outra arma, uma 9mm com numeração raspada ainda não foi identificado.

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No mesmo dia do crime, a polícia realizou buscas na casa de Cauê. No local, o DHPP apreendeu armas, celulares, munições, distintivos falsos da Polícia Civil e algemas.  Ainda de acordo com o delegado, há mais de seis meses Cauê Doretto de Assis mentia à família dizendo que era policial civil, inclusive que teria passado no concurso público em dezembro do ano passado.

Todos os dias o falso policial afirmava aos familiares que estava saindo para trabalhar e eles acreditavam. Cauê também relatou aos pais, no dia da suposta posse do cargo, que o casal não poderia acompanhá-lo devido à pandemia do novo coronavírus.

Cauê não tinha antecedentes criminais e era proprietário de uma casa noturna, segundo o delegado Fábio Pinheiro. Após o tiroteio nesta madrugada, foram encontradas duas armas com ele: uma de 9mm com numeração raspada e a outra em nome de uma terceira pessoa.

Amigo do falso policial falou à polícia

Vitor Mendonça Pereira, amigo de Cauê que estava dentro do carro do falso policial no momento do tiroteio, prestou depoimento por cerca de 12 horas na delegacia. De acordo com o depoimento de Vitor, após a chegada dos policiais da Força Tática Cauê desceu e se apresentou como policial civil afirmando que estava armado e mostrando o objeto aos agentes.

Ele contou que após o policial militar pegar a arma, Cauê começou a se exaltar. Ele chegou a perguntar o porquê de estarem o abordando e, como resposta, o amigo conta que o policial afirmou que estava apenas fazendo seu trabalho, que não o conhecia e precisava saber quem ele era.

O amigo afirmou que Cauê aproveitou que um dos policiais estava de costas e começou a atirar com uma segunda arma que tinha guardada. Segundo Vitor, antes de iniciar os disparos o atirador se virou para ele e disse “azedou”, uma gíria usada para quando as coisas dão errado.

Vitor correu e chegou a se esconder em um condomínio próximo com medo dos tiros: “surtou, surtou. Não entendi nada do que aconteceu. Ele estava estressado no meio da abordagem, meio pilhado. Não sei se tinha alguma coisa com a arma, alguma coisa errada”. Ele foi detido para averiguação e liberado após o depoimento.

A Polícia Civil agora vai procurar por eventuais câmeras de segurança que possam ter gravado a ação, periciar as armas apreendidas e entender a dinâmica do crime

O caso

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O caso ocorreu na madrugada do último sábado, quando o falso policial Cauê Doretto de Assis e o amigo, Vitor, saíram de sua casa por volta das 02h00 para ir a uma loja de conveniência beber.

Após cerca de duas horas, Cauê foi flagrado revistando um homem que estava em uma moto, enquanto seu amigo permanecia no carro, na Avenida Escola Politécnica.

Durante patrulhamento, o sargento José Valdir de Oliveira Junior, o soldado Victor Rodrigues Pinto da Silva e o soldado Celso Ferreira Menezes Junior se depararam com a cena e decidiram parar.

Durante a abordagem, Cauê entregou uma das armas que portava ao sargento Oliveira Junior. Em seguida, o oficial caminhou até a viatura para consultar a numeração do revólver. O falso policial civil aproveitou o descuido dos agentes e iniciou os disparos contra os militares, que revidaram.

Tanto os policiais militares, quanto Cauê, ficaram feridos e foram levados para o Hospital Universitário da USP (Universidade de São Paulo) e Regional de Osasco, respectivamente.

A polícia também confirmou que Cauê portava uma identidade funcional falsa, da Polícia Civil. 

Fonte: R7

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