Órgãos do Amazonas serão informados sobre pistolagem na região sul do amazonas

A exemplo do Ministério Público Federal (MPF-AM), pedido de apuração de vários crimes perpetrados por pistoleiros supostamente a mando do agronegócio madeireiro e bovino contra habitantes desta parte da Amazônia será feito também ao Poder Legislativo e Judiciário amazonenses.  

Os casos, segundo lideranças agrárias, ambientais, quilombolas e indígenas, os casos ‘ainda não foram investigados, totalmente’. Os autores e mandantes permanecem impunes, mesmo com fartas evidências apresentadas por familiares das vítimas.  

Apesar de informados, a Polícia Civil e Militar de Canutama e Lábrea, respectivamente, segundo as vitimas, ‘fazem ouvidos de mercador’ e sequer avançam nas investigações; com exceção da Polícia Federal e do MPF que, diante da repercussão desses crimes fora do País, abrem procedimentos para tentarem esclarecer os episódios.  

Para analistas locais, apesar do esforço dos órgãos federais e de grande parte de Procuradores da República do amazonas em obter detalhes sobre o mapa da violência no sul de Lábrea e Canutama, inclusive da Procuradoria dos Direitos Humanos, ‘as polícias civil e militar não tem demonstrado tanta preocupação’, apontam sobreviventes das ‘tocaias’ de 2019, no Seringal São Lourenço.       

Segundo afirmou uma testemunha dos assassinatos ocorridos nas áreas de conflitos agrários com vítimas fatais de assentados sob a responsabilidade do INCRA amazonense, sobretudo, na Tríplice divisa do (Acre, Rondônia e Amazonas). Os ‘autores e mandantes são conhecidos, mudam apenas o endereço’.  

Na região que divide antigas áreas em conflitos do Amazonas, Rondônia e o Acre, a disputa entre assentados, posseiros de terras da União, grileiros, fazendeiros e madeireiros, segundo lideranças agrarias, ‘é de conhecimento do poder público’. No entanto, ocorre que, no meio das disputas, ‘assentados, sitiantes e nativos amazonenses só tem levado a pior’, afirmaram.

‘A luta pela manutenção das posses nas terras da União, do lado amazonense, tem resultado em dezenas de mortes de trabalhadores rurais, sem que o INCRA, órgão que poderia denunciar as invasões e mortes à Polícia Federal, porém, não o faz’, assinalam as lideranças.  

Em meio às novas denuncias, atribuída a vários sobreviventes, o assédio por parte de intermediários de fazendeiros, madeireiros e grileiros para que os nativos vendam, arrendam ou autorizem planos de manejos ilegais, segundo eles, ‘os protagonistas dessa triste realidade são sul-destinos e sulistas, além de maus servidores públicos, militares, médicos, advogados e até magistrados com foro em outros Estados da federação’, atesta a acadêmica Francisca Souza, 57, filha de seringueiro do antigo Território Federal do Guaporé.

Funeral de agricultor assassinado

Em parte da região Sul de Canutama, ao longo da BR-319, apesar da Unidade Municipal do INCRA ter sido informada sobre a existência de uma suposta ‘magia do GEO’ atuando entre os quilômetros 4,5 ao 200 – já chegando em Humaitá – ‘nenhuma providência foi tomada pelo órgão’, diz a acadêmica.  

Nessa região já se tornou rotina a abertura de gigantescas clareiras abertas para pouso de helicópteros e (pequenas aeronaves). No passado não muito distante, numa propriedade de um grande empresário dono de uma transportadora do Noroeste de São Paulo, uma pista clandestina teria sido explodida pela Polícia Federal – a mesma seria supostamente usada para pouso e decolagem de operações clandestinas.

De 2000 a 2020, de acordo com estudo feito por entidades de defesa de Direitos Humanos e da manutenção da posse das terras públicas, mansa e pacificamente, com atuação no Sul do Amazonas (Canutama, Lábrea, Humaitá e Apui), ‘os crimes de mando deveriam ser apurados apenas pelo Ministério Público Federal e a Polícia Federal’. 

Entre os crimes mais violentos está à morte do agricultor Nemis Machados de Oliveira, morto a tiros por pistoleiros que invadiram e incendiariam casas no Seringal São Lourenço. Além de Oliveira, ainda continuam desaparecidos três pessoas que são dadas como mortas nas fundiárias da antiga Fazenda Shalom, entre os quilômetros 46 e 56, da BR-319, região sul de Canutama.  

Por Xico Nery/CN

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