Dólar sobe para R$ 5,60 e fecha no maior patamar

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Alta de 1,54% faz moeda norte-americana ser negociada a R$ 5,6124 em meio a escalada de incerteza fiscal

O dólar fechou em firme alta e acima de R$ 5,60 nesta quarta-feira (26), mais do que devolvendo a queda da véspera, diante da apreensão de investidores quanto ao futuro da agenda fiscal brasileira em meio a renovados temores quanto à posição de Paulo Guedes no Ministério da Economia.

Na sessão, a moeda norte-americana saltou 1,54%, a R$ 5,6124 na venda. É o maior nível desde 20 de maio (R$ 5,6902). O ganho desta sessão superou a queda de 1,19% da terça-feira.

Na máxima do dia, alcançada no meio da tarde, o dólar foi a R$ 5,635 (+1,95%). No começo do pregão, a moeda chegou a cair 0,24%, para R$ 5,5141.

O dólar vinha tomando fôlego gradualmente ao longo da manhã, mas, pouco depois das 12h, arrancou em alta após o presidente Jair Bolsonaro dizer que havia rejeitado a proposta apresentada pelo Ministério da Economia para criação do programa Renda Brasil.

A proposta de criação do Renda Brasil, que estava no pacote de medidas de aceleração da economia apresentadas ao presidente pelo ministro Paulo Guedes, previa um benefício maior que o valor atual do Bolsa Família, mas seu financiamento viria do corte de outros programas sociais, como o abono salarial, o seguro-defeso e o Farmácia Popular. Bolsonaro descartou a possibilidade de abolir o abono salarial.

A fala de Bolsonaro, vista como desautorização pública ao ministro, amplificou a aparente queda de braço entre Guedes e a ala desenvolvimentista do governo. Ruídos entre os dois lados já haviam se intensificado nas últimas semanas, contribuindo para a saída do governo de importantes auxiliares do ministro da Economia e alimentando especulações sobre eventual substituição do chefe da pasta.

O mercado piorou o sinal porque entende que as divergências dificultam o cumprimento de uma agenda fiscal no sentido de austeridade, o que ameaça manter a dívida pública em trajetória de alta, deteriorando a percepção sobre as contas públicas do país e reduzindo a confiança dos investidores. “Ele [Bolsonaro] não está dando saída para a equipe econômica”, disse Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management.

Os mercados como um todo saíram das mínimas da sessão depois de o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dizer que nenhum projeto que desrespeite o teto de gastos será votado na Casa.

“A sinalização emitida não foi boa. Coloca de novo Paulo Guedes numa berlinda perigosa, bota o fiscal brasileiro numa berlinda perigosa. Essas coisas (aumento de gastos) têm efeito (econômico) de curto prazo bom, mas o efeito de longo prazo é péssimo”, completou, alertando sobre risco de inflação à frente.

negativa do Ministério da Economia sobre coletiva do Paulo Guedes para pedido de demissão e notícias a respeito de algum espaço para renegociação dos termos da proposta da Economia para o Renda Brasil nos próximos dias também abriram espaço para algum ajuste positivo nos preços dos ativos.

Luis Laudisio, operador da Renascença, acredita que o mercado deva cobrar mais prêmio daqui para a frente, inclusive nos leilões de dívida. “A reação do mercado foi ruim hoje, mas o mercado nem começou a jogar a toalha ainda”, completou, indicando chances de reações mais fortes nos preços em caso de continuidade do cenário de incertezas.

Fonte: R7

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