O cerco está se fechando, médicos entram com novo pedido de impeachment contra governador

Se for aceito, o processo pode durar até 180 dias.

O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), por meio de seu presidente, Mário Vianna, protocolou, nesta quarta-feira (16), na sede da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), um novo pedido de impeachment contra o governador Wilson Lima (PSC) e o vice, Carlos Almeida Filho (PTB), por improbidade administrativa nas ações de combate à pandemia da Covid-19.

Um outro pedido solicitado em maio deste ano e acatado pela Mesa Diretora da ALE, em julho, não prosperou. A Comissão Especial de Impeachment elegeu como presidente e relator, aliados do governador Wilson Lima e o processo recebeu parecer favorável ao arquivamento. Na época, a deputada Alessandra Campelo (MDB) foi a presidente e o deputado Dr. Gomes (PRP), relator.

O Simeam, corajosamente, chegou até a pedir, em 28 de julho passado, a anulação da formação da comissão de impeachment, alegando que os deputados estaduais eram “suspeitos de envolvimento em infrações criminosas investigadas pela Polícia Federal (PF).”

E completou informando que, com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a PF, durante a “Operação Sangria”, apreendeu “uma comprometedora lista, revelando fortíssimos indícios de recebimento de propina envolvendo o Gabinete do Governo e deputados estaduais do Amazonas, entre eles: Joana Darc, Mayara Pinheiro, Saulo Vianna e Terezinha Ruiz.”

Mesmo assim, a votação sobre o impeachment recebeu 12 votos a favor do parecer de arquivamento, seis pelo impeachment e cinco abstenções. E, por fim, os procuradores disseram que o Sindicato criava “hipóteses” de impedimento não prevista em lei; a fim de “cercear” parlamentares do pleno exercício do mandato com base em “deduções sem fundamentos”.

Mas, o Sindicato dos Médicos não se deu por vencido e, desta vez, além da denúncia sobre a falta de atendimento nos hospitais durante o pico da pandemia e da compra superfaturada de respiradores em uma loja de vinhos, fez novas revelações com base nas investigações da Polícia Federal e o relatório final da CPI da Saúde.

“Mesmo diante de todo o colapso da saúde pública, o governador Wilson Lima ainda quer destinar R$ 1,6 milhão ao ‘Peladão’, do grupo A Crítica (frise-se que o grupo A Crítica foi quem abraçou a vida profissional de Wilson Lima no início da carreira). E mais: Wilson Lima gastará mais de R$ 2 milhões com árvore de Natal”, diz o pedido apresentado na ALE.

O Simeam denuncia o caos da saúde no Amazonas, desde o começo da pandemia, alertando a Susam (Secretaria de Saúde), DPE (Defensoria Pública), MPE (Ministério Público), Aleam (Assembleia Legislativa) e outros órgãos sobre “as atrocidades cometidas por Wilson Lima, Carlos Almeida e sua trupe”. E chegou a afirmar que “os maiores prejudicados de tudo isso foram os cidadãos do Amazonas e os profissionais de saúde que, inclusive, alguns pagaram com suas vidas!”

A assessoria da Assembleia Legislativa informou que o pedido será encaminhado à Mesa Diretora da casa, que vai decidir se dará prosseguimento. Se for aceito, o processo pode durar até 180 dias.

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