Retrospectiva da bancada Federal de Rondônia

Estamos diante de uma república de papagaios, onde a demagogia esconde a ineficiência

O Natal já passou, e a contagem regressiva para chegada do Ano-Novo começou, é mais uma questão de horas do que dias. Estamos realmente finalizando 2020. Certamente, este foi o ano mais complexo e voláteis do século XXI – não resta dúvida de que foi um ano de resiliência, após a humanidade enfrentar um inimigo tão letal e perigoso “Covid-19”.

O artigo de hoje, publicado no jornal “Correio de Notícia”, tenta analisar o reduzido interesse que os deputados que compõem a bancada federal de Rondônia têm para cumprir suas funções regimentais. Para isso, ganham fabulosos salários, no entanto, são completamente desprovidos de atributos de qualidade – certamente, estamos falando da pior bancada que esse estado já teve – sem dúvida, temos uma crise de representatividade.

A análise, em retrospectiva, se divide em duas partes: a primeira envolve a pandemia –; a segunda, o enfoque será dado à bancada Federal de Rondônia, afinal, a segunda parte da análise é determinante, e, se faz necessário, especialmente, sobretudo, no que diz respeito às perspectivas futuras, já que 2021 temos que lidar com um país arrasado e uma agenda truncada de reformas estruturais necessárias para que o país volte a crescer – sem falar que, 2022 teremos eleições gerais. Num momento oportuno

Em primeiro lugar, temos que sepultar de vez esse vírus mortal que impossibilitou avanços cruciais sobre as reformas estruturais para que o país volte a crescer, por outro lado, também é verdade que os parlamentares prevaricaram ao abandonar as funções com objetivo de se dedicarem a disputas internas de poder, inviabilizando e/ou atrasando votações de projetos importante de desenvolvimento do país, com isso, nada ou quase nada avançou. Antes fosse apenas o ridículo “recesso branco”, em que os parlamentares abandonam as funções das quais foram eleitos para se dedicarem a disputas internas e/ou apadrinhamento político nas eleições municipais de novembro.

Nesse contexto, todos os acontecimentos financeiros, políticos e econômicos ficaram à mercê da pandemia e seus desdobramentos. Em outras palavras, uma realidade totalmente adversa de qualquer previsão feita para o ano. Infelizmente, os discursos demagógicos e limitados impõem o ritmo de trabalho dos congressistas. Vale ressaltar a honrosa exceção do deputado Federal ‘Léo Moraes’, relator da Medida Provisória “MP 998/2020”, responsável pela redução na tarifa de energia elétrica, especialmente para as regiões Norte e Nordeste. Através do seu relatório e graças a aprovação do mesmo, Rondônia conseguiu a maior diminuição da tarifa de energia elétrica – certamente, uma das maiores conquistas do povo rondoniense na atualidade.

Até parece que os parlamentares esqueceram que os seus salários são pagos por nós, contribuintes. Vocês são servidores do estado e não os donos.

Será que suas excelências querem que nós, os contribuintes, que custeamos tudo, aceitem esse descaso de “braços cruzados”? Nós, não devemos nada a vocês (…). O Brasil é nosso! Vocês é quem nos deve (…), principalmente na qualidade de servidores que são.

Na verdade, o Brasil: desde a sua ‘descoberta’ sempre foi explorado por seus descobridores; Certamente, vivemos numa república de papagaios -, o Brasil continua numa fase muito ruim, deixada pelos saqueadores de plantão. (…); o Congresso Nacional tem se tornado um conglomerado inútil, com raríssimas exceções, é claro -, deixando o povo brasileiro a se perguntar: para que serve, então?

Para que serve mesmo um deputado? Atualmente, Pra nada!

Quais os fatores que induzem a ineficiência desse inútil parlamento?

No intuito de esclarecer melhor essas interrogações, segue a baixo um trecho do discurso histórico proferido pelo então deputado federal, Ulysses Guimarães, presidente da Assembléia Nacional Constituinte, em 5 de outubro de 1988 – data da promulgação da Constituição Federal.

***

  • “Senhoras e senhores.
  • A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. São palavras constante do discurso de posse como presidente da Assembléia Nadcional Constituinte.  
  • Hoje. 5 de outubro de 1988, no que tange à Constituição, a Nação mudou. A Constituição mudou na sua elaboração, mudou na definição dos Poderes. Mudou restaurando a federação, mudou quando quer mudar o homem cidadão. E é só cidadão quem ganha justo e suficiente salário, lê e escreve, mora, tem hospital e remédio, lazer quando descansa.
  • Num país de 30 milhões, 401 mil analfabetos, afrontosos 25 por cento da população, cabe advertir a cidadania começa com o alfabeto. Chegamos, esperamos a Constituição como um vigia espera a aurora.
  • A Nação nos mandou executar um serviço. Nós o fizemos com amor, aplicação e sem medo.
  • A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca.
  • Traidor da Constituição é traidor da Pátria. Conhecemos o caminho maldito. Rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério.

***

Parte desse discurso ilustra bem o artigo, bem como suas contradições. O atual senário esdrúxulo dos detentores do poder tem tornando o Congresso Nacional uma casa de malandros, “mamando nas tetas” do governo.

Porém, um dia o povo acordará e refletirá sobre isso, então, Rondônia e o Brasil, de fato, estarão instruídos e democratizados. A luta continua, educação política e boa informação para todos.

Para finalizar, gostaria de agradecer a todos os leitores e leitoras desta coluna, que já dura alguns anos, centenas de edições e incontáveis palavras, por mais um ano de parceria. Quero agradecer, também, aos colaboradores, que confiam no meu senso crítico e na minha capacidade de análise, acima de qualquer paixão política e/ou ideológica – por vezes, acredito que, analisar sobriamente a conjuntura política brasileira pode ser até mais desafiador do que participar diretamente dela.

Por Edilson Neves | Editor & colaborador do jornal Correio de Notícia  

Spread the love

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *