Moraes errou grosseiramente, mas a função de questionar atos do STF não é do Presidente da República

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Não é a primeira vez que o deputado faz e fala o que não deve!

Demoramos ANOS para tirar Maia e Alcolumbre das presidências das casas legislativas.

Há menos de um mês, Bolsonaro obteve uma vitória acachapante no Congresso e elegeu seus dois candidatos.

Finalmente, ao que tudo indica, veremos o andamento das reformas necessárias para o país.

Vimos isso bastante claro com o novo decreto sobre as armas. O primeiro, compromisso de campanha de Bolsonaro, foi prontamente derrubado sob o comando de Maia. Dessa vez, questionado pela imprensa, Lira já disse ser prerrogativa do presidente, assinalando que não vai interferir na decisão do Executivo.

Ver o Presidente com autonomia para governar desagrada muita gente, inclusive os membros do STF, que nunca mediram esforços para boicotar o país.

Prova disso é que descaradamente tentaram interferir no Legislativo, para impedir que a deputada Bia Kicis, uma das poucas que até agora se mantêm fiéis ao presidente, assumisse a CCJ, a comissão mais importante da câmara.

Aos “trancos”, tudo está se ajeitando. Porém, é urgente ter calma.

A manifestação do Daniel Silveira, ontem, atacando os ministros do Supremo, “lavou a alma” de milhões de brasileiros, esgotados com os desmandos dos tiranetes togados. Concordo! O deputado “cuspiu” aquilo que estava entalado na garganta do povo. Mas (na política sempre tem um “mas”) foi completamente desnecessário.

Seu “desabafo” teve uma consequência bastante previsível; considerando a síndrome de imperador que acomete Alexandre de Moraes.

Por causa disso, agora, a horda imediatista da direita já colocou o Presidente em xeque, exigindo que ele “abra fogo” contra o STF.

NÃO É ASSIM QUE AS COISAS FUNCIONAM!

Primeiro: NÃO É FUNÇÃO DO PRESIDENTE questionar os atos do STF. Moraes errou grosseiramente ao mandar prender um Deputado. Ignorou completamente a Constituição; especificamente o Artigo 53, que garante imunidade civil e criminal aos parlamentares por suas opiniões, palavras e votos. Mas a responsabilidade de julgar a conduta de um ministro do Supremo é do SENADO FEDERAL.

Segundo: Não é a primeira vez que o deputado faz e fala o que não deve.

Silveira fez parte da comitiva Xing-Ling (lembram?) e voltou dizendo que “a China tem um socialismo diferente”.

Naquela ocasião, foi um erro de principiante, que pôde ser perdoado com boa vontade. Agora, após cumprir mais da metade do mandato e conhecedor das entranhas do poder tupiniquim, já deveria ter entendido que política se faz com os neurônios, não com os testículos. A testosterona deve ser guardada pra outras ocasiões.

Sinto muitíssimo pela prisão e acredito, sim, que deva trazer consequências para o Ministro que a ordenou. A função do mesmo, afinal, é GUARDAR A CONSTITUIÇÃO, não ignorá-la deliberadamente ou usar a Policia Federal como instrumento de censura aos seus críticos.

Mas devemos cobrar atitudes CERTAS, tomadas por quem de direito; não esperar que Bolsonaro repita o arroubo hormonal do deputado e ultrapasse as atribuições do seu cargo, dando motivos para novos ataques por parte do judiciário militante, ou sugerir que “negociações” sejam feitas, como abrir mão da CCJ, uma comissão vital para o governo, em troca da liberdade de Silveira.

Não se sacrifica o rei para salvar outras peças do tabuleiro. Mas isso é assunto para outro texto…

“A estratégia sem tática é o caminho mais lento para a vitória. Tática sem estratégia é o ruído antes da derrota.” (TZU, Sun)

 

Foto de Felipe Fiamenghi

Por Felipe Fiamenghi*

*O Brasil não é para amadores

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