Aécio vê Doria obcecado por marketing e distante de ser presidenciável

Aécio vê Doria obcecado por marketing e distante de ser presidenciável

“Não conhece Brasília” diz Aécio Neves, ex-presidente do PSDB e candidato a presidência em 2014

O deputado e ex-presidente do PSDB Aécio Neves (MG) declarou nesta segunda-feira (15), em uma das primeiras entrevistas que concedeu desde 2017, quando foi atingido pelo caso JBS, que considera o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), um político com análises erradas e que pouco conhece a realidade de Brasília.

“Reconheço o mérito do governador. Acho que a questão da vacina, sem dúvida alguma, boa parte se deve ao esforço dele. Mas eu digo e repito: a obsessão pelo marketing do governador de São Paulo é tão grande que até as virtudes dele acabam não trazendo os ganhos e apoios que ele poderia ter”, disse o mineiro“O velho Tancredo dizia que é preciso a gente sargentear antes de ser general”, afirma, citando o avô, primeiro presidente eleito após a redemocratização do país.

Aécio e Doria protagonizam diversos embates desde 2019. O paulista tem dito, em várias declarações públicas, que quer expulsar o ex-governador de Minas Gerais da legenda. Doria, que vem tentando ser candidato ao Planalto, moderou o tom em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo no último sábado (13) e afirmou que pode tentar a reeleição em São Paulo.

“Ele precisa se dedicar a governar bem São Paulo. Ele próprio tem admitido, nesses últimos dias, um outro caminho para que nós possamos discutir a sucessão presidencial a partir da viabilidade de uma candidatura. Se a dele se confirmar até lá como viável, não haverá veto a ele. Mas, hoje, eu acho isso, pelo seu próprio perfil, ainda distante”, declarou Aécio.

Segundo o deputado, o PSDB pode abrir mão de lançar candidato a presidente em 2022. Como nomes fora do partido que podem unir o que ele chamou de “centro ampliado”, Aécio citou Ciro Gomes (PDT) e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Na entrevista, o tucano também negou qualquer irregularidade no caso JBS, no qual é acusado de ter recebido propina do dono do grupo, Joesley Batista. Ele afirmou que a denúncia foi armada pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e que não houve dinheiro público envolvido.

“Aquilo foi uma das gravações mais calhordas e perversas da história política brasileira. Onde um desequilibrado, que conduzia a PGR na época, o senhor Janot, com Marcelo Miller, que era um dublê de procurador e advogado da JBS, montam uma gravação”, afirmou. Aécio é alvo de dois inquéritos derivados da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

Aécio diz ser de oposição ao presidente Jair Bolsonaro, mas reclama das constantes cobranças para que o partido adote uma atitude agressiva contra o presidente. “No Congresso, é natural compreender também que existem pessoas no partido que têm relação institucional com o governo. Isso não é crime”.

Aos 61 anos, o neto do ex-presidente Tancredo Neves já foi presidente da Câmara, governador e senador. Ele foi escolhido na última sexta-feira (12) como presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) da Câmara em substituição a Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Por Lauriberto Pompeu

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