Reflexão: o fechamento de atividades comerciais Salva vidas?

Reflexão: o fechamento de atividades comerciais Salva vidas?

Onde estava os governantes que não resolviam isso?

Em resposta à pergunta que intitula este artigo, na visão dos empresários, a decisão do governo do estado acaba colocando a responsabilidade nos comerciantes em relação ao aumento de casos e não resolve o problema da contaminação e da falta de leitos no sistema de saúde.

Grande parte dos comerciantes não gostaram da decisão do governador, Coronel Marcos Rocha, que determinou o fechamento das atividades comerciais não essenciais, neste final de semana na tentativa de frear o avanço da pandemia no estado de Rondônia.

A gente tenta entender e se afastar de qualquer tipo de questionamento, mas, é impossível, enquanto cidadão não fazer essa reflexão, e, também de certa forma enquanto jornalista, muita gente reclama e questiona o porquê do “fechamento das atividades comerciais” e, muitos criticam quem reclama, porque o importante é a vida e a vida tem que está em primeiro lugar.

Certamente, a vida tem que está em primeiro lugar, sempre, e de fato, a gente precisa parar com esses abusos que tem sido feito, com relação ao não respeito de algumas normas que estão sendo impostas com relação a saúde pública, pessoas inconsequentes, pessoas desobedientes que acabam se contaminando e transmitindo o vírus para outras pessoas.

Acontece que, esse cuidado com a vida é muito fácil ter para proibir trabalhadores de trabalhar, vamos analisar, será que não estamos cobrando do lado errado. Bem antes da pandemia, os hospitais já estavam sucateados, bem antes da pandemia, os hospitais não tinham vagas, não tinham leitos, sem UTIs – os profissionais de saúde não eram valorizados, não tem uma remuneração decente, não tem insumos para trabalhar, tudo isso, já existia muito antes da pandemia.

– Onde é que está o erro? Cadê o respeito à vida? Onde é que estava os governantes que não resolviam isso?

Unidades Básicas de Saúde (UBS) – principal porta de acesso à atenção primária para quem depende do Sistema Único de Saúde, muitos abandonados, mato tomando conta, sem insumos, profissionais não tem como trabalhar com segurança, em fim… enquanto isso, a população local sofre com a falta de equipamentos de saúde. Onde estava os governantes que não viram isso? Cadê o respeito a vida que não concertou isso?

Onde é que estava a preocupação de salvar vidas que não resolveu isso?

Será que tudo isso é para não ter gente trabalhando?

Ou será que é para ter mais hospitais decente? Mais postos de saúde decente? Profissionais mais qualificado e mais bem pagos?

Onde está o erro? Seria bom a gente pensar nisso… 

Será que o erro está num comerciante que abre seu estabelecimento para faturar e conseguir pagar suas contas? Numa senhora que saiu de casa para ganhar algum dinheiro para comprar o pão para o seu filho?

Ou está num coletivo cheio de gente, ônibus, superlotado, porque diminuíram a frota para não gastar mais combustível e reduzir os custos para sobrar mais dinheiro para os empresários gananciosos? Onde é que está o erro maior?

Onde está o salvar vidas que não tem coragem de apertar os donos de empresas de transportes público porque são reféns dos donos das empresas, para que eles coloquem mais carros nas ruas, mais ônibus, com acondicionados, mais fiscalização nos transportes, segurança nos ônibus. Cadê o salvar vidas para isso?

Cadê o salvar vidas, para dar insumos de trabalho para os policiais militares que estão fazendo ronda e tendo que fazer abordagem, eles têm que ir nas comunidades e de vez em quando, eles tem que se aglomerar para poder proteger a população. Onde está o salvar vidas nessa hora?

Para salvar vidas o governo amplia o decreto restritivo. Porque não para salvar vidas, mais hospitais, mais postos de saúde, uma polícia mais aparelhada, um professor mais valorizado? Sim porque o professor mais valorizado, com certeza temos uma educa melhor e, consequentemente, pessoas mais conscientes e não seremos controlados.

Porque não usa o salvar vidas para tirar o luxo e as mordomias que os vereadores tem na câmara de vereadores, que aliás, tem um custo altíssimo para os cofres do município de Porto Velho?

Onde é que está o salvar vidas, quando temos auxilio de tudo nas Assembleias Legislativas e nos tribunais Brasil a fora?

Os caras recebem todos os tipos de auxilio sem trabalhar – sim, com os decretos de distanciamentos, eles ficam em casa, ou seja, trabalham home office e, recebe do mesmo jeito, todos os auxílios.

Porque não tira as regalias dessa gente? para sobrar mais dinheiro para comprar mais vacinas para salvar vidas.

Agora, o governo amplia as restrições através de um decreto pra salvar vidas, com isso, muita gente tem criticado. Mas quem está achando ruim? Será que a gente não está cobrando errado. Pensem nisso…

O pai de família que trabalha para comer, ele não vai poder trabalhar, porque é muito mais fácil você levar pra delegacia aquele que quer colocar uma carrocinha na esquina pra vender o seu espetinho, o cara que quer abrir o seu quiosque pra vender o seu lanche, o cara que quer abrir o seu negocio pra vender o seu produto, porque, dali ele ganha o seu dinheirinho pra comprar o seu pãozinho e comprar um pedaço de carne para alimentar sua família. Para isso, tem que salvar vidas.

Mas para salvar vidas, eles não baixam os impostos – para salvar vidas, eles não baixa o preço da gasolina, pra isso, eles não cobram menos, pelo contrário, só tem aumentado. Os comerciantes, os pequenos e microempresários, que tiveram não sei quantos meses parados, ninguém pensa em salvar a vida dessas pessoas. Aí está o IPTU, imposto disso, imposto daquilo, enfim, todos os impostos vêm todo mês, IPVA nem se fala, o governo do estado cobra de todo jeito. Cadê o salvar vidas aí?

Então, o salvar vidas é só pra o homem e a mulher que quer trabalhar, que precisa trabalhar, para botar comida em casa todo dia. Esse salvar vidas existe.

O salvar vidas existe pra fechar e dificultar a vida do comerciante que quer, não só trabalhar para sustentar sua família, mas também dar emprego para alguém que também sustenta sua família. Esse salvar vidas existe.

“Vale lembrar que, o direito ao trabalho, ao uso da propriedade privada e à livre circulação jamais poderá ser restringidas sem que isso configure patente violação às normas constitucionais”.

Entretanto, antes de criticar quem reclama do decreto, aliás, eu concordo plenamente, temos que salvar vidas, mas tem que salvar vidas de todos os segmentos, não só naquilo que é mais conveniente.

Contudo, será que não estamos cobrando só dos empresários e das pessoas? Vamos fazer com que os políticos também queiram salvar vidas, cortando na própria carne, talvez, cortando os salários, os penduricalhos, com isso, quem sabe sobre mais dinheiro para comprar vacinas, para os postos de saúde e leitos de hospitais – talvez assim, agente salve mais vidas…

Por Edilson Neves*

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