Ao Vivo: Secretária Mayra Pinheiro depõe na CPI da Pandemia

Ao Vivo: Secretária Mayra Pinheiro depõe na CPI da Pandemia

Secretária defende tratamento precoce e critica escolas fechadas.

A  secretária de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro,  depõe à CPI  da Covid nesta terça-feira (25). Os parlamentares devem questionar as falas e ações da médica conhecida como “Capitã Cloroquina” por ser defensora do medicamento sem eficácia científica contra o coronavírus.

O ministro Ricardo Lewandowski atendeu, em parte, um pedido de reconsideração da defesa de Mayra para que ela se mantivesse calada às perguntas dos senadores. Ela poderá evitar responder sobre temas relativos a uma ação de improbidade administrativa que responde por conta da crise de oxigênio no estado do Amazonas.

Comparação com o nazismo

Antes de iniciar as perguntas para a depoente, o relator Renan Calheiros (MDB-AL), fez o uso da palavra para comparar a gestão da pandemia com o nazismo. “Não podemos dizer que houve genocídio, mas há uma semelhança perturbadora no comportamento de autoridades”, disse o senador. A ala governista reagiu: “Absurdo!”

Recomendações da OMS

“O Brasil não é obrigado a seguir as orientações da OMS. E, se assim fizéssemos, nós teríamos falhado, assim como a OMS falhou, várias vezes”, disse.

Renan e o VAR 

O senador Renan Calheiro inovou nos questionamentos e está apresentando  áudios e vídeos para contestar a depoente. O relator já apresentou um áudio sobre as recomendações de Mayra Pinheiro para o uso da cloroquina e um vídeo em que ela defendia a imunidade de rebanho como tratamento para a covid-19.

Crise de oxigênio em Manaus

A médica Mayra Pinheiro disse que não foi informada sobre a crise  de oxigênio em Manaus. Ela também disse que não sabe quantos pacientes morreram por falta de oxigênio no Amazonas. A Secretária disse que não visitou unidades de Saúde em Manaus.

Recomendação x orientação do uso de cloroquina

Mayra Pinheiro disse que o Ministério da Saúde não recomendou o uso da cloroquina no tratamento precoce, mas orientou os médicos. De acordo com ela, as orientações não foram só aos médicos de Manaus, mas sim “a todos os médicos do país”.

O relator da Comissão apresentou um ofício ao colegiado que desmente a fala da depoente. De acordo com Renan Calheiros, foi enviado um documento pelo Ministério em que dizia que era “inadmissível” a não utilização do medicamento.

TrateCov

Após o ex-ministro Eduardo Pazuello colocar a responsabilidade na criação do aplicativo que recomendava o uso da cloroquina até para bebês na Secretária, Mayra Pinheiro negou que foi a  responsável. “Foram os técnicos da minha secretaria”, disse.

“A minha secretaria foi responsável pelo desenvolvimento do TrateCov. Nossa visita a Manaus e a situação que encontramos foi de caos. A OMS faz uma declaração dizendo que os testes RPC-PCR provavelmente poderiam ter baixa sensibilidade para as novas variantes. Diante deste contexto, tivemos conhecimento de um material que usa o score clínico que pode confirmar a doença.”

Diferente do que disse o ex-ministro Pazuello, o aplicativo TrateCov não saiu do ar por ser hackeado, foi retirado para a investigação após a “extração indevida” de dados por um jornalista, segundo Mayra. O jornalista Rodrigo Menegat foi o responsável por fazer simulações no aplicativo que indicavam uso de cloroquina para recém-nascidos com cólicas.

“Hidroxicloroquina é um antiprotozoário, não antiviral” 

O senador Otto Alencar (PSD-BA) é médico de formação e rebateu a fala da médica Mayra Pinheiro por afirmar que a cloroquina é antiviral. O parlamentar reforçou que o medicamento é antiprotozoário e ajuda no tratamento de malária, por exemplo. “Essa insistência de permanecer no erro não é virtude, é desvio de personalidade”. Ele questionou ela sobre as doenças que não são tratadas com medicamentos para prevenção. “Qual o remédio para prevenir sarampo? Vacina? Paralisia infantil? Vacina”.

Fonte: Congresso em Foco

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