Produtores rurais pedem ‘paz no campo’ no Vale do Guaporé

Produtores rurais pedem ‘paz no campo’ no Vale do Guaporé

A falta de regularização fundiária é apontada como o principal motivador de invasões.

Na última sexta-feira (21) foi realizada, em um trecho da BR-429, no percurso entre o distrito de São Domingo, pertencente a Costa Marques, e São Miguel, uma carreata organizada por produtores rurais e pecuaristas da região clamando atenção do estado contra as invasões de terras e pedindo regularização fundiária. A carreata reuniu cerca de 300 veículos. Iniciou o percurso às 8h da manhã e terminou por volta das 14h.

Ao passar por Seringueiras e São Francisco, a carreata percorreu as avenidas principais dessas cidades para dar mais visibilidade ao movimento. Em São Miguel, além de também passar pelo centro comercial da cidade, a carreata passou em frente ao quartel da Polícia Militar e da Delegacia de Polícia Civil.

Invasões

Na região há duas fazendas invadidas, sendo a Bom Futuro e a Terboy, ambas em Seringueiras. Os grupos invasores se denominam Liga dos Camponeses Pobres (LCP), que são um braço do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST). Os temores dos produtores da região são dois: o modus operandi dos invasores, que se provém da violência contra moradores, e os prejuízos que causam. Na última invasão que promoveram na região, mataram mais de 30 cabeças de gado, destruíram uma central de gerenciamento genético orçada em milhões, além de terem queimado moradias e destruídos equipamentos agrícolas.

Lucineide Oliveira – Produtora Rural

“Eles entram nas propriedades promovendo destruição. Eles não são pacíficos. Isso nos amedronta”, disse Luceneide Oliveira, produtora rural da região.

“A gente venceu malária, estrada de chão, atoleiros, pontes caídas e, depois de tudo isso, superado com trabalho e esforço da família, vêm essas pessoas querendo desapropriar a gente. Isso é indemissível. O estado precisa se atentar para essa situação de nos ajudar”, disse o pecuarista Altemir Cláus.

Insegurança Jurídica

A regularização fundiária também foi um dos temas que a carreata abordou. Sem o documento que prova a propriedade da terra, os donos vivem inseguros e sem acesso ao crédito para investir na propriedade, fazer a produção crescer e gerar mais renda riqueza.

Edson Afonso – Pecuarista

“A paz no campo não prescinde apenas da não invasão das propriedades, mas também da regularização fundiária. Foi criado, em 2009, o programa terra legal, mas por questões ideológicas, não foi levado a diante e muitas propriedades ainda continuam sem regularização. A regularização fundiária traz condições para o produtor ter uma vida melhor”, ponderou Edson Afonso, pecuarista e representantes dos sindicatos rurais do Vale do Guaporé.

Força Política

A questão da regularização fundiária é uma demanda que o senador Acir Gurgacz vem pleiteando desde o inicio de seu mandato e continua com mais ênfase agora que está na Comissão de Agricultura do Senado Federal.

O presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa, deputado estadual Ismael Crispin, que também participou da carreata, disse que o tema da segurança no campo já vinha sendo debatido e que a carreata dos produtores e pecuaristas reforça a luta.

“A primeira medida que precisamos alcançar é a de impedir a invasão. E para isso acontecer, precisamos de policiamento nas regiões onde há esse tipo de ameaça. Vamos ter, nos próximos meses, o apoio da Força Nacional, mas precisamos fortalecer nosso contingente da Polícia Militar para solucionar essa situação”, disse Crispin.

Por Fernando Pereira

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