Socialismo – A Porta de Entrada para o Totalitarismo

Socialismo – A Porta de Entrada para o Totalitarismo

Quando um socialista chega ao poder, será só uma questão de tempo para que ele se torne vitalício no cargo.

A implementação de um regime socialista requer, necessariamente, que seus dirigentes conquistem poderes plenipotenciários sobre toda a sociedade. Para um regime socialista ser efetivamente implementado, ele terá, portanto, que ser invariavelmente totalitário.

No caso do socialismo, no entanto, o totalitarismo começa muito antes do regime ser efetivamente implementado e oficializado. A ideologia socialista é intrinsecamente totalitária. E seus adeptos se comportam de forma prepotente, arrogante e autoritária — desejando ter plenos poderes e controle sobre terceiros —, justamente porque foram infectados com a ideologia.

A arrogância inerente ao socialismo está diretamente atrelada à prepotência ideológica de sua elite intelectual e dos planejadores centrais. Eles se consideram criaturas oniscientes e infalíveis — que possuem uma invejável e descomunal sabedoria —, e por essa razão sentem-se plenamente capacitados para dirigir a sociedade em todos os aspectos: econômicos, ideológicos, políticos, legais e pessoais.

Para controlar toda a sociedade, no entanto, os socialistas precisam necessariamente fazer o indivíduo renunciar ao seu desejo de comandar e controlar a própria vida. Se o indivíduo não fizer isso voluntariamente, então os socialistas usarão a violência e o poder de repressão do estado para subjugar o indivíduo. Como Ludwig von Mises certa vez escreveu, “o único direito que os jovens desfrutam em um sistema socialista é o direito de serem dóceis, submissos e obedientes. Não há espaço (no socialismo) para inovadores rebeldes com ideias próprias”.

A vontade de subjugar as pessoas — de ter todas elas em sujeição ao seu projeto de poder político — é inerente à ideologia socialista. Ao manifestar esse comportamento, socialistas estão simplesmente manifestando o mais proeminente sintoma da sua ideologia de estimação. São eles que plantam as sementes da sua doutrina feroz, restritiva, opressiva, despótica e controladora. Portanto, são exatamente essas pessoas que fazem o totalitarismo germinar.

Quando um socialista chega ao poder, será só uma questão de tempo para que ele se torne vitalício no cargo.

Isso ficou bem evidente, por exemplo, no caso venezuelano. Quando Hugo Chávez ganhou as eleições presidenciais da Venezuela, em 1998, muitos venezuelanos — acreditando no discurso de igualitarismo e demonização do capitalismo do caudilho socialista — pensavam que o seu país poderia mudar para melhor. Chávez alegava ser ele próprio um candidato correto, honesto e diligente, uma pessoa boa e responsável, a personificação da redenção política de seu país; um líder que se dedicaria de corpo e alma à sua pátria. Infelizmente, muitas pessoas acreditaram nele.

Chávez eventualmente conseguiu arregimentar um número considerável de seguidores, visto que muitas pessoas passaram a acreditar em seu discurso populista barato e simplório de redenção socialista; invariavelmente, sua persistência logrou êxito e ele finalmente se elegeu presidente. Depois que ele conquistou o poder, no entanto, não mais saiu de lá (houve uma tentativa de tirá-lo do poder através de um golpe militar em 2002, apoiado por uma enorme conflagração popular, que infelizmente fracassou — Chávez foi deposto, mas acabou sendo restituído à presidência da república depois de 47 horas afastado do cargo).

Raposa dissimulada e ardilosa, Hugo Chávez foi manipulando astutamente os três poderes, colocando aliados em cargos relevantes, e se utilizando de vários recursos — tanto legais quanto fraudulentos — para se perpetuar no poder, onde ficou até morrer, em março de 2013.

Toda essa manobra realizada por Hugo Chávez para se perpetuar na presidência da Venezuela, no entanto, fazia parte de uma estratégia política totalmente previsível. Por estar ostensivamente contaminado com a ideologia socialista, era natural que Hugo Chávez agisse dessa forma. Socialistas jamais ingressam na política sem uma sofisticada estratégia que lhes permita estabelecer um coeso e implacável projeto de poder, com a intenção de se perpetuarem indefinidamente como soberanos de seu país.

Além do mais, o seu conturbado histórico político era um prenúncio do seu futuro como ditador: em 1992, Chávez tentou tomar o poder à força, através de um golpe de estado. Ele fracassou e foi preso, mas posteriormente foi perdoado e anistiado, para tristeza e ruína da nação venezuelana.

Assim que recebeu a sua liberdade novamente, as ações subsequentes de Hugo Chávez mostraram que ele continuava obcecado em conquistar o poder. Depois do malfadado golpe de estado, no entanto, ele decidiu tentar a via democrática. E percebeu que ela era muito mais eficaz, por vários motivos. O principal deles é que o voto popular chancela a legitimidade de quem está no poder.

Eleito pelo voto, Chávez — como qualquer demagogo populista de esquerda — poderia alegar que governa em nome do povo porque foi escolhido pelo povo. O famoso bordão populista “do povo, pelo povo, para o povo” sempre foi usado para justificar o exercício do poder e da autoridade. Quem conquista o poder através de um golpe de estado, no entanto, não pode reivindicar qualquer tipo de legitimidade na liderança governamental, visto que não foi escolhido por ninguém para conduzir politicamente a nação, mas fez uso da força para conquistar uma posição de autoridade.

Depois que conquistou o poder pela via eleitoral, Chávez começou a implementar reformas socialistas, que eventualmente causaram uma catastrófica destruição econômica no país, que infelizmente persiste até o presente. Embora as sementes do socialismo tivessem sido plantadas muito tempo antes, foi com Hugo Chávez que a Venezuela tomou o caminho definitivo da destruição total, que foi provocada por uma guinada radical da nação em direção ao socialismo. E como sabemos, a Venezuela continua a sofrer com as agruras dessa deplorável e deprimente tragédia até os dias de hoje.

Uma vez que o socialismo se instaura oficialmente em um país, é só uma questão de tempo até que a sociedade e a nação como um todo venham a se desintegrar completamente. O histórico exemplo da União Soviética atesta esses fatos de maneira irrefutável. Em virtude do imensurável nível de pobreza e miséria gerado em um regime socialista — e principalmente pela questão da impossibilidade do cálculo econômico —, o colapso social, material e econômico da nação se torna inevitável, sendo sua degradação total apenas uma questão de tempo.

Infelizmente, a desintegração total de uma nação escravizada por um regime socialista é um processo vagaroso que pode se estender por décadas; é morte, degradação e degeneração em larga escala, em câmera lenta. No decorrer desse sórdido processo, a população sofre em demasia com as agruras da miséria, da fome, da escassez e do depauperamento crônico — sintomas inerentes à tragédia socialista.

Como a história atesta de forma irrevogável, o totalitarismo está na gênese do socialismo. Por partir de uma prerrogativa utópica cuja finalidade é construir a “sociedade perfeita”, a ideologia socialista atribui a si própria todas as responsabilidades que julga serem pertinentes para a consolidação da utopia.

Para que esses objetivos possam ser concretizados, no entanto, acaba sendo fundamental erradicar a soberania, a autonomia e a independência dos indivíduos. Tão importante quanto, é fazer com que toda a sociedade seja plenamente submissa aos planejadores centrais, se necessário por meio de coerção violenta.

As atitudes inerentemente violentas e despóticas dos planejadores centrais socialistas, no entanto, constituem verdadeiros crimes contra a sociedade, a liberdade e tudo aquilo que é necessário para a manutenção da ordem civilizatória, como o empreendedorismo, a livre iniciativa e a livre associação. Mas socialistas — muito mais preocupados com a consolidação da sua fantasiosa utopia do que com os seres humanos — evidentemente não se importam com isso.

Como é fácil perceber, o totalitarismo é uma consequência inevitável do socialismo. A história comprova perfeitamente que os regimes socialistas nunca fogem a essa regra. Onde houver socialismo, haverá totalitarismo. Todas as coisas que são edificantes, moralmente salutares e fundamentais para uma sociedade coesa — como a liberdade, a prosperidade e a felicidade — sempre serão elementos completamente incompatíveis com o socialismo. Na prática, o socialismo é uma ideologia nefasta e maligna que, por si só, é um terrível e odioso crime contra a humanidade.

Por Wagner Hertzog

Faça seu Comentário