Comissão de Ética da Alesp aprova pedido de cassação de Arthur do Val

Relatório foi aprovado por unanimidade.

A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou hoje (12), por unanimidade, o relatório que pediu a cassação do deputado Arthur do Val, também conhecido como Mamãe Falei, do partido União Brasil. 

Para a perda de mandato ocorrer, o relatório ainda precisará ser aprovado no plenário da Alesp pela maioria dos parlamentares da casa. Se for cassado, o deputado perderá o mandato e passará a ser inelegível por oito anos.

O relator do caso na Comissão de Ética, o deputado Delegado Olim (PP), destacou em seu texto a quebra de decoro de Arhur do Val em áudios sexistas enviados a um grupo virtual, que posteriormente se tornaram públicos.

O deputado Arthur do Val foi à fronteira entre a Eslováquia e a Ucrânia, país em situação de guerra, para, segundo ele, ajudar os ucranianos contra a Rússia. O deputado enviou áudios a amigos, divulgados posteriormente pela imprensa, em que elogia a beleza das refugiadas ucranianas e diz que as mulheres de lá são “fáceis” por serem pobres. 

“Assim que essa guerra passar eu vou voltar pra cá. E detalhe, elas olham. E são fáceis, porque elas são pobres. E aqui minha carta do Instagram, cheio de inscritos, funciona demais. Não peguei ninguém, a gente não tinha tempo, mas colei em dois grupos de minas e é inacreditável a facilidade”, disse ele em um trecho do áudio enviado em um grupo privado no WhatsApp.

“O conteúdo das falas exibe exploração, humilhação e violência moral contra as mulheres ucranianas em situação de vulnerabilidade. O representado, no bojo desses áudios, fez apologia ao turismo sexual”, ressaltou o relator.

Na chegada ao Brasil, o deputado deu entrevistas confirmando ser o autor dos áudios e retirou sua pré-candidatura ao governo do estado de São Paulo. Ele afirmou ter cometido “um erro em um momento de empolgação”.

Defesa

Em sua fala de defesa, na sessão da Comissão de Ética, Arthur do Val reconheceu que errou e pediu desculpas.

“Eu errei. Ponto final. Houve erro. Eu quero pedir desculpas aqui principalmente às mulheres ucranianas que estão aqui e às pessoas que verdadeiramente se ofenderam com os meus áudios. Eu devo essas desculpas”, disse. 

Arthur afirmou ainda que sua cassação está ocorrendo em razão de suas virtudes, não de seus erros, e porque todos o odeiam na Alesp. “A verdade é que todos aqui me odeiam, é verdade isso, eu não nego isso, eu falo isso sempre”, disse. “Esse processo de cassação não é pelo que eu disse, é por quem disse”, acrescentou.

O deputado afirmou que não é bem quisto na Alesp porque, segundo ele, atuou pelo corte de auxílios e verbas que seriam destinadas aos demais deputados e funcionários. 

Por Bruno Bocchini

CN

Valor da Produção Agropecuária deve chegar a R$ 1,227 trilhão este ano

A estimativa foi divulgada pela Secretaria de Política Agrícola.

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) deverá alcançar R$ 1,227 trilhão este ano, 2,4% a mais do que o R$ 1,199 trilhão registrado em 2021. A estimativa foi divulgada pela Secretaria de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Segundo a secretaria, o crescimento do VBP deverá ser registrado mesmo com a estiagem no Sul do país durante os meses de plantio, um dos principais fatores a impactar o resultado deste ano.

“Esses resultados podem ser atribuídos, em geral, aos aumentos de produção e aos preços”, diz nota da secretaria.

O valor das lavouras, segundo ainda a secretaria, cresceu 7,5%, e o da pecuária sofreu uma retração de 8,5% na relação de um ano para outro.

Os produtos com bom desempenho do VBP são o algodão em pluma, aumento real de 42,2%; banana, 17,7%; batata inglesa, 11,4%; café, 55,7% (conillon e arábica); cana-de-açúcar, 28,4%; feijão, 8,7%; laranja, 10%; milho, 24,1%; tomate, 32,6%; e trigo, 4,8%.

Fonte: Agência Brasil

CN

Ismael Crispin entrega aparelho de ultrassonografia em União Bandeirantes

Estamos extremamente agradecidos com essa ação do deputado Ismael Crispin”, relatou Ferrugem.

Depois de anos de espera, a população do distrito de União Bandeirantes, distante cerca de 160 quilômetros de Porto Velho, recebeu na manhã desta segunda-feira (11) um aparelho de ultrassonografia, adquirido através de emenda de autoria do deputado Ismael Crispin (PSB) no valor de R$ 160 mil, por meio de uma parceria com o município e o Governo de Rondônia.

Na ocasião, o deputado fez questão de ressaltar que ninguém é capaz de trabalhar e ajudar tantas pessoas sozinho. “Esse é uma conquista de todos, um trabalho realizado com a parceria do Ferrugem, que apresentou a demanda do prefeito de Porto Velho e do Governador de Rondônia, Marcos Rocha. O meu mandato tem uma única razão de ser e existir, que é a transformação da vida de todos que acreditam e confiam no meu trabalho. Estou honrado em conseguir atender um anseio tão antigo e espero conseguir realizar ações também na educação, nas estradas e em muitos outros segmentos”, disse.

Falando em nome da população de União Bandeirantes, o agricultor Ferrugem agradeceu o trabalho do deputado em prol do distrito. “Várias e várias pessoas já batalharam por esse equipamento, entre elas dois vereadores e três deputados e até hoje ninguém realmente tinha cumprido com o que havia prometido para essa população. Estamos extremamente agradecidos com essa ação do deputado Ismael Crispin”, relatou.

Segundo a diretora da unidade de saúde do distrito, Jadirlene Rodrigues, esse aparelho irá ajudar a população. “Os nossos pacientes precisam se deslocar até Jacy-Paraná ou para Porto Velho para conseguirem realizar esse procedimento e em alguns, estavam até pagando cerca de R$ 400,00 para fazer particular”, explicou.

A diretora da Atenção Básica do município, Fabíola Barros, esclareceu que os procedimentos ainda não serão realizados imediatamente. “Agora precisamos realizar algumas melhorias na sala que irá receber o equipamento e um profissional com essa especialidade, mas essa situação já está sendo alinhada e em breve teremos essas conquistas também”, finalizou.

Texto e Foto: Assessoria

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IFRO Campus Ariquemes seleciona cursistas para formação em Inseminação Artificial

Seleção para o Curso de FIC – Inseminação Artificial.

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Ariquemes, abriu seleção de cursistas para a oferta do Curso de Formação Inicial e Continuada (FIC), na modalidade híbrida: Inseminação Artificial. Integrando o Programa de Extensão “Animal em Foco”, no ano de 2022, a qualificação tem total de carga horária de 40 horas. Os interessado têm até as 18 horas do dia 1º de maio de 2022, para se inscrever, exclusivamente de forma on-line, pelo endereço eletrônico: shorturl.at/oqHMP.

As aulas teóricas serão disponibilizadas no ambiente virtual de aprendizagem e as aulas práticas ocorrerão de forma presencial no setor de bovinocultura do Campus Ariquemes. A modalidade FIC consiste na capacitação, qualificação, formação e aperfeiçoamento profissional de curta duração, com os cursos ofertados totalmente gratuitos e sem taxa de inscrição. A previsão de início das aulas é em 9 de maio de 2022.

São 25 vagas, divididas em até 30% para alunos do IFRO e até 70% para público em geral. Estão entre os requisitos para inscrição: ser maior de 16 anos; possuir um e-mail válido; estar logado em uma conta Google; possuir número de WhatsApp ativo; e fazer upload dos documentos (RG, CPF e comprovante de endereço) conforme orientação do edital. Os estudantes no IFRO Campus Ariquemes deverão indicar no formulário seu número de matrícula, não sendo necessário o envio de documentos.

Leia o Edital completo, aqui!

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Fonte: Assessoria

CN

Mais de 100 projetos se inscreveram no edital de apoio à pesquisa do Basa

Cientistas e pesquisadores de toda a Amazônia Legal inscreveram seus projetos no Edital.

Um total de 107 projetos oriundos de todos os Estados da Amazônia Legal foram inscritos na 3ª edição do Edital de Seleção de Projetos de Pesquisas Científicas do Banco da Amazônia (Basa). O total de pedidos de inscrições soma mais de R$12 milhões em propostas. As inscrições para este Edital de Pesquisas vigoraram no período de 21 de fevereiro a 31 de março de 2022.  

O Banco, por meio deste Edital, disponibiliza R$ 700 mil para apoiar a ciência, a pesquisa e produção científica na Amazônia. Agora, a próxima etapa até o dia 29 de abril, os projetos inscritos estão passando por análise. De acordo com a coordenadora de sustentabilidade do Banco, Samara Farias, a divulgação do resultado das propostas selecionadas será no dia 13/05/2022, no site oficial do Banco da Amazônia (www.bancoamazonia.com.br).

O edital tem o objetivo de dar apoio financeiro ao desenvolvimento de pesquisas e de transferência tecnológica, conduzidos por pesquisadores de instituições de ensino superior, ciência, tecnologia e inovação da região amazônica.

Para mais informações, acesse o site oficial do Basa.

Fonte: Assessoria

CN

Ministério Público obtém condenação de acusados de morte de militar em Guajará-Mirim

O Juízo da 1ª Vara julgou procedente a ação penal e condenou os três denunciados pela prática de crime de latrocínio.

O Ministério Público de Rondônia obteve nesta terça-feira (12/4) a condenação de três acusados pela morte de um militar do exército, crime ocorrido em novembro de 2021 em Guajará-Mirim/RO.

O Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Guajará-Mirim/RO julgou procedente a ação penal e condenou os três denunciados pela prática do crime de latrocínio, além do delito de ocultação de cadáver em relação a dois deles.

Os réus foram condenados, respectivamente, às penas de 32 (trinta e dois), 29 (vinte e nove) e 21 (vinte e um) anos de reclusão, além da aplicação de pena de multa.

Após as investigações da Polícia Civil e esclarecimento dos crimes com a identificação dos envolvidos, a ação penal foi iniciada com o oferecimento de denúncia pela 2ª Promotoria de Justiça de Guajará-Mirim/RO.

O militar do Exército Carlos Cabixi foi morto na residência de um dos denunciados, local para onde foi atraído e morto. Logo em seguida, os acusados subtraíram a motocicleta da vítima, encaminhando-a para a Bolívia. Em seguida, ocultaram o cadáver do ofendido em uma estrada na zona rural do Município, o qual ficou desaparecido por cerca de três dias.

Fonte: DCI – Departamento de Comunicação Integrada

CN

MPRO recebe nova Secretária de Estado da Saúde

A visita teve caráter protocolar, tendo em vista a recente posse da Secretária.

O Procurador-Geral de Justiça, Ivanildo de Oliveira, se reuniu em seu gabinete nesta terça-feira (12/4) com a nova Secretária de Estado da Saúde, Semayra Gomes Moret.

A visita teve caráter protocolar, tendo em vista a recente posse da Secretária, em substituição ao médico Fernando Máximo.

Participaram da reunião os Promotores de Justiça Rosângela Marsaro Protti, Valentina Noronha Pinto e Julian Imthon Farago, respectivamente, responsáveis pela pasta da Saúde e da coordenação do Grupo de Atuação Especial Cível no MPRO.

Embora o encontro não tenha tido assunto pré-definido, foram abordadas algumas situações que são objeto de acompanhamento do MPRO, como a reforma no Hospital Infantil Cosme e Damião.

A Secretária de Saúde se colocou a disposição e demonstrou sensibilidade  em relação as demandas do Ministério Público relacionadas ao funcionamento da pasta.

Fonte: DCI – Departamento de Comunicação Integrada

CN

Tarifa social de energia pode alcançar mais clientes com cadastro automático

Segundo Energisa, mais de 113 mil famílias recebem desconto em Rondônia.

Cristiane Martins Batista é assistente social, mora no bairro Esperança da Comunidade, em Porto Velho, e conheceu o programa da Tarifa Social de Energia Elétrica na internet. Atuante na comunidade, Cristiane multiplicou a informação sobre o benefício para outras famílias do bairro por meio de mensagens de celular. “Eu vi as dicas da Energisa no You Tube e compartilhei com minhas vizinhas porque a tarifa reduzida ajuda no nosso orçamento doméstico”, conta, frisando a importância de manter os gastos sob controle. “A tarifa é para quem realmente precisa. Por isso, tenho que fazer minha parte, economizando energia e mantendo o cadastro em dia”, declarou.

Cerca de 113 mil famílias de Rondônia estão cadastrados na tarifa social de energia elétrica, programa social do governo federal que concede até 65% de desconto na tarifa de energia dependendo do consumo do imóvel.  A quantidade de beneficiários poderia ser maior se o cadastro daqueles que têm direito ao benefício estivessem atualizados. Por isso, a Energisa orienta àqueles que preenchem os requisitos atualizem os dados junto ao CRAS a cada dois anos.

Kassia Goes, coordenadora de atendimento da Energisa no estado, explica que a empresa mensalmente cruza os dados do sistema do Cadúnico com a sua base de clientes e faz o cadastro automático. Porém, a atividade depende que o portador do CAD Único seja o mesmo titular da conta de energia. “Somente quando o titular da fatura é diferente do membro da família que tem o NIS, é necessário procurar a Energisa”, afirmou.

A coordenadora orienta o cliente a observar a fatura de energia para saber se já está sendo beneficiado. A informação está no campo “Classe/subclasse” nomeado como ‘residencial baixa renda geral’ “Estar com as contas em dia é um dos requisitos para que a família esteja apta a participar do programa Nossa Energia, que substitui equipamentos ineficientes, por modelos novos e mais econômicos. Mais de 2 mil geladeiras e 57 mil lâmpadas LED foram substituídas para famílias de baixa renda nos três anos que Energisa atua no estado”, disse ao lembrar que o programa é itinerante e não o cliente não precisa se deslocar até agência. “Nossa equipe utiliza essa base de dados e faz o contato diretamente com o cliente mapeado”, completou.

A crise econômica provocada pela Covid-19 afetou principalmente as famílias de baixa renda, por isso, a Energisa disponibiliza a negociação dos débitos e evita medidas de cobrança como o corte do fornecimento. Goes alerta que a autoreligação nunca é uma alternativa para a situação. “Além de ilegal, ligar a energia por conta própria é perigoso e pode provocar acidentes”, disse. A negociação pode ser feito pelos canais de atendimento na Agência Digital pelo site www.energisa.com.br, no WhatsApp Gisa (69 9 9358-9673) e no aplicativo Energisa On, download gratuito para aparelhos ​IOS e Android.

Quem tem direito?

Famílias inscritas no Cadastro Único com renda mensal menor ou igual a meio salário-mínimo por pessoa, famílias com portador de doença que precise de aparelho elétrico para o tratamento – nesse caso com renda mensal de até três salários-mínimos. Também têm direito as famílias indígenas, quilombola ou com integrante que receba o Benefício de Prestação Continuada.  Acesse www.energisajuntos.com.br e conheça detalhes do programa.

Fonte: Assessoria

CN

Preço do tambaqui: veja a nova cotação da Emater em RO

Segundo a Emater, o menor preço do kg do tambaqui foi encontrado em Alta Floresta d’Oeste e o maior em Cabixi.

O preço médio do quilo do tambaqui está custando R$ 9,60 em Rondônia, segundo cotação divulgada pela Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater) nesta segunda-feira (11).

A pesquisa mostra o valor pago ao produtor rural pelo peixe e é referente a primeira semana do mês de abril. Segundo a Emater, o menor preço do kg do tambaqui foi encontrado em Alta Floresta d’Oeste e o maior em Cabixi.

Veja o preço do tambaqui em RO

MunicípioValor pago ao produtor
Alta Floresta d’OesteR$ 7,40
Alvorada do OesteR$ 8
AriquemesR$ 7,70
CabixiR$ 13
CerejeirasR$ 12
Guajará-MirimR$ 11,50
JaruR$ 12
Ji-ParanáR$ 10
Machadinho do OesteR$ 8,30
Nova BrasilândiaR$ 9,50
Pimenta BuenoR$ 10
Porto VelhoR$ 8
Rio CrespoR$ 9
VilhenaR$ 8

Fonte: Emater

Na mesma cotação, a Emater levantou o preço do quilo do pirarucu em alguns municípios do estado. Na primeira semana de abril, o preço médio do quilo do pirarucu foi de R$ 13.

O melhor preço está sendo pago em Jaru (RO), onde é cobrado R$ 15 pelo quilo, seguido de Porto Velho, onde o produtor recebe R$ 14.

Fonte: Emater

CN

‘Mão invisível’ do mercado poderá resolver os problemas da economia do Brasil?

O Brasil precisa ter principalmente paciência para superar as distorções no mercado internacional.

É possível romper a crise econômica brasileira, mesmo quando fatores externos globais incidem sobre as cadeias de produção no mundo? Em entrevista à Sputnik Brasil, economistas divergem quanto a possíveis soluções para fugir dos problemas econômicos.

Assim como é inimaginável um processo de “desglobalização” no século 21, quando as crises globais ocorrem, as cadeias de produção internacionais inexoravelmente se tornam vítimas da volatilidade dos preços. Foi assim durante a pandemia de COVID-19.

Com o conflito na Ucrânia, dadas as sanções dos EUA e seus aliados contra a Rússia, eram de se esperar consequências para as economias no mundo, como o aumento de preços e o desabastecimento de alguns produtos.

Entre a insegurança dos investidores e os problemas que atingem as camadas mais vulneráveis do Brasil com o impacto de um furacão, é preciso pensar em alternativas para fugir da alta dos preços, da falta de insumos e da fome.

É nesse sentido que economistas consultados por esta reportagem divergiram: mais Estado ou mais “mão invisível”? Qual arcabouço de estratégias pode minimizar o impacto dos fatores externos em setores de produção estratégicos para o desenvolvimento do Brasil?

A avaliação de Walter Franco, professor de macroeconomia e finanças corporativas do Ibmec, é a de que “as cadeias de produção voltarão ao normal” em breve, e, por essa razão, o Brasil precisa ter principalmente paciência para superar as distorções no mercado internacional. “No curto prazo, as coisas estarão nos eixos”, comentou.

Esse caminho, no entanto, é considerado arriscado para outros dois economistas, Lauro Barillari, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Fabio Sobral, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC). Em um contraponto ao entendimento de Walter Franco, eles afirmaram que o Brasil carece de organização e medidas paliativas, coordenadas pelo Estado brasileiro, para contornar os efeitos das sanções internacionais sobre a economia russa.

Para eles, a alta nos preços dos alimentos, assim como a política de preços da Petrobras que envolve o uso de combustível, são problemas que poderiam ser resolvidos caso o país adotasse medidas para proteger a sua economia. Ambos argumentam que, diante de crises globais severas, como se vê no cerceamento da economia russa, os países precisam estar protegidos.

A crise dos preços tem relação com a política nacional para o agronegócio?

Um dos principais problemas envolvendo a atual crise econômica do Brasil é o custo dos alimentos nas prateleiras dos supermercados. Muitos apontam uma contradição entre o Brasil ser um grande exportador de produtos agrícolas e de pecuária e as dificuldades para os brasileiros garantirem uma alimentação qualificada.

Walter Franco rejeita essa aparente contradição. Ele observou que o PIB do país passa dos R$ 7 trilhões, mas o agronegócio representa apenas 6,5% desse valor. Nesse sentido, o economista explicou que há uma confusão entre a importância do agro para o PIB e o poder aquisitivo das famílias brasileiras.

“A economia brasileira é aberta e globalizada, cuja grande parte dos preços internos é balizada pelo mercado externo. A taxa de dólares influencia a taxa de commodities e outros fatores. Desse modo, o poder aquisitivo das famílias está pouco ligado ao agro. Nosso agro é o melhor, o mais dinâmico do mundo, mas não é o maior gerador de empregos”.

Após ter deixado o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014, o Brasil tem convivido com um cenário de crescente insegurança alimentar. No ano passado, 19 milhões de brasileiros passaram fome, e mais da metade dos domicílios no país enfrentou algum grau de insegurança alimentar, segundo dados da Rede Penssan”.

O problema tem diversas justificativas, como a inflação que afeta gêneros alimentícios básicos desde o ano passado e o alto índice de desemprego. Embora integre a cadeia produtiva do país, o agronegócio é um mercado dominado globalmente por um seleto grupo de multinacionais. Juntas, as empresas ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus controlam 70% da produção, comercialização e transporte de produtos agrícolas.

O setor é marcado por sucessivas fusões entre grandes marcas, que aumentam a concentração nos mercados de sementes, agrotóxicos e terras. Nessa configuração, o foco do agronegócio está no atendimento da demanda global por commodities, que vivem um boom de preços.

Como um setor capitalista globalizado que produz commodities, o agronegócio vende para qualquer mercado que puder comprar. O arroz, por exemplo, é um dos itens da rotina alimentar dos brasileiros que mais foram afetados pela inflação, chegando a registrar 70% de aumento nos preços ao longo de 12 meses.

Entre a Escola de Chicago e a crise

Tradicionalmente, a intervenção do Estado na economia é uma linha que separa economistas em duas correntes. Desde 2016, como observou Walter Franco, o Brasil tem uma economia de mercado aberta. Por essa razão, “não há como reduzir impactos” em um período de curto prazo, pois qualquer intervenção poderia assustar o mercado financeiro. Ele lembrou, citando alguns dados, o bom momento que a Bolsa de Valores de São Paulo está vivendo.

Segundo ele, os preços são internacionais, e “não há como fazer nada. O Brasil não deve buscar interferência do Estado na composição dos preços internos”. Walter Franco acrescentou que se há algo que possa ser feito neste momento, é a “busca por alternativas” na indústria nacional.

Paulo Guedes no lançamento do Plano Safra do Banco do Brasil 2021/2022 - Sputnik Brasil, 1920, 11.04.2022
Ministro da Economia, Paulo Guedes, no lançamento do Plano Safra 2021/2022 do Banco do Brasil. ©Marcos Corrêa / Palácio do Planalto

Na verdade, “a busca por alternativas na indústria nacional” é um problema histórico do Brasil, agravado nos últimos anos por um processo de desindustrialização. A crise na indústria brasileira foi publicamente deflagrada durante a pandemia de COVID-19. O coronavírus expôs o estado depreciado da indústria nacional, com falta de insumos, respiradores e diversos outros produtos.

Não obstante, os três economistas consultados por esta reportagem apontam que a principal saída no Brasil para a crise global em função do conflito na Ucrânia e das sanções internacionais é justamente o investimento na indústria brasileira. Franco aponta para a necessidade de uma reforma tributária ampla, que tenha um olhar especial sobre impostos pagos pelo setor industrial do país.

Para Lauro Barillari, as reformas são importantes, mas é preciso que venham acompanhadas por uma série de investimentos adjacentes, como um plano que garanta que parte das commodities do país seja destinada ao consumo nacional. Porém os investimentos estruturais, como apontou o economista, “quase não têm respaldo” na equipe de Paulo Guedes, ministro da Economia do Brasil.

Embora seja um defensor da redução de impostos sobre o setor industrial, o ministro brasileiro se opõe ao controle do Estado sobre a economia. Desse modo, ele parece compartilhar da visão exposta por Walter Franco. Segundo ele, “as cadeias de produção voltarão ao normal. O combustível e os alimentos vinham com altos preços, mas em função da COVID-19. A inflação neste momento é global e é causada mais pela pandemia do que pela Ucrânia” e pelas sanções norte-americanas.

Fabio Sobral, por sua vez, denuncia a fé cega do governo de Jair Bolsonaro na iniciativa privada, “como se o mercado fosse ser regulado por si só”. Para ele, a inércia do Estado “provoca fome, e eles preferem atender aos interesses do mercado do que à capacidade de sobreviver dos brasileiros“. Ele aponta que “há diversos fatores que justificam o empobrecimento da população brasileira“, a despeito do conflito na Europa e da pandemia que arrasou o país.

‘A população está mais pobre’

As divergências entre os especialistas, apesar de qualquer viés ideológico, apontam que não existe uma “receita de bolo” para fugir da crise global. Desse modo, é preciso tratar cada mercado, seja o agronegócio, a indústria, o setor de serviços ou o mercado financeiro, a partir de suas particularidades e das necessidades da população.

Por um lado, essa segregação fica evidente ao se levar em conta a política de preços da Petrobras, a mais importante estatal brasileira, que até o momento em que esta reportagem foi escrita, permanecia sem um presidente devidamente indicado por Jair Bolsonaro. A ausência de um representante na empresa é símbolo da delicada discussão sobre o que fazer com uma política de preços dolarizados.

Analogamente, essa discussão se estende ao agronegócio brasileiro. Fabio Sobral explicou que “boa parte do agro é voltada para o exterior”, sem nenhuma necessidade de atender o mercado interno, que sofre com preços dolarizados. E enquanto eles sobem por fatores externos, os salários são achatados, e isso provoca uma enorme distorção social”, comentou.

Lauro Barillari explicou que “para minimizar os impactos dos fatores externos na economia do Brasil, a gente precisa incentivar a indústria nacional através de reformas, como a tributária, e tendo um projeto de longo prazo para a criação de uma matriz industrial, diversificada, que esteja alinhada com as demandas e interesses nacionais“.

Ele entende que o Brasil apenas sofre impacto de fatores externos se não houver nenhum controle sobre as exportações industriais e de commodities.

“É preciso instruir cotas de exportação, assim como outras políticas públicas para garantir o mínimo à população”, enfatizou.

Os efeitos da crise, na visão dele, “podem ser mitigados através da redução de impostos, reformas estruturantes que incidam no preço da gasolina e dos transportes e investimento em novas matrizes de transporte, como ferroviária e hidroviária, além de incentivar pesquisa e desenvolvimento para tecnologias que reduzam a dependência de insumos importados“.

Fonte: Sputnik

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