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Vídeo: parlamentares evangélicos atacam clínica para impedir aborto de criança de dez anos

Grupos de fundamentalistas religiosos criaram confusão ao tentar entrar no hospital e xingaram a criança de “assassina”.

Parlamentares evangélicos e um grupo de fundamentalistas religiosos tentaram impedir a realização do procedimento de aborto legal de uma criança de dez anos na tarde deste domingo, no Recife. A menina veio do Espírito Santo, onde foi estuprada pelo tio, para realizar a interrupção em Pernambuco, no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), centro de referência no atendimento ao aborto legal. Apesar da determinação da Justiça para interromper a gravidez, no sábado, a equipe médica  do Espírito Santo se recusou a fazer o procedimento. A criança chegou a Pernambuco no começo da tarde, acompanhada da avó e de uma assistente social do Espírito Santo, e seguiu direto para o centro médico. Veja a manifestação no vídeo abaixo:

Os evangélicos estavam desde meio dia em frente à maternidade, esperando a criança chegar, não permitindo que pessoas entrassem. Eles criaram uma confusão ao tentar entrar no hospital e xingaram a criança de “assassina”.

Os deputados estaduais Clarissa Tércio (PSC) e Joel da Harpa (PP), ambos da bancada evangélica, estavam desde cedo com o grupo de fundamentalistas. Eles gravaram vídeos com os apoiadores e também criaram confusão ao tentar entrar no hospital.

Já no fim da tarde, chegaram também o deputado estadual e pastor Clayton Collins e a vereadora do Recife Michele Collins.

“Quando a menina entrou, chamaram a menina de assassina e estão fazendo a maior pressão. Não deixaram Olimpio entrar, que é o diretor médico da maternidade, está a maior confusão. Eles se ajoelharam na frente da maternidade, ficaram orando, fazendo barulho. A gente teve que intervir”, relatou Elisa Aníbal, advogada e integrante da organização Grupo Curumim. A criança está sendo acompanhada pelo Grupo Curumim e pela Frente Nacional Contra Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto.

“Eles já estavam aqui desde meio dia, ficaram sabendo porque o pessoal do Espírito Santo, da igreja, conseguiram a informação e passaram. Ela estava no vôo ainda”, conta a ativista. Um grupo de mulheres também se organizou para protestar contra a ação dos evangélicos.

De acordo com Olímpio Moraes, diretor médico do Cisam, a menina já realizou a interrupção e passa bem. Ela segue internada para a finalização do procedimento de expulsão do feto. A criança veio por meio do encaminhamento da Secretaria de Saúde do Espírito Santo para o Cisam, que é um centro de referência no atendimento ao aborto legal.

“Acho que o pessoal do Espírito Santo comunicou que a menina estava sendo transferida. E a gente mantém sigilo para evitar esses problemas. Essa é uma maternidade que atende muitos casos graves, de alto risco, de paciente graves. Essa aglomeração prejudica até a entrada, o acesso à maternidade daquelas mulheres que estão chegando para parir com risco de morte e causa um problema”, criticou o diretor.

Ele teve que chamar o reforço policial para entrar na maternidade e garantir que pacientes não fossem constrangidos pelo grupo religioso. “Eu mesmo fui impedido de entrar na maternidade. Quando cheguei, a deputada Clarissa Tércio, que eu nem conhecia, queria falar comigo. Ela estava até calma, tranquila, mas o problema são a pessoas em torno. Fizeram um cordão de isolamento na entrada da maternidade e quando acabei de explicar o que estaca acontecendo não me deixaram entrar. Com palavra de ordem, de assassino, e outras palavras mais. Eu não consegui entrar, só quando chegou a viatura policial”, conta.

“Nós trabalhamos atendendo a população pernambucana e nordestina há mais de 20 anos e nunca presenciei isso. Eu acho que o ódio, a intolerância estão sendo impulsionadas nesse momento que estamos vivendo de negacionismo, de fundamentalismo religioso”, avalia Olímpio.

Fonte: Congresso em foco

Criança Morre eletrocutada ao tocar cerca de casa energizada

“Havia intenção deliberada de, cedo ou tarde, prejudicar uma vida humana”, avaliou o delegado Danúbio Dias, do DHPP.

Menina de 8 anos morre eletrocutada ao tocar em cerca eletrificada em Teresina
Menina de 8 anos morre eletrocutada ao tocar em cerca eletrificada em Teresina

O delegado Danúbio Dias, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Teresina, informou que a casa onde Alice Silva, de 8 anos, morreu eletrocutada nesta sexta-feira (24), tinha todas as portas e janelas energizadas.

Janela da casa estava energizada de forma rudimentar, segundo o delegado. — Foto: Neyla do Rego Monteiro/G1
Janela da casa estava energizada de forma rudimentar, segundo o delegado.

Ainda segundo o delegado, a energia usada pelo proprietário da casa, que ainda não foi localizado e nem identificado, era proveniente da casa vizinha. Contudo, a polícia ainda investiga se o fornecimento era autorizado ou não. Dias informou que a Equatorial Piauí fará uma avaliação técnica.

Ele disse que a ação de energizar cerca, portas e janelas foi intencional e foi feita de forma rudimentar.

Ele disse que o dono da casa ainda não foi identificado e nem localizado e que ele provavelmente seria linchado pelos vizinhos, que ficaram revoltados após a morte de Alice e depredaram a casa.

“Havia intenção deliberada de, cedo ou tarde, prejudicar uma vida humana”, avaliou.

“Ele ligou portas e janelas diretamente no fio de energia da residência ao lado. Colocou a ponta dos fios desencapados nas portas e janelas. Qualquer pessoa ou animal levaria um choque elétrico se tocasse ali”, descreveu o delegado Danúbio Dias.

Casa do vizinho foi invadida após morte da menina.  — Foto: Neyla do Rego Monteiro
Casa do vizinho foi invadida após morte da menina.

Sobre a acusação à qual o homem irá responder, o delegado disse que dependerá das investigações.

“Depende de várias coisas. Se há um possível dolo eventual ou culpa, consciente ou não. Esses detalhes é que vão determinar o rumo de um indiciamento. É preciso saber se houve intenção ou não de matar”, explicou.

Menina morreu eletrocutada

Alice Silva, de 8 anos, morreu na manhã desta sexta-feira (24) no conjunto Parque Brasil II, na Zona Norte de Teresina, após tocar em uma cerca eletrificada da casa de um vizinho.

Polícia isolou o local onde menina morreu eletrocutada após tocar em cerca. — Foto: Neyla do Rego Monteiro/G1
Polícia isolou o local onde menina morreu eletrocutada após tocar em cerca.

Uma vizinha, Teresinha de Jesus, contou que as crianças bateram palmas diante da casa para chamar o morador, que não apareceu. Ela então saiu de casa e presenciou a situação. Teresinha relatou que a cerca já estava eletrificada havia algum tempo e que animais já haviam morrido eletrocutados.

“A gente sabia, há tempos falava, ‘vizinho, desligue isso, já morreram cachorros aí, ainda vai morrer criança aí’. Ele achava que não daria em nada. O resultado hoje é esse, uma criança faleceu”, lamentou.

Fonte: G1