Com a liberdade de expressão cerceada, deputado dá entrevista e agora tem 48 horas para se explicar a Moraes

Na ocasião, ele pediu desculpa pelas manifestações contra a Corte.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, mandou a defesa do deputado federal, Daniel Silveira (PSL-RJ), esclarecer, em até 48 horas, “o motivo e as circunstâncias da entrevista prestada por ele, sem autorização judicial, ao jornal Folha de S. Paulo”.

O parlamentar cumpre prisão domiciliar desde o dia 14 de março e estaria proibido de se comunicar e também utilizar redes sociais; desde que foi preso, em fevereiro deste ano, por postar vídeo na internet; criticando os integrantes da Corte.

Silveira chegou até a participar de uma sabatina na Câmara dos Deputados, na qual se mostrou bastante abalado e emocionado pelos motivos que levaram à sua prisão repentina. Na ocasião, ele pediu desculpa pelas manifestações contra a Corte.

Em entrevista publicada pela Folha, nesta terça-feira (13), Silveira alegou que está “em uma prisão inconstitucional”.

O deputado foi preso por ordem de Alexandre de Moraes no âmbito do famigerado inquérito das Fake News. Ele protocolou, na segunda-feira (12), uma proposta de alteração da Lei Antiterrorismo, que propõe classificar desta forma o “ato praticado com motivação criminal” que pretende impor “terror social ou generalizado”.

Também, na terça-feira (13), o parlamentar apresentou outro projeto sobre a liberdade de expressão e informação na internet. Uma das sugestões é que as redes sociais só possam excluir conteúdo dos usuários com autorização da Justiça.

Fonte: Folha

Governo concede entrevista sobre pagamento do auxílio emergencial

Governo Federal confirmou o número de 4 parcelas, sendo R$ 250 para a maioria dos benefíciários, R$ 375 para mulheres chefes de família e R$ 175 para pessoas que vivem só

O presidente da República, Jair Bolsonaro, o ministro da Cidadania, João Roma, e os presidentes da Caixa, Pedro Guimarães, e da Dataprev, Gustavo Canuto, concedem entrevista coletiva sobre o pagamento do novo auxílio emergencial.

Acompanhe, ao vivo, o pronunciamento:

No último dia 26, foi publicado decreto que regulamenta o pagamento do auxílio emergencial 2021, instituído no último dia 18 de março por meio de Medida Provisória.

O apoio financeiro será pago a trabalhadores informais de baixa renda e aqueles inscritos em programas sociais como o Bolsa Família, caso o novo benefício seja mais vantajoso.

Fonte: Kelly Oliveira A/B

Líder do governo diz que Brasil está em situação ‘confortável’

Deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) afirmou que país está em 22º lugar em número de óbitos por milhão de habitantes

O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, afirmou nesta quarta-feira (17), em entrevista à emissora “Globonews”, que o Brasil vive uma situação “até confortável” na pandemia, se comparado a outros países.

A afirmação se dá um dia após o Brasil bater recorde de mortes por covid-19, com 2.842 óbitos. No total, o país tem 282.128 mortes registradas desde a chegada do novo coronavírus ao país.

Barros, que já foi ministro da Saúde no governo de Michel Temer, comparou mortes por milhão de habitantes e indicou que o país está em 22º lugar, registrando 1.314 óbitos a cada 1 milhão de pessoas.

“Nossa situação não é tão crítica assim comparada a outros países. É uma situação até confortável”, afirmou.

Outra lista da universidade aponta o Brasil como líder em números absolutos de casos diários de covid-19 no mundo, tendo ultrapassado os Estados Unidos, que por meses lideraram a lista.

O ministro falou em repique da doença no mundo. “É natural que haja nesse momento, de pico de pandemia, um repique da pandemia. Não esperávamos ter esse aumento de casos, e acontece mundialmente. Já estamos com o sistema de UTIs mais estruturado, mas ainda assim temos tido, em alguns lugares, o esgotamento da rede”, disse.

Fonte: R7

Mourão diz que Lula ficou no passado e já deu sua contribuição

Vice-presidente afirmou em entrevista que o país precisa de políticos da era analógica e falou sobre trabalho na Amazônia

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quarta-feira (17) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou no passado e já seu sua contribuição para a política do país. As afirmações foram dadas em entrevista à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro.

“Eu vejo que o Lula já ficou no passado. A gente tem que ir para frente, precisamos de novas lideranças, existe muita gente no país com capacidade, inclusive dentro do próprio partido dele, ele já é um homem na proximidade de 80 anos, nada contra, mas ele já teve sua contribuição na vida política do Brasil por oito anos”, afirmou.

O vice-presidente voltou a afirmar que Lula é hoje um político da era analógica, e que o Brasil precisa de políticos da era digital. 

Mourão, presidente do Conselho Nacional da Amazônia, destacou a atuação do governo na região. As Forças Armadas combatem o desmatamento desde maio do ano passado e obteve uma redução de 25% nessa prática ilegal, segundo ele.

“E vamos continuar nesse sentido deixando muito claro o compromisso do Estado Brasileiro representado pelo Governo do Presidente Bolsonaro com a preservação da Amazônia”.

Fonte: R7

Brasil será autossuficiente em vacinas ainda este ano, diz Pazuello

Em entrevista exclusiva, ministro disse que o Brasil tem que ser polo exportador de vacinas para a América do Sul

Em entrevista exclusiva concedida nesta quinta-feira (25) em Brasília, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que “o Brasil tem que se tornar autossuficiente e tem que ser polo exportador para a América do Sul” ao falar sobre as vacinas contra a covid-19. Com produção nacional e exportação de vacinas, será possível “criar um cinturão de proteção” para conter as reinfecções, disse o ministro.

Para o ministro, não adianta apenas o Brasil estar imunizado. “Se não vacinarmos a América do Sul, não estaremos seguros”. Os países vizinhos também precisam de vacinas e é por isso que o Brasil precisa fabricar a vacina, disse Pazuello, destacando a importação da tecnologia da AstraZeneca para produção nacional da vacina de Oxford. “A partir de julho nós fabricaremos o IFA (na Fiocruz) e estamos em tratativas com o Butantan para, a partir do final do ano, produzir o IFA da vacina chinesa (CoronaVac) “.

O ministro comentou a marca de 250 mil mortes no país e exaltou o papel do serviço público. “É lamentável, mas o Brasil teria o triplo de óbitos se não houvesse o SUS”. Pazuello disse que não falta verba para o combate à pandemia, mas gestão, ao destacar que há R$ 18 bilhões disponíveis nos municípios.

Sobre a recente aprovação pela Anvisa da vacina da Pfizer, o ministro disse que as negociações com a farmacêutica continuam, mas que a compra só acontecerá quando houver autorização pelo Congresso.

Fonte: R7

Em entrevista, Ismael Crispin defende medidas de apoio para pequenos produtores rurais

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Setor conseguiu ajudar na sustentabilidade financeira do Estado e manteve os postos de trabalho

Na manhã desta terça-feira (23), em entrevista ao programa Fala Rondônia da Rede TV, apresentado pelo jornalista Adão Gomes, com a participação do Léo Ladeia e Bruno Eduardo, o deputado Ismael Crispin (PSB) destacou suas ações de trabalho e os desafios do mandato diante da pandemia do Coronavírus. 

Segundo o deputado, a população precisa ajudar o Estado de Rondônia e seguir à risca com as medidas de enfrentamento a covid-19.

“Estamos diante de um vírus letal e que deixa muitas sequelas. Hoje a nossa maior expectativa de cura é a vacina e desde março do ano passado que defendo que temos duas alternativas para essa situação, Deus, nosso ser supremo e depois o instrumento utilizado por ele, os cientistas”, disse.

Como grande defensor da agricultura familiar, o deputado Ismael Crispin fez questão de ressaltar durante sua entrevista, a necessidade de apoiar os pequenos produtores rurais de Rondônia. “Com a chegada da pandemia, observamos que o setor que mais conseguiu ajudar na sustentabilidade financeira do Estado e manteve os postos de trabalho foi a agricultura e dessa forma precisamos garantir mais investimentos, insumos e implementos agrícolas para fortalecer o setor”, pontuou.   

De acordo com o parlamentar, é necessário focar as atenções na agricultura familiar e no pequeno produtor. “Nesse momento de dificuldade, esses pequenos têm sido os grandes empreendedores. Um município pequeno como Santa Luzia do Oeste por exemplo, tem cerca de 200 propriedades, cada uma com 5 empregados, são cerca de 1.000 postos de trabalho gerados. Agora não é todo município que comporta uma empresa grande, com essa mesma quantidade de funcionários”, relatou.

Conselho de ética

Na ocasião, o deputado foi questionado a respeito dos processos de cassação que estão em tramitação na Assembleia Legislativa. “Aproveitamos a oportunidade para esclarecer, que meu mandato de presidente do Conselho de Ética, instituído para analisar os pedidos em andamento, encerrou no dia 31 de janeiro. Em breve, um novo presidente será escolhido e iremos continuar acompanhando os processos em andamento para dar uma resposta a população”, destacou.

 Comissão de Segurança Pública

O deputado abordou ainda, as alterações nas comissões permanentes da Casa de Leis. “ Com a mudança da composição da mesa diretora, os membros das comissões também foram alterados. Nesse biênio estarei como presidente da Comissão de Segurança Pública e membro das Comissões de Constituição e Justiça, Educação e Cultura, de Transporte e Obras Públicas, de Habitação e Assuntos Municipais e como 1º suplente nas Comissões de Agropecuária e Política Rural e de Defesa dos Direitos da Criança, Adolescente, da Mulher e do Idoso”, pontuou.

Como presidente da Comissão de Segurança Pública, o deputado ressaltou que atuará por melhores condições de trabalho, realização de concursos, plano de cargos e carreiras e principalmente reconhecimento salarial. 

Texto: Laila Moraes – ALE/RO

Governo de Rondônia confirma prorrogação do programa AmpaRO

Em entrevista ao Jornal de Rondônia o governador Marcos Rocha anunciou.

O governador Marcos Rocha anunciou em primeira mão, durante entrevista, que o estado de Rondônia decidiu retomar o Programa de Transferência de Renda Temporária (AmpaRo), que beneficia famílias em situação de extrema pobreza.

O retorno do programa foi necessário por causa dos impactos financeiros causados às famílias, pois a pandemia da Covid-19 continua em 2021.

Segundo Marcos Rocha, o benefício será pago a todos os beneficiários por mais seis meses em Rondônia, mas com um valor menor: R$ 100 por mês.

“Eu conversei com a Seas, com a secretária Luana Rocha, e falei para ela trabalhar para que a gente pudesse dar continuidade com o programa. A gente não tinha o recurso que era pago antes, de R$ 200, e diretamente em conta. Mas nós fizemos o cálculo e vamos manter as mesmas pessoas que recebiam anteriormente, mas agora em valor menor: R$ 100. É um apoio que a gente vai dar durante seis meses, contribuindo aí com as pessoas de baixa renda”, disse em entrevista.

Ainda conforme o governador, o estado vai pagar, inclusive, o último mês de janeiro. O valor será pago junto com o mês de fevereiro, através do aplicativo Caixa Tem.

Marcos Rocha reiterou que não serão abertas novas inscrições para o AmpaRo. “As mesmas pessoas que recebiam anteriormente vão continuar no programa [irão receber automaticamente]”, explicou.

Programa

O AmpaRo foi criado em julho de 2020 e beneficiou cerca de 28 mil famílias em situação de vulnerabilidade social cadastradas no Programa Bolsa Família, com renda per capta familiar declarada no Cadastro Único de até R$ 89.

Inicialmente, o complemento de renda pago pelo estado era de R$ 200, pelo aplicativo Caixa Tem. A 6ª parcela do AmpaRo foi depositada em dezembro.

Fonte: Rede Amazônica

Caixa vai lançar programa de financiamentos de até R$ 2 mil

Proposta é ofertar financiamentos para mais de 10 milhões de pessoas

O presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Pedro Guimarães, disse ontem, na terça-feira (29) que a instituição vai lançar o que chamou de “programa de microfinanças”. A proposta, segundo ele, é ofertar financiamentos que variam de R$ 500 a R$ 2 mil para mais de 10 milhões de brasileiros, com taxas de juros entre 1,5% e 2,5% ao mês.

“São taxas muito menores de juros e que vão permitir que mais de 10 milhões de brasileiros tenham acesso ao crédito de maneira segura, rápida, sem precisar ir à agência. Isso reforça a bancarização e reforça o acesso dessa população mais carente ao setor financeiro”, explicou, durante entrevista ao programa Voz do Brasil.

Financiamento habitacional

Segundo Guimarães, algumas iniciativas já em andamento, como o Programa Casa Verde e Amarela, também passarão a ter sua operacionalização pelo celular por meio do aplicativo Caixa Tem.

“Todos os contratos desse programa serão, a partir do ano que vem, via aplicativo”, disse. Hoje, segundo estimativas da instituição, 4,5 milhões de brasileiros possuem algum tipo de contrato de habitação. “Vamos migrar esses e novos contratos serão feitos pelo aplicativo”, concluiu.

Fonte: Pedro Ivo de Oliveira A/B

Bolsonaro atrapalha combate à pandemia, diz o ex-ministro Nelson Teich

A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Globo.

O Ex-Ministro da Saúde entre 17 de abril e 15 de maio, o médico Nelson Teich deixou o governo ao ser pressionado pelo presidente Jair Bolsonaro a disseminar o uso da cloroquina no combate à covid-19. Dez meses após a chegada da pandemia ao Brasil e sete meses após deixar o ministério, Teich considera que o número de mortes provocadas pelo coronavírus é superior ao anunciado (hoje, oficialmente, cerca de 190 mil) e já passa de 220 mil. Em entrevista ao jornal O Globo, o ex-ministro aponta a falta de liderança, de estratégia e de planejamento entre as principais falhas cometidas pelo governo federal no combate à covid-19. E também responsabiliza Bolsonaro.

“Falta de tudo: planejamento, estratégia, liderança, coordenação e informação. Tudo isso aí não é uma coisa só. As pessoas falam de temas como se fossem uma bala de prata. Dizem que a Coreia do Sul foi bem porque investiu em testagem, por exemplo. Mas a testagem faz parte de uma estratégia maior. É a forma de evitar que as pessoas passem (o vírus) para os outros. Os países que tiveram grande controle foram os que conseguiram evitar casos novos. Tem países que fizeram coisas diferentes e deram certo. É um conjunto de ações. Tem que ter diálogo imenso com estados, municípios, uma comunicação com a sociedade forte. Por isso, estratégia e planejamento são fundamentais.”

Para Teich, Bolsonaro atrapalhou o combate à pandemia ao ter um discurso não alinhado ao do ministério. “Numa situação como essa, você tem que ter uma coordenação em linguagem única máxima. Toda vez que você tem um conflito de informações, de mensagem, de posicionamento, você confunde as pessoas. Não ter uma comunicação alinhada, forte, todo mundo mandando a mesma mensagem, dificulta o combate à pandemia, claramente”, afirmou.

“Liderança não é uma coisa que você consegue por decreto, precisa ser legitimada. O líder real não se impõe, ele é escolhido. Os estados, municípios precisam ver que é melhor estar com o governo federal do que sozinhos. E tem que haver um trabalho de comunicação também. Chegamos agora a um cenário parecido com o início da pandemia, com problemas de falta de equipamentos. Já devemos ter chegado a 220 mil mortos, porque há uma subnotificação”, diz.

Na avaliação do ex-ministro da Saúde, a concessão do auxílio emergencial foi o grande acerto do governo no enfrentamento da pandemia. “Claro que você sempre vai ter problemas quando repassa (verbas) para milhões de pessoas, empresas. Outro problema é que a gente ainda tem pouca informação sobre essa doença, e trabalhar no meio de tanta incerteza é uma crise fenomenal. Todo dia você tem que rever decisões. Algo que você imaginou que daria certo e não deu. Se essas coisas são tratadas para criar guerra política, polemizar, agredir, você não consegue ter paz para fazer as coisas acontecerem.

Teich admite que a pressão do presidente para que o ministério encampasse a defesa do uso da cloroquina, mesmo sem comprovação científica sobre a eficácia do medicamento contra o coronavírus, foi a gota d’água para que ele deixasse o governo. “Foi um gatilho que me fez enxergar que eu não teria autonomia e legitimidade para fazer as mudanças que precisavam ser feitas. Eu poderia ter pegado carona com o Conselho Federal de Medicina (que defendeu à época a possibilidade de prescrição mais ampla, até então restrita aos pacientes graves), mas como vou aprovar um remédio que não funciona? Se meu lado técnico, que era um dos meus pontos fortes, não é respeitado, decidi que não havia como continuar.”

O ministro diz que daria nota 7 para o governo e 6 para o Ministério da Saúde pela condução da crise e que priorizaria a compra das vacinas caso voltasse ao cargo. Teich assumiu a pasta após a ruidosa saída de Luiz Henrique Mandetta, demitido após divergir publicamente do presidente Jair Bolsonaro das formas de enfrentamento ao novo coronavírus.

“Tem detalhes que não estão sendo discutidos. A maioria da vacinas é de duas doses. Uma pergunta: eu vou vacinar uma pessoa duas vezes ou vou dar a primeira em quem não recebeu ainda? Tem que sentar com a indústria e discutir no detalhe. Quanto tempo eu tenho para fazer a segunda dose? 14 dias, 21 dias? É o período máximo ou posso postergar? É uma discussão fundamental. As coisas são trabalhadas de uma forma muito pouco técnica, esse é o problema”, disse o ex-ministro às repórteres Paula Ferreira e Renata Mariz.

Fonte: Congresso em Foco

Psiquiatra alerta para relação do câncer de mama com doenças mentais

Especialista sugere acompanhamento psiquiátrico no tratamento

O movimento Outubro Rosa marca o mês de conscientização do cuidado e de prevenção ao câncer de mama, mas também ressalta a importância de se compreender e dialogar sobre a relação do tratamento do câncer de mama e as doenças mentais, para o enfrentamento de todo o processo.

Em entrevista, o psiquiatra Joel Rennó, coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), disse que uma em quatro mulheres que recebem diagnóstico de câncer de mama acabam sendo mais vulneráveis a desenvolver um quadro de depressão.

“A gente pode analisar múltiplos fatores envolvidos que englobam diversas fases, desde o diagnóstico, o prognóstico, o tratamento e os efeitos adversos colaterais que, muitas vezes, vêm acompanhados nos tipos de câncer de mama mais agressivos, em função do tratamento”, explicou o psiquiatra. Segundo o médico, alguns tratamentos provocam gatilhos que podem ser estressores para o início ou até para piora de um quadro depressivo nessas pacientes.

O médico Joel Rennó alertou que nesse momento de pandemia do novo coronavírus (covid-19), muitas mulheres procuram tardiamente ou estão adiando seus exames de rotina. “Isso também acaba sendo um grande problema porque, às vezes, você pode não descobrir um estágio precoce do câncer de mama, que leva a um melhor prognóstico”.

Transtornos

Para o psiquiatra Jorge Jaber (na foto em destaque), membro da Academia Nacional de Medicina (ANM), a alta incidência de depressão e ansiedade em mulheres com diagnóstico de câncer de mama envolve tanto fatores emocionais, como físicos. “Por atingir os seios, órgãos associados à feminilidade, sexualidade e maternidade, o câncer de mama tem impacto direto na estrutura emocional e psicológica da mulher, podendo provocar uma redução em sua autoestima e, consequentemente, na sua própria capacidade de criar resistência imunológica às células cancerígenas”.

Jaber lembrou que, ao mesmo tempo, o câncer, em si, provoca alterações no metabolismo, que podem abrir caminho para transtornos mentais como a depressão e a ansiedade. “É um processo que se autoalimenta”, disse, acrescentando que não se trata somente de uma questão de autoestima. “Por seu simbolismo e estigma, o câncer torna mais palpável a consciência da morte, que pode gerar uma reação depressiva, que diminui a capacidade de resposta do organismo não apenas contra o agente invasor, mas também contra os problemas mentais”.

Estigma

Como todo câncer, o de mama é uma doença oncológica que gera, muitas vezes, um estigma, segundo o coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da ABP, Joel Rennó. Ele avalia, no entanto, que tem melhorado gradativamente essa visão, já que a ciência tem evoluído e sabe-se que 90% dos casos de câncer de mama diagnosticados precocemente acabam tendo sucesso terapêutico e uma sobrevida significativa depois do período de acompanhamento de cinco anos. “De qualquer forma, o câncer ainda é uma doença estigmatizante, assim como a doença mental”.

O médico disse que por ser ainda uma doença estigmatizante, as reações iniciais em muitas mulheres são de medo, de angústia, de questionamentos sobre a razão de aquilo ter acontecido com elas, que sempre tiveram bons hábitos de vida, com exercícios físicos e alimentação saudável. 

“Tem esse estágio inicial de uma reação de luta, associada à tristeza, inconformismo, períodos de desesperança, irritabilidade, dificuldade de aceitação”, explica o médico. Joel Rennó é de opinião, no entanto, que de alguma forma vai tendo um ajuste, e as mulheres são orientadas por bons profissionais da área de oncologia clínica para enfrentar o tratamento. 

“Cada uma tem uma resiliência. Umas lidam bem logo de início, outras passam por essas instabilidades emocionais e, depois, acabam de alguma maneira racionalizando a situação e aprendendo a lidar com ela”.

Joel Rennó destacou também que é difícil para a mulher que se descobre com câncer de mama nesse tempo de pandemia abrir mão do papel de cuidadora dos filhos, da casa, durante o tratamento. Muitas mulheres se culpam durante o período de tratamento oncológico por não estarem conseguindo dar conta dessas demandas. Diante desse quadro, o médico recomenda que “dentro do possível”, as mulheres não fiquem focadas só na doença, nas dificuldades de tratamento, mas ressignifique experiências de vida. 

A situação de pandemia, segundo o médico, provoca depressão em muitos indivíduos pela falta de controle em relação ao futuro e que o câncer já dava isso individualmente porque leva as pessoas, a partir do diagnóstico, a rever o dia a dia sem fazer muitas projeções em relação ao futuro.

No entendimento de Rennó, o câncer por si só é uma doença estressante tanto para a mulher que está fazendo o tratamento, como para seus familiares. Por isso, ele salienta a importância de que haja um suporte do ponto de vista psicoafetivo no período que envolve o tratamento para que a mulher não se sinta inútil e que haja parceria com o companheiro.

Enfrentamento

Jaber ressaltou a importância de campanhas como o Outubro Rosa e a atuação de grupos de apoio como o do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca). Jaber afirmou que é preciso desmistificar o câncer como uma sentença de morte, o que ajuda a mulher no combate à doença.

Rennó defendeu que a mulher que descobriu um tumor de mama tenha apoio psiquiátrico desde o início do processo, porque se pode com isso prevenir que os quadros de depressão e ansiedade se agravem. 

“A gente sabe que quanto melhor a pessoa estiver do ponto de vista da saúde mental, mais chances ela tem de fazer todos os tratamentos e ter hábitos que contribuam para o sucesso terapêutico”.

Fonte: Agência Brasil

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