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Garimpo ilegal opera no AM sob vista grossa de ‘Mourão’

Operação Verde Brasil 2 envia informações contraditórias sobre combate à atividade na região

Apesar de a espessa fumaça dos incêndios florestais atrapalhar a visão, não há como perder a cena: diante da orla de Humaitá, no sul do Amazonas, dezenas de balsas de garimpo de ouro operam ilegalmente no rio Madeira, 24h por dia.

A atividade ocorre a algumas centenas de metros do 54º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército, uma das unidades participantes da Operação Verde Brasil 2, iniciativa do governo Jair Bolsonaro de combate a crimes ambientais na Amazônia.

Com uma longa tradição de garimpo e um histórico de resistência violenta à fiscalização, Humaitá, a 700 km de Manaus, guarda outra particularidade. Trata-se da terra natal da família paterna do vice-presidente, o general do Exército Hamilton Mourão, responsável pela Verde Brasil 2.

A repressão ao garimpo já provocou reações fortes. Em outubro de 2017, os escritórios revoltados com uma operação que destruiu balsas.

Quase três anos depois, os órgãos continuam fechados. A sede do Ibama está tomada pelo mato, enquanto o ICMBio apenas reformou o prédio do seu escritório, que era alugado.

Livres dos órgãos ambientais federais e sem a intervenção do Exército, ao menos 70 balsas extraíam ouro no trecho do Madeira que corta Humaitá no final de agosto, quando a reportagem esteve na região. Por se tratar de um rio interestadual, a fiscalização é do governo federal.

Garimpo Ilegal

A atividade de garimpo no Madeira dura cerca de quatro meses, durante o período de seca.

Moradores da cidade afirmam que a presença de balsas aumentou neste ano, em meio à subida do preço do ouro e à ausência de fiscalização.

No final de junho, a Operação Verde Brasil 2 lacrou algumas balsas, segundo relatos da imprensa local. O operativo, porém, não teve impacto maior, e a atividade foi logo retomada. Depois, apenas a Marinha aparece para retirar as balsas do canal de navegação, sem impedir a extração do ouro, dizem os garimpeiros.

Nesta terça-feira (8), o Exército enviou à reportagem duas notas com números divergentes sobre o combate ao garimpo. Um balanço da 17ª Brigada de Infantaria de Selva, com sede em Porto Velho, afirma que, em quatro meses, foram apreendidas apenas seis balsas de garimpo na região, que inclui Rondônia, Acre e o sul do Amazonas. Não há detalhes de datas ou locais.

Já uma resposta enviada pelo Comando Militar da Amazônia informou que a mesma operação apreendeu 93 dragas (balsas) de garimpo, das quais 27 entre os dias 3 e 5 de setembro. A localização das balsas tampouco foi informada.

Em ambos os balanços, não há relato de ouro apreendido.

Atividade ribeirinha

Rudimentares, as balsas de estrutura de madeira e teto de palha usam uma mangueira para aspirar o fundo do rio. A água enlameada escorre por um tapete, que retém o pó fino de ouro, e volta para o rio.

Esse movimento provoca o surgimento dos “arrotos”, acúmulos de sedimento que dificultam a navegação e seriam responsáveis pela erosão das margens. Há várias dessas ilhotas no trecho do rio que atravessa Humaitá.

Dentro da balsa, o forte barulho do motor, que expele um cheiro de óleo diesel, obriga a conversar aos gritos. Para separar o ouro, os garimpeiros usam mercúrio. A queima é feita dentro do cadinho, um equipamento parecido a uma pequena panela que consegue reter a maior parte do metal líquido, guardado para reutilização.

Diferentemente do que ocorre em outras partes da Amazônia, o garimpo tem empregado principalmente ribeirinhos da própria região. É o caso de Elanjo de Souza, 39, funcionário de uma das balsas perto de Humaitá junto de dois filhos adolescentes.

“Aqui em Humaitá, está todo mundo liso”, diz Souza. “A época do garimpo é quando corre o dinheiro na cidade.”

Com os bicos na cidade, ele ganha no máximo R$ 500 por semana. No garimpo, varia de R$ 1.000 a R$ 3.000 semanais.

Segundo os garimpeiros, cada balsa está produzindo de 50 a 70 gramas de ouro por semana. Quando a produção cai para baixo de 40 gramas, já é hora de procurar outro lugar.

Analfabeto, Souza também pescava e plantava, mas abandonou essas atividades três anos atrás. Ele diz que os peixes sumiram e as enchentes ficaram mais fortes depois da inauguração das usinas Jirau e Santo Antônio, um projeto iniciado durante o governo Lula (PT).

“Com a usina, fracassou o peixe. Não é mais o que era antes. O peixe vai e vem. Quando chega à barragem, como vai passar?”, afirma Souza. “Até as plantas não geram mais. Antes, era melancia, milho, tabaco. Agora, a enchente fica mais alta e mata tudo.”

Contaminação e regularização

Pesquisa feita em um dos afluentes do Madeira mostra que os peixes têm índices de mercúrio acima do permitido pela OMS (Organização Mundial da Saúde), segundo Marcelo Rodrigues dos Anjos, coordenador do Laboratório de Ictiologia e Ordenamento Pesqueiro do Vale do Rio Madeira da Ufam (Universidade Federal do Amazonas).

“A gente acredita que grande parte do pescado da bacia do Madeira esteja contaminado”, afirma Anjos.

A origem da contaminação de mercúrio, no entanto, não se restringe ao garimpo, segundo o pesquisador. Outra fonte importante são as crescentes queimadas na região, associadas ao desmatamento.

“O mercúrio está no solo, é removido, volatilizado e acaba, por meio de chuvas, sendo depositado nos rios”, afirma. Na água, o metal contamina principalmente animais no topo da cadeia.

Para Anjos, o melhor caminho é o da regularização do garimpo. “A ilegalidade promove um impacto muito maior. O que se deveria fazer é regular, por meio de cooperativas de garimpeiros, e criar protocolos que eles possam seguir a fim de minimizar o impacto previsto da atividade.”

A reportagem procurou o Ibama, que seria responsável por um eventual licenciamento ambiental, mas não houve resposta até a conclusão deste texto.

Fonte: F. de São Paulo | Por Fabiano Maisonnave e Lelo de Almeida

Da prisão, empresário continua mantendo atividades ilegal na Amazônia

Ministério Publico Federal recomenda fim de manejo, mas, grupo Chaules Pozzebom ainda sobrevive na ponta do abunã

Porto Velho, RO – Mesmo preso, madeireiras e serrarias ligadas a Chaules Volban Pozzebon continuam em pleno funcionamento no Estado de Rondônia, sobretudo ao longo dos distritos de Porto Velho, Ponta do Abunã. Segundo agricultores, madeireiros ligados a Chaules Pozzebom ‘continua com suas ativos, se apropriando de florestas ainda em pé nas fundiárias entre o município de Porto Velho e Lábrea, município amazonense’.

De acordo com as denúncias repassadas a este site de notícias nesta sexta-feira, 28, ao menos duas décadas, grupos de madeireiros e grileiros de terras da União naquela região ligados a Chaules Pozzebom, ‘tem avançado nos desmates e extração ilegal de madeiras no lado amazonense’.

– O grupo liderado por Pozzebom e o filho, preso pela Polícia Federal contava com um suposto esquema desbaratado pela Polícia Federal e Forças Armadas, com destaque as Operações, Terra Limpa, Ágatha e Deforest’.

A Operação Pau-Oco, que prendeu vários servidores da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM), na gestão do ex-governador Daniel Pereira, descobriu que o avanço das extrações ilegais nos biomas da Serra dos Parecis, Reserva Extrativista Rio Ouro Preto, Ponta do Abunã e região da reserva Mapinguari, Chaules Pozzebom e seu grupo vinha obtendo vitórias junto a várias Varas Cíveis dos estados de Rondônia, Acre e Amazonas.

Madeireiras de Chaules fechada peloa PF

Mesmo sob recomendações do Ministério Público Federal (MPF), recomendando  que a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) não emitisse mais autorizações para extração de madeira através de projetos de manejos florestais ao longo das áreas dos municípios de Porto Velho, Nova Mamoré e Guajará-Mirim, ‘ao que parece, continua valendo, porém, agora, sob o título de manejo terceirizado’.

De acordo com as informações, ‘as ações viriam ocorrendo na região da Ponta do Abunã e nas áreas do município de Lábrea, esse no estado do amazonas, segundo ativistas ambientais, a pressão de madeireiros e grileiros tem chegado ao extremo de ameaças de morte quando à resistência por parte dos nativos da região’, ressalta as fontes.

Segundo relatos dos nativos, Chaules Pozzebom, preso durante operação da Polícia Federal ‘teria deixado para o filho Igor e José Teixeira Pozzebom, o legado de mais de uma década e meia de atividades supostamente ilegais na região da Ponta do Abunã e Sul de Lábrea (AM), os quais estariam tocando a todo vapor os negócios de extração de madeiras e agronegócio bovino a partir dos ramais Eléctrica e Mendes Júnior, a cerca de 70 quilômetros da sede do distrito de Nova Califórnia.  

– O roubo de madeira, é apenas uma das ameaças sofridas pelas famílias de pequenos produtores rurais que vivem na região

Ferro e Fogo  

– Sob a ótica de um ativista agrário e ambiental que prefere não ser identificado, ‘o avanço dos cortes e derrubadas de florestas em terras da União, ocorrem à luz do dia’. Segundo ele, ‘nenhum madeireiro ou grileiro que vende madeiras ao grupo Pozzebom, parece não ter noção do perigo, que é ser pego em flagrante pela Polícia Federal’.

De acordo com os invasores, eles chegam mansa e pacificamente nas propriedades; Geralmente, aparecem do nada e sozinhos. Após fazer amizade e tapinha nas costas, os nativos começam a serem assediados para fazer negócios com a organização, caso não aceitem os sitiantes começam a ser ameaçados, arrematou um ativista morador dos rios Ituxi e Iquiri, no lado amazonense de Lábrea.

Por Xico Nery