Nuvem de gafanhotos mais próxima do Brasil está controlada

Frio dificulta avanço de outras 8 nuvens nuvens no país.

A Argentina continua monitorando pelo menos 10 nuvens de gafanhotos no país. A boa notícia é que o grupo de insetos mais próximo ao Brasil está controlado e o risco de chegada é baixo.

O Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Alimentar (Senasa) considera que, das 10 nuvens, 2 já estão controladas: uma é a da fronteira entre Argentina, Brasil e Uruguai e outra no centro do país.

Já 8 nuvens continuam ativas e estão mais para a região central e para o norte da Argentina, perto da fronteira com o Paraguai, que é o local de origem da formação das nuvens de gafanhotos. Essas estão consideravelmente longe do Brasil.

Mapa mostra a situação das nuvens ("manga", em espanhol) na Argentina — Foto: Senasa/Divulgação
Mapa mostra a situação das nuvens (“manga”, em espanhol) na Argentina

Nessas áreas, técnicos do Senasa e produtores rurais vão atuando no controle da praga. Na fronteira com o Brasil, como os gafanhotos já são considerados como “controlados”, fica apenas um sinal de alerta para a região

“A nuvem detectada em Corrientes e Entre Rios (fronteira com o Brasil) já está controlada há algumas semanas (…) Continuamos com a vigilância, mas, até agora, nenhuma nova ocorrência foi registrada. Essa área foi rebaixada da categoria de risco vermelho para amarelo, o que significa cautela”, diz um comunicado do Senasa.

E, se depender do frio intenso que o Sul do país registra nos últimos dias, a nuvem não deve avançar. Isso porque gafanhotos costumam “adormecer” em baixas temperaturas. A condição ideal para que eles se reproduzam e voem ocorre no calor.

“O frio também está intenso na Argentina, Paraguai e Uruguai, com temperaturas muito baixas e negativas. Na teoria, o frio diminui a atividade dos gafanhotos”, disse a Somar Meteorologia.

Outro motivo é que os gafanhotos não costumam resistir muito ao frio, o que pode levar também à morte natural deles.

Alerta contra ‘gafanhoto gigante’

Tucura quebrachera: espécie de gafanhoto pode chegar até 13 cm — Foto: Senasa/Divulgação
Tucura quebrachera: espécie de gafanhoto pode chegar até 13 cm

Além do monitoramento das nuvens, a Argentina declarou emergência fitossanitária contra uma espécie de gafanhoto que é quase 3 vezes maior do que os insetos que já estão no país. O alerta é contra a praga Tropidacris collaris Stoll (conhecida como “tucura quebrachera”).

Para se ter uma ideia, a espécie Schistocerca cancellata, que é a que está espalhada nas diversas nuvens pelo país e que chegou perto da fronteira com o Brasil, tem entre 5,5 e 6,5 cm, enquanto a “Tucura quebrachera” tem cerca de 14 cm na fase adulta.

De acordo com o fiscal agropecuário Ricardo Felicetti, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, não existe risco para o Brasil no momento.

“As informações que temos é que estão aparecendo na Argentina, então o Senasa já emitiu o alerta a fim de antecipação. Mas, no momento, não oferecem nenhum risco para nós”, diz Feliceti.

O inseto gigante foi visto em 4 províncias e aumento de população em mais 6 distritos do país, causando danos às lavouras de soja, milho, algodão e sorgo, bem como florestas nativas e pastagens.

Segundo a Senasa, tucuras são insetos polífagos, que se alimentam de quase todas as plantas, incluindo plantações, pastagens e flora nativa.

Por isso, podem afetar diretamente a atividade agropecuária e indiretamente a atividade pecuária. Porém, eles não têm a característica de se reunirem em nuvens, a exemplo da Schistocerca cancellata.

O estado de emergência argentino vai 31 de março de 2021 e visa “implementar medidas abrangentes de manejo coordenado para reduzir o impacto da praga”.

Fonte: G1

Ministério declara emergência fitossanitária por conta de nuvem de gafanhotos

A preocupação das autoridades, é o dano que os insetos possam causar às lavouras e pastagens, se houver infestação.

O governo Federal por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento declarou estado de emergência fitossanitária no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina devido ao risco de surto da praga Schistocerca cancellata nas áreas produtoras dos dois estados. A portaria com a medida está publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (25).

O estado de emergência tem por objetivo permitir a implementação de plano de supressão da praga e adoção de medidas emergenciais. De acordo com o ministério, a emergência fitossanitária é por um prazo de 1 ano.

A nuvem de gafanhotos está a cerca de 250 quilômetros da fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina. A preocupação das autoridades do setor agropecuário e de produtores rurais é o dano que os insetos possam causar às lavouras e pastagens, se houver infestação.

A dieta do inseto varia, conforme a espécie, entre folhas, cereais, capins e outras gramíneas. Segundo informações repassadas à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, a nuvem é originária do Paraguai, das províncias de Formosa e Chaco, onde há culturas de cana-de-açúcar, mandioca e milho.

Em nota, o minstério informou que está acompanhando o fenômeno em tempo real e que “emitiu alerta para as superintendências federais de Agricultura e aos órgãos estaduais de Defesa Agropecuária para que sejam tomadas medidas cabíveis de monitoramento e orientação aos agricultores da região.

De acordo com a pasta, especialistas argentinos estimam que os insetos sigam em direção ao Uruguai. A ocorrência e o deslocamento da nuvem de gafanhotos são influenciados pela temperatura e circulação dos ventos.

O fenômeno é mais comum com temperatura elevada. Segundo o setor de Meteorologia da secretaria gaúcha, há expectativa de aproximação de uma frente fria pelo sul do estado, que deve intensificar os ventos de norte e noroeste, “potencializando o deslocamento do massivo para a Fronteira Oeste, Missões e Médio e Alto Vale do Rio Uruguai”.

A nota diz ainda que o gafanhoto está presente no Brasil desde o século 19 e que causou grandes perdas às lavouras de arroz na Região Sul no período de 1930 a 1940. “No entanto, desde então, tem permanecido na sua fase ‘isolada’, que não causa danos às lavouras.”

O ministério informa que especialistas estão avaliando “os fatores que levaram ao ressurgimento desta praga em sua fase mais agressiva” e que o fenômeno pode estar relacionado a uma conjunção de fatores climáticos.

A Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul orienta os produtores rurais gaúchos a informar a Inspetoria de Defesa Agropecuária da sua localidade se identificar a presença de tais insetos em grande quantidade.

Uruguai

No Uruguai, país que faz fronteira com o Rio Grande do Sul, um comunicado do Ministério da Agricultura afirma que o país está monitorando constantemente a movimentação da praga, em parceria com autoridades argentinas.

O comunicado diz ainda que, embora seja pouco provável que os gafanhotos cheguem no país, caso isso ocorra exitste potencial para afetar a produção agrícola. O Uruguai solicita que, caso sejam vistos gafanhotos em território nacional, deve-se denunciar às autoridades competentes o mais rápido possível.

O ministro da Agricultura, Carlos María Uriarte solicitou ainda que não se utilizem pesticidas que possam matar abelhas contra os gafanhotos.

*Colaborou a repórter da Agência Brasil em Montevidéu, Marieta Cazarré

Fonte: Agência Brasil