Rondônia avança na cultivação das florestas plantadas

Com novos projetos mais 45 mil hectares devem ser plantados nos próximos anos.

O Governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), tem apoiado fortemente vários projetos de incentivo à produção de florestas plantadas, entre eles, o Projeto Eletrogóes, que deve implantar 10 mil hectares de eucalipto na região de Pimenta Bueno nos próximos anos, há também o Projeto RB que visa um trabalho em conjunto à Empresa Grupo Resinas Brasil, onde deve fomentar o plantio de mais 15 mil hectares de Pinus, junto aos produtores rurais em todo o Estado para a extração de goma resina. Está prevista para se instalar no Estado uma usina de resinagem para beneficiar o produto e exportá-lo via Rio Madeira, para Portugal. A entrega de mudas de castanhas-do-Brasil aos produtores também é outro projeto que visa fortalecer a plantação de florestas e que está em andamento.

Florestas plantadas no Brasil alcançam área equivalente a de ...
Rondônia possui atualmente cerca de 25 mil hectares de Florestas Plantadas

Para recuperar áreas degradadas e beiras de igarapés, está em estudo a construção de um grande viveiro, onde serão distribuídas mudas gratuitamente de espécies apropriadas aos produtores rurais. Nos próximos anos, duas usinas de etanol de milho devem ser instaladas na região sul do Estado e cada uma irá plantar cerca de 10 mil hectares de eucalipto para produção de biomassa.

ESPÉCIES

O plantio de florestas tem atraído o interesse de pequenos, médios e grandes produtores de Rondônia. As espécies Pinus e Eucalipto, ambas espécies exóticas, são mais cultivadas no Estado, principalmente no sul, devido à fácil adaptação aos solos. As outras culturas como o Paricá (espécie nativa), Teca e Mogno Africano (espécies exóticas), possuem uma área plantada mais tímida, mas com forte potencial para aumento do plantio.

Após o tratamento da madeira de Eucalipto, pode ter aplicação em diversas finalidades, como cercas, telhados, postes de iluminação, postes decorativos, galpões, currais, decks, porteiras, entre outras. Para dar durabilidade à madeira, protegendo-a contra cupins, brocas e apodrecimento, o tratamento químico onde o processo dura cerca de 4 a 6 horas, cria uma durabilidade garantida de até 15 anos. Outra forma de utilizar o eucalipto é como produto para a biomassa, como a usina Eletrogoes que compra madeiras de eucalipto para fazer a queima e manter a termelétrica. Os secadores de café também utilizam a madeira para fazer a torrefação do grão. Outra finalidade da espécie é a criação de carvão e de óleos essenciais utilizados para fazer produtos de limpeza, devido ao seu aroma diferenciado.

SUSTENTABILIDADE E RENDA

A Floresta Plantada se tornou uma importante fonte de renda e sustentabilidade em Rondônia e no País. De acordo com Ariel Gomes, com o aumento do plantio de soja, café, entre outras culturas no Estado, o intuito é acabar com a pressão em cima da floresta nativa e utilizar recurso da floresta plantada, de forma sustentável, para fazer a secagem dos grãos.

O coordenador destacou que uma pequena família pode cuidar tranquilamente de dez hectares de Pinus e pode tirar um valor considerável de até R$ 76 mil reais bruto por ano, uma renda relevante para o produtor que deseja investir na área.

“Muitos produtores já estão pensando no futuro e procurando o sistema para trabalhar. O uso da integração com a pastagem também conhecida como IPF proporcionará maior bem estar animal, consequentemente maior produção tanto de carne como de leite, levando mais conforto térmico aos animais e mais qualidade e de vida ao produtor, além de proporcionar mais uma fonte de renda”, contou.

O coordenador ainda informou que trabalhar com Floresta Plantada, especificamente com floresta exótica, é mais fácil, pois há menos exigências e burocracias ambientais e favorece maior rentabilidade.

Fonte: Seagri

Praga de gafanhotos vira ameaça a plantações no Brasil

Nuvem dos insetos ameaça plantações no Sul do Brasil, segundo Ministério da Agricultura

Praga de gafanhotos vira ameaça a plantações no Brasil | Diario de ...
Praga de Gafanhotos ameça Lavouras

Uma nuvem de gafanhotos que já atingiu lavouras no Paraguai e se concentra atualmente na Argentina pode chegar ao território brasileiro, ameaçando plantações e pastagens do Sul do país.

O gafanhoto conhecido como sul-americano tem como hábito a formação de massas migratórias e pode viajar até 100 km por dia.

Monitoramento desta terça-feira (23) aponta que os animais se concentram na região argentina de Santa Fé, a 250 km da fronteira com o Rio Grande do Sul. A proximidade alertou autoridades brasileiras pelo Senasa (Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina).

Um mapa divulgado pelo serviço argentino mostra áreas em que a nuvem pode chegar. A fronteira oeste do Rio Grande do Sul é demarcada como zona de perigo; parte da divisa entre o estado gaúcho e Santa Catarina e áreas do Paraguai que fazem divisa com Paraná são consideradas regiões de precaução.

O grupo destaca, porém, que a direção dos ventos e as condições climáticas favorecem o Brasil e levam a crer que a nuvem está se deslocando para o sul da Argentina e para o Uruguai.

Técnicos do governo argentino detectaram que os insetos, de até 15 cm de envergadura, entraram no país pelo Paraguai, nas províncias de Formosa e Chaco, onde há produção de mandioca, milho e cana-de-açúcar.

Em uma das áreas, a nuvem de gafanhotos chegou a 10 km de extensão. Um quilômetro quadrado da nuvem comporta ao menos 40 milhões de bichos. Eles podem comer pastagens em apenas um dia: o equivalente ao alimento de 2.000 vacas.

Pesquisador da Embrapa em Pelotas (RS), Dori Edson Nava afirma que outras pragas como essa já foram registradas na região, nos anos 1930 e 1940, e que há formas de contenção dos insetos. “Com essa situação do novo coronavírus, qualquer coisa pode parecer o fim do mundo, mas, apesar de ser uma situação nova, não é desesperadora”, afirma.

Ele explica que a seca registrada nos últimos meses na região atingida, com a consequente falta de alimentos para os insetos adultos, condicionou a migração dos gafanhotos. “O melhor seria combater esse tipo de praga enquanto elas são ninfas [mais jovens]”, diz.

Nuvem de gafanhotos chegou a 10 km de extensão.

Nava afirma que, pelo monitoramento, são poucas as chances de os gafanhotos chegarem ao Brasil.

“Com a direção dos ventos e uma frente fria que está vindo para o estado, levando as temperaturas para abaixo de zero, é provável que os gafanhotos dispersem”, avalia.

A mesma condição climática favorável é descrita pelo meteorologista da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, Flávio Varone. “A tendência de queda nas temperaturas e a previsão de chuva para o Estado nesta quinta-feira (25) tendem a amenizar o risco de dispersão da praga.”

De qualquer maneira, o Ministério da Agricultura e outras instituições brasileiras estão orientando produtores a relatarem eventuais registros dos insetos às autoridades.

A Coordenação-Geral de Proteção de Plantas do ministério afirma estar acompanhando a situação em tempo real para minimizar impactos de eventual surto da praga no Brasil. O monitoramento se dá por meio do Grupo Técnico de Gafanhotos do Comitê de Sanidade Vegetal, que integra Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia.

Nava aponta para outro ponto favorável da região gaúcha mais próxima à nuvem de insetos: as plantações de arroz já foram colhidas. Mesmo assim, os bichos poderiam prejudicar culturas de inverno e, principalmente, pastagens. O pesquisador explica que somente inseticidas podem combater o gafanhoto.

As aplicações exigem cuidados, já que há riscos de contaminação. O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola colocou a frota de 426 aeronaves à disposição dos governos gaúcho e federal para conter o avanço da praga, caso seja necessário.

Fonte: Diário de Cuiabá