A tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre a importação de produtos brasileiros deve gerar um impacto direto para o setor agropecuário, especialmente para a carne bovina e o café, alertou o Ministério da Fazenda. Segundo a pasta, a maior oferta desses produtos no mercado interno pode resultar em queda dos preços.
O governo brasileiro avalia que a produção que era destinada à exportação para os EUA poderá ser redirecionada para o mercado doméstico, aumentando a oferta local e pressionando os preços para baixo.
Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, explicou que, caso a tarifa de 50% se mantenha, os produtores deverão buscar novos mercados para suas commodities, já que o custo adicional torna inviável a exportação para os EUA.
“Essa tarifa chega a ser proibitiva para vários produtos importantes que exportamos, como carne e café. Espera-se uma redução significativa nas exportações para os EUA desses bens”, destacou Mello.
Apesar do cenário desafiador, o secretário ressalta que ainda é cedo para medir o impacto inflacionário dessa tarifa. “O Brasil tem capacidade para absorver parte da produção que antes era exportada. Isso pode resultar em um aumento da oferta doméstica e, consequentemente, em preços menores para o consumidor interno”, acrescentou.
Entre os produtos agropecuários brasileiros que lideram as exportações para os EUA estão o café, com US$ 1,17 bilhão, e a carne bovina, com US$ 738 milhões no primeiro semestre de 2025. Esses produtos, por sua natureza, podem ser redirecionados para outros mercados internacionais com mais facilidade do que bens manufaturados.
O Ministério da Fazenda também ressaltou que o impacto dessa tarifa sobre o crescimento econômico brasileiro deve ser “pouco significativo”. Para 2025, a previsão é de um crescimento do PIB em 2,5%, mesmo diante do cenário tarifário.
Fonte: Jornal do Agro Online




