O avanço da CPI do Crime Organizado no Senado acendeu um novo sinal de alerta em Brasília. A comissão aprovou a convocação da esposa do ministro Alexandre de Moraes, ampliando o alcance das investigações e levando o debate para um terreno até então evitado: o entorno familiar de integrantes do Supremo Tribunal Federal.
A convocação ocorre no contexto das apurações que envolvem o Banco Master, instituição financeira que já está no centro dos trabalhos da CPI. Requerimentos apresentados pelos parlamentares apontam a necessidade de esclarecimentos sobre contratos firmados, valores envolvidos e possíveis conflitos de interesse. A avaliação dentro da comissão é de que não se trata de julgamento antecipado, mas de garantir transparência diante de cifras consideradas elevadas e de vínculos que despertaram questionamentos.
Nos bastidores do Congresso, a leitura é clara: a CPI decidiu testar seus próprios limites. Até aqui, as investigações vinham se concentrando em empresários, operadores financeiros e agentes periféricos do sistema. Ao avançar sobre pessoas ligadas a ministros do STF, a comissão sinaliza que não pretende poupar zonas sensíveis do poder institucional brasileiro.
Aliados do governo e setores mais próximos ao Judiciário veem a convocação com cautela e falam em possível tentativa de intimidação política. Já os defensores da CPI sustentam que o critério é técnico e que ninguém pode se colocar acima do escrutínio público, especialmente quando há dinheiro, contratos milionários e suspeitas que precisam ser esclarecidas.
O episódio aprofunda a tensão entre Legislativo e Judiciário, num momento em que o ambiente político já está carregado por decisões recentes do Supremo e pela proximidade do calendário eleitoral. Parlamentares admitem, reservadamente, que a CPI entrou em uma fase mais delicada, com potencial de gerar reações institucionais e embates jurídicos.
Ainda assim, a maioria dos integrantes da comissão aposta que o movimento fortalece a narrativa de independência da CPI e amplia sua credibilidade junto à opinião pública. Para esses senadores, o recado é simples: o cerco se fecha, e a investigação seguirá avançando, independentemente de sobrenomes ou cargos.
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Por Emílio Kerber Filho
Jornalista e escritor
Autor do livro “Por trás das grades – O diário de Anne Brasil”.
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