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“Chátaba” e João, que papelão!

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Eis ai uma personagem intrigante da vida política brasileira.

Surgiu na política como a pobre menina da periferia paulistana que chegou à Harvard, com formação em astrofísica e ciências políticas, com o consequente endeusamento que derivou da biografia inicial da vida dessa criatura chatinha de dar dó, que judiação.

Elegeu-se deputada federal e hoje está filiada ao PSB – Partido Socialista brasileiro, o mesmo partido do seu agora “cônjuge” João Campos, prefeito da cidade de Recife, em Pernambuco.

São políticos da esquerda brasileira, ela se definindo como  feminista  oriunda de um bairro pobre paulistano, ele sendo parte de uma das famílias mais tradicionais e proeminentes da política daquele Estado, filho do ex-governador Eduardo Campos, bisneto de Miguel Arraes, com forte atuação na política nacional, neto de Ana Arraes, ex-deputada federal e ex-ministra do TCU.

Ainda que filiados a partidos de esquerda, que são majoritariamente contra a religião, a qual não se cansam de dizer que é sinônimo de atraso, agindo com preconceito e deboche contra grupos religiosos, assim como são contra o conceito de família tradicional, como é concebido pela ala mais moderada da sociedade brasileira, os dois definem-se como católicos atuantes, o que já é verdadeiro paradoxo.

E é, portanto, como contradição explícita que a imagem desse casamento realizado nos moldes mais tradicionais possíveis, com direito à vestido branco bufante de noiva, buquê nas mãos, chuva de arroz, sim, chuva de arroz, meu Deus, o que pode ser mais enlatadinho dentro da melhor tradição familiar conservadora para quem, nos palanques da vida política, prega justamente o contrário para ….os outros?

Sim, porque, observem bem, enquanto defendem o fim de tudo aquilo que lhes pareça conservador e cheirando a mofo das tradições, defendendo o desmantelamento de uma ordem que causará a erosão e decadência social, na sua vida privada agem como os mais fervorosos conservadores, aceitando com alegria os ritos de um sacramento instituído pela Igreja Católica nos idos do século XVIda era cristã, no Concílio de Trento, a fim de reforçar os laços entre um casal que se une diante de um Deus selando essa aliança.

Até o Concílio de Trento, os casamentos eram contratos privados baseados entre as famílias, com nenhuma interferência do clero, que acontecia sobretudo entre a nobreza e burguesia para unir posses, terras e aumentar poder.

Fica claro, portanto, que todo aquele que não concorda com os preceitos católicos, nada tem a fazer dentro de uma Igreja, submetendo-se a ritos nos quais não crê e que no mais das vezes, é ridicularizado por todo esquerdista banhado nas ideias marxistas do século XIX, que doutrinou seus seguidores com a ideia de que a religião é o ópio do povo e deve ser abolido da vida daqueles que vivem sob seu tacão.

Desde a Revolução Francesa, durante o “Reinado do Terror”, passando pela Revolução Russa e chegando até os dias atuais, a esquerda tentou extinguir a fé cristã.  Igrejas foram fechadas, saqueadas, e cerca de 30 mil padres e freiras foram executados somente na Revolução Francesa, que serviu como exemplo para a Revolução Russa, que agiu nos mesmos moldes, implantando o ateísmo de Estado, perseguindo, exilando e assassinando centenas de religiosos.

Não há lógica alguma, portanto, no atual esquerdismo atuante dentro da própria Igreja, com uma parte do clero defendendo ideias que na sua origem surgiram  para destruí-los.

E, voltando à Tabata, eu confesso que sinto enorme vergonha alheia ao ver essa cena paradoxal, essa cena que fere o senso de coerência, por contemplar dois personagens que defendem, ainda que indiretamente, a extinção daquilo a que no cenário social aderem com tanta tranquilidade.

Você olha para tudo isso e sente um leve odor de farsa, contradizendo sua atuação política que segue na direção contrário.

Quebra de valores para vocês, seus tontos, parecem dizer, poder, dinheiro e tradição para nós, que permaneceremos aqui no alto, observando o pão e circo em que o espetáculo decadente acontece aí embaixo, onde todos vocês se encontram.

Como cereja do bolo, a presença de Moraes na festa e a presença dos noivos em palanque recente ao lado de Lula.

Um católico decente não aceitaria se aliar a tais personagens, por questões óbvias.

Se eles não compreendem o tamanho da sua incoerência, é preciso que outros lhes digam a cruel verdade.

Estamos aqui para isso.

Por Silvia Gabas | @silgabas*

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