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quarta-feira, fevereiro 4, 2026
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Comentário Dr. Arcênio Rodrigues, advogado tributarista

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O presidente Donald Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, alegando que o Brasil vem atuando de maneira contrária aos interesses estratégicos norte-americanos no cenário internacional. As principais justificativas apresentadas foram o protagonismo do Brasil no âmbito do BRICS, especialmente no apoio a medidas de desdolarização e na cooperação com China e Rússia, e o processo judicial de responsabilização do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificado pelo governo Trump como “perseguição política”.

A medida representa não apenas um grave impacto econômico, mas também uma retaliação geopolítica e uma ingerência indevida nos assuntos internos de um Estado soberano. A tarifa afeta de forma imediata e significativa a economia brasileira, com queda de competitividade de produtos como aço, celulose, suco de laranja, etanol, carne e soja no mercado norte-americano, além da redução nas receitas cambiais, o que compromete o superávit da balança comercial e as contas externas do país. Há também prejuízos diretos ao agronegócio e à indústria de transformação, com possível retração do emprego em estados exportadores. Soma-se a isso o aumento da volatilidade cambial, a elevação do risco-país, a retração de investimentos estrangeiros diretos, o risco de ampliação do contencioso comercial para outros mercados e o possível contágio institucional, afetando a confiança internacional na previsibilidade da política externa dos Estados Unidos.

A alegação de que o Brasil atua de forma “hostil” aos EUA por participar ativamente do BRICS e conduzir, com base legal, o julgamento de seu ex-presidente reflete um viés ideológico e desrespeito à soberania nacional, configurando-se como tentativa de interferência em processos internos legítimos e democráticos. A tarifa não se baseia em práticas de dumping, subsídios ou ameaça à segurança nacional, como exigem os critérios da Organização Mundial do Comércio (OMC). A motivação política desvirtua a função regulatória do comércio internacional e enfraquece as normas multilaterais que regem as relações econômicas entre as nações.

A imposição unilateral da tarifa rompe com a tradição histórica de parceria estratégica entre Brasil e Estados Unidos, abalando a confiança institucional e instaurando um ambiente de hostilidade diplomática sem precedentes recentes. Trata-se de uma medida de gravidade excepcional, com potencial disruptivo para a economia brasileira e para a estabilidade diplomática, que exige uma resposta firme, coordenada e fundamentada nos princípios da legalidade internacional, da soberania dos povos e da defesa dos interesses estratégicos do Brasil.

Por Dr. Arcênio Rodrigues*

*O jornal Correio de Notícia se reserva no direito de manter a opinião dos colunistas/articulistas integralmente, sem intervenções. Entretanto, conteúdo expresso neste artigo é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Correio de Notícia não tem responsabilidade legal pela “OPINIÃO” que é exclusiva do autor.

 

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