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O caso Master abalou a República e o STF

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O próximo a sofrer as consequências do apoio ao Banco Master será o ministro Alexandre de Moraes.

As fraudes financeiras que levaram o Banco Central (BC) a decretar a liquidação dessa instituição bancária vão atingir a República e respingar, com força, no Supremo Tribunal Federal (STF). Vários dos seus ministros serão atingidos, mas, por enquanto, os principais são Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

O primeiro foi obrigado a deixar a relatoria do caso; o segundo, recentemente, foi apontado pelo portal Metrópoles como participante de encontros com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

Segundo a reportagem, as reuniões teriam ocorrido em um fim de semana do primeiro semestre de 2025, na residência de Vorcaro, em Brasília.

Moraes desclassificou a matéria e negou a realização do encontro. Segundo ele, a narrativa “é falsa e mentirosa. Essa reunião não ocorreu e, lamentavelmente, segue um padrão criminoso de ataques desqualificados contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal.”

Segundo o Metrópoles, Moraes teria estado ao menos duas vezes na mansão do banqueiro, localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília. Ainda segundo o portal, em uma dessas ocasiões o ministro teria conhecido Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco Regional de Brasília, em meio às negociações para uma possível aquisição do Master pelo BRB. O texto sustenta ainda que Moraes estaria acompanhado de um assessor e que testemunhas teriam presenciado o encontro.

A resposta do Metrópoles veio através do jornalista Mário Sabino, desconstruindo a nota do ministro e afirmando que Moraes “desmente o que não foi publicado e não desmente que esteve duas vezes, pelo menos, na casa de Daniel Vorcaro”. O desmentido de Moraes deu-se após uma publicação da reportagem intitulada “O encontro de Moraes com o presidente do BRB na mansão de Vorcaro”.

Para Sabino, o desmentido do ministro “se não se destaca pela sintaxe, a nota prima por desmentir o que não foi dito”, pois “a reportagem não afirma em momento algum que houve uma reunião de Alexandre de Moraes com Paulo Henrique Costa na casa de Daniel Vorcaro”. O que está publicado, segundo ele, é que o ministro conheceu o então presidente do BRB na casa do dono do Banco Master, em ambiente reservado, e ambos trocaram impressões sobre a negociação para a compra do banco.

O fato é que o STF, depois desse episódio, jamais será o mesmo. Vai ser muito difícil resgatar a credibilidade, conforme demonstram as pesquisas sobre o cenário de divisão e desgaste do maior tribunal do país. O ativismo judicial da corte é outro fator criticado, deixando o Legislativo inerte e acuado.

A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master e sua confissão de que era sócio da empresa Maridt, que vendeu participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, para um fundo do cunhado de Daniel Vorcaro, deixou o STF na berlinda.

Isso fez vir à tona a confissão do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, a respeito do ministro Toffoli, remetida pelo STF ao então Procurador-Geral da República, Augusto Aras, para análise. Em depoimento aos delegados da Polícia Federal, Cabral relatou que o escritório da advogada Roberta Rangel, então esposa do ministro, teria recebido R$ 4 milhões para favorecer dois prefeitos do Rio — de Volta Redonda e de Bom Jesus de Itabapoana — que tinham processos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quando Toffoli integrava a corte, entre 2012 e 2016.

Por meio da assessoria do STF, Toffoli afirmou “não ter conhecimento dos fatos mencionados e disse que jamais recebeu os supostos valores ilegais”. Também por nota, informou refutar a “possibilidade de ter atuado para favorecer qualquer pessoa no exercício de suas funções”.

Os pagamentos, segundo Cabral, teriam ocorrido entre 2014 e 2015. Na época, Antônio Francisco Neto, atual prefeito de Volta Redonda, já comandava o município, e Branca Motta era prefeita de Bom Jesus de Itabapoana. Cabral, nesse depoimento, menciona o Judiciário, incluindo as cortes superiores, o Tribunal de Contas da União e políticos do Rio de Janeiro.

Tudo isso vinha passando em branco até acontecer o caso Baco Master, que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse ser “um caso sem precedentes”, classificando-o como “possivelmente a maior fraude bancária da história do país”.

Só faltou dizer, embora já seja explícito, que o caso Master também abalou a República petista.

Foto de Luiz Holanda

Por Luiz Holanda*

Luiz é Advogado e professor universitário

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