Confesso que tive ‘mixed feelings’ ao ver Neymar desabando em lágrimas depois da escovada que o Santos levou no Morumbi.
Em princípio, senti raiva. Bebê chorão, pensei, não aguenta o tranco. Está chorando porque viu suas chances de voltar à seleção diminuírem a cada vez que a bola balançava as redes. Trata-se ainda de um menino de 33 anos.
Depois, pensando melhor, talvez tenha sido a única forma convincente de transmitir a dimensão do desastre. Palavras protocolares depois do jogo sempre são insuficientes. O choro é uma maneira visual incontestável de mostrar o quanto se está abalado com uma situação.
Objetivamente falando, já escrevi aqui, Neymar não tem a mínima condição de voltar à seleção. Ontem foi mais uma prova. Apagado o jogo inteiro, foi um dos responsáveis pelo resultado, pelo tanto que se espera de seu talento e de sua liderança.
Seu choro, talvez, tenha traduzido essa impotência, de querer voltar a uma era que não existe mais. Foi o choro da perda. Não do jogo, mas de seu próprio passado.
Por Marcelo Guterman*
*Marcelo é Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.




