Durante os três primeiros dias de detenção, o empresário Daniel Vorcaro permaneceu com as luzes de sua cela permanentemente acesas na Penitenciária Federal de Brasília, inclusive no período noturno. A orientação dada aos agentes penitenciários tinha como finalidade reforçar a vigilância contínua e prevenir qualquer tentativa de autolesão.
A medida foi adotada em razão de um episódio recente envolvendo Luiz Phillip Mourão, conhecido como “Sicário”. Ele teria se enforcado enquanto estava sob custódia na carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte (MG), poucas horas após sua prisão, ocorrida no dia 4. Após dois dias internado em estado gravíssimo, a morte foi confirmada. O velório e o sepultamento aconteceram no Cemitério do Bonfim, na capital mineira.
Vorcaro deu entrada no presídio federal no dia 6 de março, mesma data em que foi confirmada a morte de seu braço direito, o que reforçou a preocupação das autoridades com seu estado emocional nos primeiros momentos de encarceramento.
Encerrado esse período inicial de observação intensificada, uma avaliação psicológica autorizou que o empresário passasse a dormir com as luzes apagadas. Ele segue em regime de isolamento, com acesso bastante restrito — inclusive em relação aos advogados responsáveis por sua defesa.
A equipe jurídica sustenta que a transferência do empresário seria necessária, especialmente com o objetivo de viabilizar a preparação de uma possível delação premiada. Ainda assim, o cenário atual impõe limitações relevantes ao contato entre cliente e defesa.
No âmbito judicial, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que os encontros entre Vorcaro e seus advogados ocorram sem gravação, o que contraria protocolos usuais do sistema penitenciário federal. Apesar dessa decisão, os defensores afirmam que as condições estruturais ainda dificultam até mesmo a realização de anotações durante as conversas.
Em meio a esse contexto, o empresário optou por alterar sua representação legal após a decisão do STF que manteve sua prisão. Ele passou a ser defendido por José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, advogado que ganhou notoriedade por sua atuação na Operação Lava Jato. Há indicação de que Vorcaro avalia a possibilidade de firmar um acordo de delação, embora eventuais benefícios possam ser reduzidos caso ele venha a ser apontado como líder da organização investigada.
Fonte: jco*
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