Muita gente ainda acha que a guerra tarifária dos Estados Unidos é uma questão comercial. Que Trump quer apenas proteger empregos ou trazer fábricas de volta para casa. Pode até parecer isso à primeira vista, mas quem enxerga além da espuma vê outra coisa: o alvo é a China. Sempre foi.
A reindustrialização americana é parte do pacote, mas o verdadeiro plano é maior, estratégico, geopolítico. Trump quer mudar a relação do mundo com a China. Quer desmontar o jogo que começou lá atrás, em Bretton Woods, e que, ao longo dos anos, permitiu à China se transformar na potência que é hoje — com recursos, influência, e agora, apetite militar.
Não por acaso, o Partido Comunista Chinês anda cada vez mais interessado em expandir sua indústria de armamentos, crescer o exército, controlar mercados estratégicos e investir pesado em infraestrutura militar. Isso não é só uma potência econômica. É uma potência com ambição global. E Trump entendeu que, se os EUA não tomarem as rédeas agora, o jogo muda de vez.
As tarifas de até 145% são parte dessa jogada. Não são o fim — são o instrumento para desestabilizar a dependência da China e forçar uma realocação das cadeias produtivas. Ele quer que empresas americanas pensem duas vezes antes de fabricar na Ásia. E está funcionando.
Agora, ele subiu mais uma casa nesse tabuleiro: deu 90 dias para cerca de 50 países “negociarem” a questão da imigração ilegal. Isso não é política migratória pura. Isso é diplomacia de poder. É o famoso bode na sala. Ele impõe o caos para depois abrir espaço à negociação. E os países vêm conversar. Não porque querem, mas porque precisam.
E aí entra o ponto-chave: Trump não é contra a imigração. Ele é contra o descontrole. Ele sabe que vai precisar de mão de obra — mas quer definir quem entra, em que condições, e com que finalidade. Controle. Ordem. Interesse nacional acima de tudo. E isso, para um país como os EUA, não é extremismo. É sobrevivência.
O mundo está entrando numa nova Guerra Fria — com a China no lugar da antiga URSS. Só que agora, o inimigo não veste vermelho. Veste terno, domina o 5G, compra portos, mina moedas e financia regimes. E Trump, com todos os seus defeitos, é o único que está encarando o inimigo como ele é.
Se você ainda está preocupado com quem vai trabalhar nas fábricas americanas, talvez esteja olhando para o tabuleiro errado. A pergunta certa não é “quem vai montar os carros”, e sim: quem vai controlar o mundo daqui a 10 anos?
Trump já fez a escolha dele. E ao que tudo indica, está um passo à frente de quase todo mundo.
Por Carlos Figueiredo*
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