Gilmar Mendes tem razão: O brasileiro não tem memória

Se o brasileiro tivesse memória, lembraria que o ministro, quando a Lava-Jato começou, disse que “Ladrões de Sindicato transformaram o Brasil em um sindicato de ladrões”.

Na época, os “togados” eram favoráveis ao “combate à corrupção”.

Então, o que mudou?

Não é difícil entender, se entendermos o SISTEMA. Sistema, aliás, que está em pleno funcionamento e nós, no momento, estamos torcendo por ele.

A Lava-Jato não surgiu do nada. Não foram heróis que surgiram da noite para o dia, com a intenção de moralizar as Índias de Cabral.

A operação foi uma medida dos Sociais Democratas (aquilo que chamamos de “centrão” e são os verdadeiros “donos” do sistema), para abocanharem novamente o executivo federal; já que o PT tinha criado fome de poder e esquecido do acordo de cavalheiros da estratégia das tesouras.

O Plano era perfeito. Com Lula fora da jogada e as denúncias de toda a corrupção de seu governo sendo expostas diuturnamente, o anti-petismo elegeria algum “Fabiano” prudente e sofisticado.

Não contavam, porém, é que um deputado do baixo-clero, boca suja e encrenqueiro, conquistaria o apoio de uma massa inimaginável; deixando o candidato do sistema com 4% dos votos.

Precisavam mudar de estratégia!!!

Pouco a pouco, o mesmo judiciário que elogiava a operação começou a encontrar seus “defeitos” e a mesma mídia que lhe dava ampla publicidade começou a achincalhá-la. Lula não era mais um empecilho para que chegassem ao poder. Tinha se tornado o atalho para o Planalto.

Foi então que, após Facchin, por um detalhe técnico, anular os julgamentos de Moro, vimos o candidato do centrão (aquele que dizia que Lula queria voltar ao local do crime) desembarcar do tucano queimado por Dória e Aécio, se filiar a um partido nanico e começar a gritar: “Lula!!! Lula!!!”, em uma das cenas mais patéticas já vistas na política tupiniquim.

Após usar descaradamente o TSE para eleger seu padrinho político, com uma interferência desavergonhada, Moraes começou a construir outra narrativa. Muito se engana quem acredita que a “severidade” com o 8 de Janeiro foi para “defender” Lula. O Ministro não deve nada ao petista. Foi indicação do Temer, sob as bênçãos de Geraldo Alckmin. A coisa vai além.

Lula nunca esteve tão “solto”. Montou uma equipe ministerial desastrosa; está falando bobagem atrás de bobagem e não tira os holofotes da primeira-dama, que não tem traquejo político e é tão carismática quanto uma colonoscopia.

Está tudo certo para dar errado.

Moraes, hoje o imperador do Brasil, já criou condições até para reprimir fortemente os “movimentos sociais” que vierem protestar contra o processo de impeachment vindouro, que deve ganhar força na segunda metade de 2024. E tudo em nome da “defesa da democracia”; garantindo a cadeira para o seu padrinho e ainda se posicionando como um exemplo de imparcialidade, agindo com a mesma energia contra os “terroristas” da esquerda e direita.

Assim, consolidariam o discurso de que o “centrão” é o “caminho correto”; mostrariam que os extremos não deram certo; que política exige a prudência e sofisticação que só os Sociais Democratas possuem.

Só que, de repente, pouco antes de embarcar em uma viagem com Lula, Pacheco, que sempre foi um Presidente do Senado dócil e subserviente, resolve rugir alto e “colocar o Judiciário em seu devido lugar”.

Os brasileiros, esgotados dos desmandos dos “togados”, prontamente o aplaudem e alguns analistas já tendem a cotá-lo para a sucessão presidencial; principalmente se, usando a comoção pela morte de Clériston Pereira, pautar o impeachment de Alexandre de Moraes, que hoje é possivelmente mais odiado pela direita do que o próprio Lula.

Neste meio tempo, porém, o presidente já anunciou a indicação de Flávio Dino para o STF. Um ministro declaradamente comunista, que está causando um desastre na Segurança Pública e, mesmo sem o poder de um juiz do Supremo, já censurou empresa privada e, inclusive queria obrigá-la a publicar sua “opinião oficial”, além de tantas outras atrocidades.

Neste caso, Pacheco foi extremamente célere para marcar a sabatina; com tudo indicando a aceitação do Senado para que o ex-governador do Maranhão ocupe a cadeira na Suprema Corte.

O possível impeachment de Moraes, então, além de desguarnecer Alckmin, que ficará sem um aliado direto no Supremo, ainda abrirá uma vaga para outra indicação de Lula; consolidando o poder da extrema-esquerda no judiciário pelas próximas duas décadas.

Mas tem quem acredite que o Presidente do Senado é um bravo legislador que está olhando os interesses do povo e garantindo a separação Constitucional dos poderes (e, pior, um nome forte para a direita).

Ê Brasil…

Foto de Felipe Fiamenghi

Por Felipe Fiamenghi

O Brasil não é para amadores.

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