Processo de impeachment contra Trump chega ao Senado

Mesmo fora do poder, Trump ainda pode sofrer impeachment e perder seus direitos políticos, o que o tornaria inelegível para 2024

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos enviou ao Senado nessa segunda-feira (25) o texto do processo de impeachment contra o ex-presidente Donald Trump, que deixou o cargo no último dia 20 de janeiro.

O representante democrata Jamie Raskin, que compõe o time de acusação contra o republicano, leu o texto que implica o ex-mandatário em “instigação à insurreição” nos fatos que culminaram na invasão do Congresso por grupos de extrema direita, em 6 de janeiro.

O ataque ao Capitólio foi uma ação de apoiadores de Trump para tentar evitar a certificação da vitória de Joe Biden nas eleições de novembro passado.

O artigo do impeachment define o ex-presidente como uma “ameaça à democracia” e ressalta como ele colocou as instituições americanas em perigo, tendo posto obstáculos a uma “pacífica transição de poder”.

O texto cita as “repetidas falsas declarações que falavam em eleições fraudadas que não deviam ser aceitas” e o comício de 6 de janeiro, no qual Trump instigou seus apoiadores a combaterem e marcharem ao Capitólio, o que culminou com a invasão do Congresso e a morte de cinco pessoas.

“Se vocês não lutarem como loucos, vocês não terão mais um país”, disse o republicano na ocasião.

Além disso, o processo de impeachment menciona uma ligação de Trump ao secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, cobrando que ele “encontrasse os votos necessários” para reverter o resultado das eleições nesse antigo feudo republicano conquistado por Biden.

O julgamento no Senado deve começar na semana de 8 de fevereiro e será o quarto processo de impeachment na história dos EUA, sendo o segundo contra Trump. Nenhum dos três anteriores acabou em condenação.

Mesmo fora do poder, Trump ainda pode sofrer impeachment e perder seus direitos políticos, o que o tornaria inelegível para 2024. Sua condenação, no entanto, exigirá 67 dos 100 votos no Senado, portanto o Partido Democrata precisará convencer ao menos 17 republicanos a apoiarem a causa.

Por: JB | com agência Ansa

Câmara envia impeachment de Trump ao Senado na segunda-feira

Ex-presidente é acusado de incentivar a invasão do Capitólio por seus apoiadores uma semana antes da posse de Joe Biden

O líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, anunciou nesta sexta-feira que a presidente da Câmara dos Representantes, a também democrata Nancy Pelosi, enviará na segunda-feira ao Senado o texto para o julgamento político do ex-presidente Donald Trump pela responsabilidade na invasão ao Capitólio.

Isso significa que o segundo julgamento político de Trump pode começar formalmente na próxima terça-feira, um dia após a entrega da acusação contra o ex-presidente, a não ser que os democratas e republicanos do Senado cheguem a um acordo para mudar o calendário.

“Haverá um julgamento no Senado e votaremos sobre a condenação do ex-presidente. Falei com a presidente Pelosi e fui informado que o texto será entregue na segunda-feira ao Senado”, disse Schumer em discurso na Câmara.

Trump, o primeiro mandatário da história dos Estados Unidos a ser submetido a dois julgamentos políticos, será acusado de “incitar à insurreição” pelo envolvimento na invasão ao Capitólio, no dia 6 de janeiro, por parte de seus apoiadores. O incidente resultou em cinco mortes.

O julgamento não pode mais resultar na destituição de Trump, que já deixou a Casa Branca, mas os democratas acreditam que o processo conseguirá inabilitar o ex-presidentes a cargos políticos no futuro.

Segundo as regras do Senado americano, qualquer julgamento político deve começar às 13h do dia seguinte ao momento em que a Câmara dos Representantes enviar a acusação.

No entanto, o Senado tem certa flexibilidade para mudar o calendário. Schumer afirmou nesta sexta-feira que negocia sobre o tema com o líder da minoria republicana do Senado, Mitch McConnell, que na quinta-feira propôs adiar o processo para fevereiro.

McConnell argumentou que Trump necessita tempo para preparar sua defesa, motivo pelo qual propôs a concessão do prazo de uma semana, contando a partir do primeiro dia do julgamento no Senado, para que o ex-presidente apresente sua resposta à acusação e outra para apresentar seus documentos preparatórios do processo.

Fonte; R7

Impeachment de Trump prejudica início do governo de Biden

Senadores vão analisar o caso do atual presidente dos EUA após o democrata assumir a Casa Branca em meio à pandemia

Donald Trump entra para a história dos EUA por diversos motivos ao longo de seus quatro anos na Casa Branca. O presidente saiu de acordos internacionais importantes, intensificou a divisão ideológica no país, viu sua base fiel de apoiadores invadir o Capitólio e é o primeiro a sofrer dois processos de impeachment.

Na quarta-feira (13), a Câmara dos EUA aprovou o impeachment do presidente por “incitar uma insurreição” depois do episódio da semana passada. A menos de uma semana para o fim do mandato, o processo contra Trump no Senado continuará mesmo depois da posse de Biden.

Caso aprovado, o presidente não poderá voltar a concorrer a cargos públicos, incluindo as eleições presidenciais de 2024, e perderia seus privilégios como ex-presidente dos EUA.

“O PROCESSO DIZ EXPRESSAMENTE QUE ELE NÃO DEVE CONTINUAR EM CARGOS PÚBLICOS POR SER UMA AMEAÇA À DEMOCRACIA DOS EUA”, DIZ O PROFESSOR DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA USP, FELIPE LOUREIRO.

Desde a invasão ao Capitólio, Trump vem perdendo espaço nas redes sociais para discursar e se explicar, como fez em todos os anos de governo. O Twitter, sua rede favorita e meio oficial de comunicação, deletou permanentemente a conta do bilionário.

Mesmo com o alcance restrito, Trump se manifestou na tarde de ontem para falar sobre a invasão ao Capitólio e informar que o FBI alertou sobre outros possíveis episódios de violência nos próximos dias.

Para o professor da USP, a aprovação do impeachment pode ter motivado esses recuos na postura combativa de Trump. “Ele deve estar sentindo que esse processo é um desastre para ele e para a carreira política”, analisa.

Governo Biden pode começar turbulento

Apesar do processo de impeachment de Trump significar que a defesa da democracia nos EUA, o andamento da saída do republicano pode ser “um desafio enorme” para o começo do governo Biden, diz Loureiro.

Os EUA são o país mais afetado pela pandemia do novo coronavírus, e desde as eleições, Biden deixou claro que lutar contra a pandemia seria uma prioridade em sua gestão. Além disso, o começo de uma administração também é marcado pela formação dos gabinetes, nomeação e aprovação de ministros e organização da estrutura governamental. Com o processo de impeachment, tudo isso pode ficar atrasado.

“BIDEN ESPERAVA TER UM CONGRESSO 100% FOCADO NA APROVAÇÃO DE MINISTROS E DE RECURSOS EMERGENCIAIS PARA A PANDEMIA”, DIZ O PROFESSOR.

Ainda não se sabe como o Congresso vai funcionar, se vai dedicar sua atenção integralmente ao impeachment de Trump ou ao começo do mandato do democrata, mas é certo que “algum impacto vai ter na restrição da agenda de Biden”, diz Loureiro.

Fonte: R7

Após impeachment, Trump pede ‘fim da violência’ a apoiadores

Após sofrer derrota na Câmara dos Representantes, presidente dos EUA tentou desencorajar novos protestos no país

Após ter seu segundo impeachment aprovado pela Câmara dos Representantes, o presidente Donald Trump publicou, por meio do perfil oficial da Casa Branca no Twitter, um vídeo em que pede o fim de atos violentos por conta do clima político nos EUA. Em cinco minutos de pronunciamento, ele não mencionou a votação.

Uma semana atrás, uma multidão de apoiadores do republicano invadiu o prédio do Capitólio, sede do Congresso dos EUA em Washington, enquanto acontecia uma sessão conjunta para confirmar os votos do Colégio Eleitoral que deram a vitória ao democrata Joe Biden. Trump acabou processado pela Câmara por ter incentivado o protesto durante um comício.

“Peço a todos que já acreditaram no meu governo que diminuam as tensões, acalmem-se e ajudem a promover a paz em nosso país. Há informações de que novas manifestações estão sendo planejadas nos próximos dias, aqui em Washington e pelo país. (…) Todo cidadão merece ser ouvido, mas em paz, sem violência e sem quebrar as leis”, disse Trump no pronunciamento.

O presidente afirmou também que colocou todas as agências de segurança do país e todos os recursos necessários à disposição para ajudar no combate à violência.

Medidas de segurança

No início da semana, o FBI alertou as forças de segurança de todo o país para a possibilidade de novos protestos violentos por parte dos apoiadores do presidente. Segundo a agência, o monitoramento dos extremistas indica que poderia haver novos ataques ao Capitólio e às sedes de legislativos estaduais em todo o país.

A segurança em Washington será reforçada para a posse do democrata Joe Biden, marcada para a próxima quarta-feira (20), com um contingente de 20 mil homens da Guarda Nacional. Nesta terça, muitos soldados já dormiram nos corredores do Congresso.

Além disso, parlamentares republicanos teriam relatados a colegas democratas que poderiam votar contra Trump no impeachment, mas teriam recebidos ameaças contra suas vidas e as de suas famílias.

Fonte: R7

Câmara dos EUA aprova novo impeachment de Trump

Presidente sofre o segundo impeachment em um ano, uma semana após a invasão do Capitólio por seus apoiadores

O presidente dos EUA, Donald Trump, se tornou nesta quarta-feira (13) o primeiro da história do país a sofrer dois impeachments em um mandato. A Câmara dos Representantes aprovou, por 232 votos a favor (sendo 10 de republicanos) e 197 votos contra, com 5 abstenções, a proposta para afastar o republicano após a incitação que levou à invasão do Capitólio, sede do Congresso norte-americano, há uma semana, que teve 5 mortes e dezenas de feridos e presos.

Com isso, o processo continua com um julgamento no Senado, que poderia acontecer no fim desta semana, se uma sessão extraordinária fosse convocada pelo republicano Mitch McConnell, líder da maioria. O mais provável é que essa etapa seja realizada depois da posse do presidente eleito Joe Biden e dos novos membros do Congresso no dia 20, e pode envolver a perda de direitos políticos e outros privilégios de Trump.

Durante as mais de duas horas de debate na Câmara, a presidente da casa, a democrata Nancy Pelosi, chamou Trump de um “perigo imediato” para o país e disse que ele “deve sair”. Vários republicanos se manifestaram a favor do impeachment, coisa que não aconteceu no processo anterior, há um ano.

Democratas iniciam esforços para tirar Trump do cargo

Se Pence não agir, Pelosi disse que a Câmara poderia votar pelo impeachment de Trump por uma única acusação de insurreição

Os democratas do Congresso começam nesta segunda-feira seu esforço para tirar o presidente Donald Trump do cargo, dando início a uma semana de ação legislativa que pode terminar com uma votação que o tornaria o único presidente na história dos Estados Unidos a sofrer duas acusações.

Milhares de partidários de Trump invadiram o Capitólio na semana passada, dispersando os legisladores que estavam certificando a vitória do presidente eleito Joe Biden nas eleições, em um ataque terrível ao centro da democracia americana que deixou cinco mortos.

A violência veio depois que Trump pediu aos apoiadores que marchassem até o Capitólio em um comício onde ele – atrás de um vidro blindado – repetiu falsas alegações de que sua retumbante derrota nas eleições era ilegítima. A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, muitos de seus colegas democratas e um punhado de republicanos dizem que Trump não é confiável para cumprir seu mandato, que termina em 20 de janeiro.

Ao proteger nossa Constituição e nossa democracia, agiremos com urgência, porque este presidente representa uma ameaça iminente para ambos”, escreveu Pelosi a colegas democratas na Câmara nesse domingo (10).

Dezenas de pessoas que atacaram policiais, roubaram computadores e quebraram janelas no Capitólio foram presas por seu papel na violência, e as autoridades abriram 25 investigações de terrorismo doméstico.

Trump reconheceu que um novo governo tomaria posse em 20 de janeiro em um vídeo após o ataque, mas não apareceu em público. Twitter e Facebook suspenderam suas contas, citando o risco de ele incitar a violência.

Quando a Câmara se reunir às 11h (16h em Brasília) nesta segunda-feira, os legisladores apresentarão uma resolução pedindo ao vice-presidente Mike Pence que invoque a nunca usada 25ª Emenda da Constituição dos EUA, que permite ao vice-presidente e ao Gabinete destituir um presidente considerado impróprio para o trabalho. Uma votação é esperada na terça-feira.

Pence estava no Capitolio junto com sua família quando os apoiadores de Trump atacaram, e ele e Trump atualmente não estão se falando. Mas os republicanos mostraram pouco interesse em invocar a 25ª Emenda. O escritório de Pence não respondeu a perguntas sobre o assunto. Uma fonte disse na semana passada que se opõe à ideia.

POSSÍVEL TAXA DE SEGURANÇA

Se Pence não agir, Pelosi disse que a Câmara poderia votar pelo impeachment de Trump por uma única acusação de insurreição. Essa votação pode acontecer até o final da semana.

Assessores do líder republicano da Câmara Kevin McCarthy, que votou contra o reconhecimento da vitória de Biden, não responderam a um pedido de comentário.

Os democratas da Câmara acusaram Trump em dezembro de 2019 por pressionar a Ucrânia a investigar Biden, mas o Senado controlado pelos republicanos votou por não condená-lo.

O esforço mais recente dos democratas para expulsar Trump também enfrenta grandes chances de sucesso sem o apoio bipartidário. Até agora, apenas quatro legisladores republicanos disseram publicamente que Trump não deveria cumprir os nove dias restantes de seu mandato.

Os legisladores que redigiram a acusação de impeachment dizem que conseguiram o apoio de pelo menos 200 dos 222 democratas da Câmara, indicando grandes chances de aprovação. Biden até agora não opinou sobre o impeachment, dizendo que é um assunto para o Congresso.

Mesmo se a Câmara acusar Trump pela segunda vez, o Senado não aceitaria as acusações até 19 de janeiro, no mínimo, o último dia completo de Trump no cargo.

Um julgamento de impeachment amarraria o Senado durante as primeiras semanas de Biden no cargo, impedindo o novo presidente de instalar secretários de gabinete e agir com base em prioridades como o combate ao coronavírus.

O deputado Jim Clyburn, terceiro democrata da Câmara, sugeriu que a casa poderia evitar esse problema esperando vários meses para enviar a acusação de impeachment ao Senado.

Trump já teria partido há muito, mas uma condenação o impediria de concorrer à presidência novamente em 2024.

Os votos também forçariam os republicanos de Trump a novamente defender seu comportamento.

Várias corporações americanas proeminentes, incluindo Marriott International Inc e JPMorgan Chase & Co, disseram que suspenderão as doações para quase 150 republicanos que votaram contra a certificação da vitória de Biden, e mais estão considerando essa medida.

Washington permanece em alerta máximo antes da posse de Biden. O evento tradicionalmente atrai centenas de milhares de visitantes à cidade, mas foi reduzido drasticamente por causa da violenta pandemia de covid-19.

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, que se tornará o líder da maioria depois que Biden e a vice-presidente eleita Kamala Harris tomarem posse e os dois novos senadores democratas da Geórgia estiverem ocupados, disse nesse domingo que a ameaça de grupos extremistas violentos continua alta.

Fonte: Agência Reuters

Trump diz que não irá para a posse de Joe Biden

Presidente dos EUA usou o Twitter para dizer que não estará presente na cerimônia de 20 de janeiro

O presidente dos EUA, Donald Trump, usou sua conta no Twitter nesta sexta-feira (8) para anunciar que não irá comparecer à cerimônia de posse do democrata Joe Biden no próximo dia 20 de janeiro. 

“A todos os que me pediram, não irei à posse no dia 20 de janeiro”, postou na rede social.

Essa é mais uma ruptura das tradições das eleições presidenciais nos EUA. Após o anúncio da vitória do adversário, Trump também se negou a reconhecer a derrota, algo sempre acontenceu nas outras disputas políticas no país.

Ainda não foi anunciado se o vice-presidente, Mike Pence, estará no cerimônia de posse no lugar para substituir o presidente.

Desde o resultado da eleição presidencial, em novembro do ano passado, Trump diz que o sistema eleitoral norte-americano foi fraudado para prejudicar a sua campanha. 

O republicano tem como argumento para usa teoria a derrota em estados que tradicionalmente não votavam nos candidatos democratas, mas que deram vitória a Biden, como a Geórgia.

Fonte: R7

Israel quer comprar mais 1 esquadrão de caças F-35 antes da saída de Trump

Anteriormente estes aviões somente estavam disponíveis para Israel na região

Benny Gantz, o ministro da Defesa de Israel, afirmou nesta segunda-feira (4) que quer que o país compre um terceiro esquadrão de aviões de guerra F-35 dos EUA.

Ele espera ainda que o acordo de fornecimento possa ser fechado antes da chegada do novo presidente Joe Biden, que toma posse em 20 de janeiro.

Israel tem estado em negociações com Washington sobre como preservar sua vantagem militar após a administração Trump aprovar no ano passado uma possível venda de seus caças F-35 para Emirados Árabes Unidos. Anteriormente estes aviões somente estavam disponíveis para Israel na região.

“Sem dúvida, precisamos expandir o agrupamento dos F-35. Agora temos dois esquadrões. Eu creio que vamos expandir isso. Foi isso que pedi aos americanos”, disse Benny Gantz ao canal Ynet TV.

Eu compraria outro esquadrão de F-35 e em seguida examinaria o que fazer com o balanço – continuar expandindo [a aquisição] dos F-35, optar por F-15?”, disse.

Caça F-35 da Força Aérea dos Estados Unidos, foto de arquivo
© AP PHOTO / RICK BOWMERCaça F-35 da Força Aérea dos Estados Unidos, foto de arquivo

O ministro israelense não especificou quantos caças F-35 teria o novo esquadrão. Autoridades da Defesa do país informaram que os dois esquadrões já encomendados por Israel consistem de 50 aviões, escreve agência Reuters.

Ao ser perguntado se o país poderia concluir um acordo de aquisição antes da saída de Trump, ele disse: “Espero que sim. Eu penso que o orçamento de defesa precisa ser manuseado corretamente, ser salvaguardado. É uma espécie de apólice de seguro ativa”.

Fonte: Sputnik

Jornalista que revelou o Watergate diz que caso de Trump é ‘muito pior’

Carl Bernstein foi um dos jornalistas responsáveis por desvendar o escândalo do Watergate nos anos 1970

O áudio em que Donald Trump pede ao secretário da Geórgia para “encontrar” votos que possibilitem sua vitória no estado é “muito pior do que o Watergate”, segundo a análise de Carl Bernstein, um dos jornalistas responsáveis por revelar o escândalo político que provocou a renúncia do ex-presidente americano Richard Nixon em 1974.

“Isso não é um déjà vu, isso é algo muito pior do que Watergate”, disse Bernstein à CNN americana neste domingo (3).

Ao lado do colega Bob Woodward, Carl Bernstein entrou para a história do jornalismo ao revelar o caso Watergate em reportagens no jornal The Washigton Post na década de 1970.

A dupla de repórteres mostrou, na época, que o presidente republicano Ricahrd Nixon sabia da operação na qual foram invadidos escritórios do Partido Democrata, em um suposto assalto em 1972, para plantar escutas telefônicas que possibilitaram a espionagem da oposição. 

Após a investigação do caso revelado pela imprensa, Nixon, que havia sido reeleito presidente em 1972, renunciou ao cargo em 1974. 

Mais de 40 anos depois, o jornalista vê a nova denúncia contra Trump, publicada pelo mesmo jornal The Washington Post neste domingo, como mais grave que aquela contra Nixon.

Segundo ele, os áudios de Trump são “a evidência do que este presidente está disposto a fazer para minar o sistema eleitoral e tentar instigar de forma ilegal, indevida e imoral um golpe.”

“Em qualquer outro momento concebível na história dos Estados Unidos, essa fita (com os áudios de Trump) resultaria na liderança de ambas as partes exigindo a renúncia imediata do presidente dos Estados Unidos”, disse o jornalista.

Entenda o caso

Segundo a denúncia, o  presidente Trump pediu ao colega republicano Brad Raffensperger, secretário de Estado da Geórgia, que “encontrasse” votos suficientes para reverter sua derrota durante um telefonema extraordinário de uma hora.

O Washington Post obteve a gravação da conversa em que Trump repreendeu Raffensperger, tentou bajulá-lo, implorou para agir e ameaçou-o com vagas consequências criminais se o secretário de Estado se recusasse a prosseguir com o que chamou de “falsas alegações”. O presidente disse a certa altura que Raffensperger estava assumindo “um grande risco”.

Durante a ligação, Raffensperger e o conselheiro-geral de seu escritório rejeitaram as afirmações de Trump, explicando que o presidente está contando com teorias da conspiração e que a vitória do presidente eleito Joe Biden com 11.779 votos na Geórgia foi justa e precisa.

Essa ligação vem na esteira de esforços dispersos na tentativa de derrubar a vitória eleitoral de Biden, em um movimento liderado pelos principais republicanos determinados a explorar a crise de olho em ganhos políticos mais amplos.

“Não há nada de errado em dizer, você sabe, hum, que você recalculou”, disse Trump ao secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, de acordo com o Post, acrescentando mais tarde na ligação: “Tudo o que quero fazer é isso. Eu apenas queremos encontrar 11.780 votos, o que é um a mais do que nós. Porque ganhamos no estado.” 

Na época em que Trump estava trabalhando em Raffensperger, o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, exortou seus ex-colegas da Câmara a “revidar” em um tweet de sábado (2) à noite. Tanto Meadows quanto a advogada Cleta Mitchell e outros aliados republicanos de Trump também estariam na ligação. 

Por Diego Freire/CNN

Colégio Eleitoral confirma vitória de Joe Biden nos EUA

Os 528 delegados do colégio se reuniram nesta segunda para realizar a etapa indireta da eleição, e ratificaram os resultados de 41 dias atrás

Após 41 dias de contagens e recontagens de votos e de tentativas malsucedidas de reverter o que foi dito pelas urnas, o Colégio Eleitoral dos EUA ratificou, nesta segunda-feira (14), o resultado da eleição presidencial norte-americana de 3 de novembro: o democrata Joe Biden será o 46º presidente do país.

Ao longo do dia, os delegados se reuniram em todos os 50 Estados que são representados no colégio. Até às 19h30, Biden já havia conquistado 302 votos. O número mínimo para ser eleito é de 270 votos.

Ainda faltam os quatro delegados do Havai para que Biden confirme a estimativa de 306 votos. Até o momento, ninguém contrariou a votação popular. 

Apesar das eleições abertas, são os delegados que oficializam os votos que elegem o presidente americano. Eles não precisam, necessariamente, seguir o desejo da maioria da população do estado que representam. Apesar disso, não é comum haver infidelidade ao resultado das urnas.  

Na votação popular, Biden conquistou 81.282.896 votos, ou 51,6% do total, a maior votação da história do país. Por sua vez, Trump foi a segunda pessoa mais votada em uma eleição, com 74.222.484 votos (46,8% do total).

Os votos por escrito serão todos enviados para o Congresso dos EUA. Em 6 de janeiro, após a Câmara dos Representantes tomar posse, os envelopes vão ser abertos e as cédulas, contadas para confirmar mais uma etapa da eleição. A posse de Biden está marcada para o dia 20 de janeiro de 2021.

Votação protegida

Após semanas de indefinição, em que os advogados da campanha de Trump e outros representantes republicanos entraram com dezenas de recursos em diversas esferas da Justiça norte-americana, tentando alterar o resultado da eleição a favor do presidente, o dia transcorreu em relativa tranquilidade, apesar de alguns Estados precisarem tomar medidas de segurança.

O Arizona realizou a reunião de seus delegados em um local não anunciado, para evitar protestos e ameaças que se intensificaram junto com as acusações de fraude, sem provas, feitas por Trump e sua campanha.

Em Michigan, um parlamentar republicano foi afastado do Congresso estadual após afirmar em uma entrevista que estava ajudando a organizar protestos contra o resultado das eleições e que não poderia garantir que ninguém sairia ferido deles.

Ao contrário de anos anteriores, houve poucos votos “rebeldes” nos Estados. O partido vencedor em cada unidade da federação escolheu delegados fiéis para confirmar seus votos no Colégio. Em 2016, Trump perdeu cinco votos no Colégio e Hillary Clinton, dois. Os sete delegados votaram em outros candidatos.

Os resultados

Confira abaixo quantos votos cada um dos candidatos teve e em quais Estados

– Joe Biden – 27 Estados, 306 votos

Biden venceu em Vermont (3 votos), New Hampshire (4), Illinois (20), Nevada (6), Delaware (6), Geórgia (16), Connecticut (7), Nova York (29), Pensilvânia (20), Virgínia (13), Rhode Island (4), Wisconsin (10), Arizona (11), Maryland (10), Novo México (5), Minnesota (10), Colorado (9), Washington-DC (3), Michigan (16), Maine (3*), Nebraska (1*), Washington (12), New Jersey (14)

– Donald Trump – 24 Estados, 232 votos

Trump venceu em Tennesee (11 votos), Indiana (11), Mississipi (6), Oklahoma (7), Arkansas (6), Carolina do Sul (9), Iowa (6), Carolina do Norte (15), Ohio (18), Kentucky (8), Kansas (6), Dakota do Sul (3), Alabama (9), Louisiana (8), Utah (6), Flórida (29) , Virgínia Ocidental (5), Idaho (4), Dakota do Norte (3), Wyoming (3), Maine (1*), Nebraska (4*), Alaska (3), Texas (38), Missouri (10)

* – Os Estados de Maine e Nebraska são os únicos que dividem os delegados por distrito eleitoral em vez de dar todos para o candidato vencedor.

Fonte: R7