“Attenzione, pickpocket”… “Atenção, batedores de carteira!”

A italiana Monica Poli, uma cidadã comum, tomou para si a atividade de denunciar a roubalheira que cometem os batedores de carteira contra compatriotas e turistas na Itália, mais precisamente na cidade de Veneza.

– “Atenção, batedores de carteira!”

Seu grito também serve de aviso para os brasileiros: foram surrupiados e induzidos a votar através de promessas mirabolantes; perderam a confiança na justiça eleitoral quando as autoridades constituídas se negaram a substituir as atuais urnas que não permitem a recontagem de votos; descondenaram um acusado de corrupção, condenado a 12 anos de cadeia com uma ridícula afirmação de que o CEP onde o assaltante do país seria julgado estava errado. Tentaram infantilizar os cidadãos do país e transformaram metade deles nos rinocerontes de Ionesco.

Diz Mônica Poli, em entrevista para revista Veja:

– “Nossos ladrões são históricos”!

Os nossos também, só que aqui, dona Mônica, além de bater nossas carteiras eles também furtam nossa boa-fé e inteligência.

O atual presidente da República bateu a carteira da metade do Brasil ao afirmar que todo mundo comeria picanha e beberia cerveja em seu governo. Acreditaram nele. Foi eleito. Ao assumir, como é próprio de todo megalomaníaco e ainda por cima semi-analfabeto, casado com uma fulana deslumbrada, foi viajar por 21 países, anunciando ao mundo a boa-nova: sua eleição para presidente!

Gastou R$ 164 milhões em “giros internacionais”, para pagamento de diárias e compras de passagens e outras despesas, segundo os jornais oficiais.

Por sua vez, a Justiça Eleitoral bateu a carteira de todos os brasileiros ao negar a aquisição de urnas que permitissem uma contagem de votos mais segura, mais honesta. Ao invés de atender aos anseios dos brasileiros que pediam um tipo de urna igual às urnas eletrônicas modernas do Paraguai e as que são usadas no resto do mundo e que permitem a impressão de votos, recusou tudo, comprou 500 mil urnas eletrônicas que não são usadas em praticamente nenhum país do mundo, a não ser no Brasil, Bangladesh e Butão, e elevaram essas urnas à condição de totem sagrado, proibindo debates, prendendo e processando quem ousasse criticar as tais urnas, inclusive o ex-presidente da República Bolsonaro.

Isso soa inacreditável ao resto do mundo.

Ao descondenar um corrupto, condenado a doze anos de cadeia com provas irrefutáveis, o STF, constituído em sua maioria de ministros nomeados pelo corrupto-condenado-descondenado, alçaram o país à condição de “gente com cérebro de rinocerontes”, pois esses três fatos verdadeiros descritos aqui, somados, irritaram profundamente aqueles que ainda são normais nesse país, que ainda são capazes de somar 2+2= 4, que ainda não se transformaram nos rinocerontes de Ionesco.

“O Rinoceronte” é a obra mais conhecida de Eugène Ionesco; nela, o protagonista não se dobra e se espanta com os acontecimentos: os habitantes de uma vila se transformam em rinocerontes. O livro (transformado em peça teatral):

– “É uma crítica a todo pensamento totalitário que possa esmagar todos os outros, e que gere um sistema onde não haja mais lugar para qualquer oposição. Ionesco critica também o conformismo, que, criando condições de submissão a uma ordem absurda, transforma os homens em verdadeiros títeres. Por comodismo, por inércia, por interesse, os conformados seguem passivamente a manada, mansos e anônimos, renunciando àquilo que neles é mais essencial e elevado: sua própria humanidade. Assim os rinocerontes da peça gradativamente passam da sensação de espanto para a banalização, a legitimação, a assimilação, até a adoração”. (Site “Outras Palavras” – O ruído ensurdecedor dos rinocerontes – por João Paulo Ayub Fonseca).

Os que pressentiram, no Brasil, o ruído ensurdecedor dos homens que se metamorfosearam no grande mamífero e agiram como bestas, esses se revoltaram, foram às ruas, montaram acampamentos, alguns pediram aos militares que agissem, que os ajudassem e depois de meses, decepcionados, promoveram atos de vandalismo em protesto por todos esses acontecimentos.

Foram e continuam sendo reprimidos brutalmente.

Para justificar a infantilização e a transformação da metade dos cidadãos do país em rinocerontes, os Ministros, a imprensa, os artistas, os partidos que apoiam o presidente descondenado criaram uma narrativa fantástica: um golpe de estado! Sem armas, sem exército, sem presidente deposto, um dia de domingo, sem qualquer autoridade nos prédios, sem ninguém para botar no lugar do golpeado… Repito aqui, o que já fiz em outro texto, as palavras do ex- ministro e ex-Presidente da Câmara dos deputados Aldo Rebelo:

– “Faz bem à polaização atribuir ao antigo governo a tentativa de dar um golpe. Criou-se uma fantasia para legitimar esse sentimento que tem norteado a política nos últimos anos. É óbvio que aquela baderna foi um ato irresponsável e precisa de punição exemplar para os envolvidos. Mas atribuir uma tentativa de golpe a aquele bando de baderneiros é uma desmoralização da instituição do golpe de Estado”.

Somente um país infantilizado escuta e acredita na narrativa dos Ministros e seus defensores. Não há sentido ou lógica nessa ideia de golpe.

Nesse “teatro do absurdo” que se passa no Brasil “… dentre os quais se destaca a presença insidiosa de um poder de massificação e achatamento de sujeitos reduzidos a uma dimensão ferina em seu comportamento; e a falência da linguagem não somente enquanto dispositivo de comunicação, mas como estrutura capaz de sustentar um pacto simbólico entre os humanos”. (João Paulo Ayub Fonseca).

Infantilizar para punir. Se fazer de vítima para, fora da lei, castigar. Acusar, sem ouvir e não acatar as defesas, apenas penitenciar.

Em artigo para o Poder360, em 8 de janeiro de 2024, intitulado “Uma Farsa que não quer Calar”, afirmou o Senador Eduardo Girão:

– “O Brasil vive uma vigorosa ditadura do Judiciário, que agora tem total alinhamento ideológico com o Poder Executivo. Pais e mães de família sem nenhum antecedente criminal continuam sendo condenados arbitrariamente a 17 anos de prisão, enquanto corruptos, traficantes, estupradores e assassinos são soltos aos montes, numa inversão de valores jamais vista na história desta nação”.

Senadores que denunciam são uma minoria, a grande maioria e a imprensa, numa espécie de epidemia, a “rinocerite”, verifica e constata os crimes cometidos pelos Ministros do Supremo contra os cidadãos indefesos, que ainda não se transformaram em rinocerontes, e chama esses crimes dos “Supremos” de “excessos dos Supremos”, ao invés de pedir seu afastamento imediato e punição severa.

– “Atenção, batedores de carteira!”

São novas eleições este ano. Dela participarão os que foram transformados em rinocerontes e os que não foram. É preciso agir como a cidadã italiana, Mônica Poli, denunciar, gritar, não deixar que o comportamento bestial se repita, pois hordas de rinocerontes invadirão as ruas pedindo seu voto, tentando transforma-lo, infectá-lo. Afinal, como diz Mônica, nossos ladrões são históricos. É preciso gritar sem parar.

– “Attenzione, pickpocket”.

*As opiniões expressas neste artigo é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Correio de Notícia não tem responsabilidade legal pela “OPINIÃO” que é exclusiva do autor.

Foto de Carlos Sampaio
Carlos Sampaio
Carlos é Professor. Pós-graduação em “Língua Portuguesa com Ênfase em Produção Textual”. Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
Source: Carlos Sampaio

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